quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Feliz Ano Novo!

Hoje, encerra-se mais um ano em nosso calendário. Foi mais um período de trezentos e sessenta e cinco dias que passou e que nos trouxe alegrias, tristezas, conquistas, vitórias e também derrotas. Para as pessoas comuns, foi mais um ano que passou. Para os atletas, foi mais uma temporada de campeonatos, competições e títulos. Para os mestres e alunos, foi mais um ano letivo nas escolas e universidades da existência. Para as mães, foi mais um ano completado por seu filho, onde ele aprendeu coisas novas e evoluiu como pessoa e como ser humano. Para os profissionais, foi mais um ano de trabalho e dedicação às suas atividades laborais. Para os enamorados, foi mais um tempo de paixão, onde o amor floresceu ou se tornou maior. Para os investidores, foi mais um tempo em que dinheiro foi ganho ou perdido com sorte, astúcia ou azar. Para os governantes, foi mais um ano onde crises, embaraços políticos e eleições tiveram que ser administradas. E, como cada um emite as suas opiniões a partir de seu ponto de vista ou da posição que se encontra em relação aos fatos, para os astronautas que estão em órbita da Terra, o ano que hoje se encerra não passou de mais uma volta que o nosso planeta deu ao redor do Sol, em eu eterno movimento de translação. Independentemente da maneira de cada um ver as coisas, sempre esperamos que o novo ano que se inicia seja melhor que o anterior. Esperamos sempre que possamos ter mais saúde, mais dinheiro e mais alegrias. Seja como for, onde quer que estejamos ou com quem estaremos na virada da meia noite, que possamos pensar apenas em coisas boas para nós e para o mundo. Que os nossos desejos e intenções possam entrar em ressonância e criar uma grande onda positiva a atingir essa humanidade tão necessitada de paz ao redor do planeta. E como é sempre bom pensar alto, eu faço como os astronautas em sua privilegiada janela para o mundo: desejo que a próxima translação da Terra possa ser a melhor de nossas vidas! Seja você quem for, esteja você onde estiver, um Feliz 2009!

sábado, 27 de dezembro de 2008

Fute o que?

Existe uma terra longínqua, onde o povo cultiva estranhos hábitos. Entre eles, se destaca um. Por alguma influência que não se sabe de onde veio e inspirados em uns poucos compatriotas que obtiveram sucesso na vida jogando com uma bola um esporte chamado futebol, a grande maioria desse povo, nas horas vagas, pratica este esporte. Ou, pelo menos, tenta praticar. São crianças, adolescentes, jovens e adultos dispostos entre quatro linhas, divididos em duas equipes, correndo atrás de uma bola. Entre esse grande número de praticantes, às vezes, sobressai-se um que vai se juntar ao seleto grupo de milionárias estrelas do estranho esporte. Mas, na maioria das vezes, o que realmente se vê são barrigudos senhores saindo do campo de jogo e indo diretamente aos hospitais, cuidar das lesões sofridas durante a competição. São torções, fraturas e contusões que se acumulam nas fichas corridas dos pacientes. Apesar das caretas de dor e das promessas de parar, quinze ou vinte dias depois, lá estão eles dentro das quatro linhas novamente. Que estranha magia terá essa bola e por que tanta euforia é sentida ao conseguir coloca-la dentro do retângulo de paus guarnecido por redes, chamado de gol? Acho que para saber, deve-se correr, transpirar, tentar, insistir e, se possível, colocar a bola dentro das redes. Aí, é só esperar pela sensação que haverá de vir. Só assim será possível compreender o estranho hábito desse esquisito, alegre e irreverente povo. Qualquer semelhança com algo conhecido terá sido alguma coincidência?

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Turbulência

Complicada foi a situação de passageiros e tripulantes daquele vôo, durante aquela forte turbulência. Enquanto todos apertavam os cintos e se seguravam, os tripulantes faziam das tripas, coração. As comissárias guardavam rapidamente o carrinho com as bebidas e se seguravam firme para não cair. Ao mesmo tempo em que, pelo sistema de som, o comandante insistia para que todos se sentassem, aquele intrépido comissário insistia em atender ao pedido daquela jovem passageira: um copo d’água. Ele caminhava bravamente, mantendo o copo quase cheio sem derramar, ao mesmo tempo em que procurava se manter em pé. Passo a passo, copo quase derramando, suor frio no rosto. Insistiu nesse embate até que, em um movimento rápido, deu um belo gole naquela água mineral. Pronto! Ele se manteria em pé ao se segurar nas poltronas, aquela água já não molharia ninguém e a passageira ficaria satisfeita com a sua presteza e dedicação. A satisfação do cliente acima de tudo!

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Feliz Natal!

A paz reina absoluta à beira das águas da Lagoa dos Patos. A noite de hoje é de mais paz. Em todos os cantos do mundo, as pessoas estão mais próximas nessa noite. Um sentimento diferente aproxima a todos. As famílias estão reunidas, os adultos conversam ao redor das mesas e as crianças estão mais alegres. Afinal, hoje é Natal! Que a noite de hoje possa ser, realmente, uma noite de paz em todos os lares! Feliz Natal a todos!

São Lourenço do Sul - RS,
24/12/2008
21h 32 min

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Emoções...

Qual é a emoção de um velho músico ao encerrar o seu último concerto e encarar os aplausos do público pela última vez, antes da aposentadoria? O que sentem os pais que se despedem de um filho que viaja para longe, seja para estudar ou para iniciar uma nova vida? O que sente um médico que, após intensa luta pela vida de um paciente, o perde? O que sentem os familiares que perdem alguém querido em um acidente de trânsito ou em um assalto violento? São, cada um a sua maneira, sentimentos de perda. Uns são mais intensos que outros, mas todos deixam uma sensação de ausência, de vazio. Quando mais um ano se encerra, muitas dessas sensações nos vêm à mente. Relembramos de cada situação vivida, cada alegria e, principalmente, de cada momento de tristeza. É algo involuntário, que simplesmente chega e se instala em nós. Melancolia? Depressão? Ou é simplesmente tristeza por vermos que mais um ano passou tão rápido que mal tivemos tempo de aproveitá-lo? A correria, as dificuldades e as lutas diárias não nos permitiram ver o tempo passar e nem a beleza de cada dia que se foi. Estas são sensações e emoções de final de ano. Talvez nessa época, tenhamos uma sensação de perda pelas coisas que não conseguimos realizar, juntamente com a constatação de que o tempo não para. Além de não parar, percebemos que ele corre cada vez mais depressa. Em doze dias, teremos que começar tudo de novo, pois 2009 vem aí. É a vida! Pensando bem, ainda bem que ela segue! Que venha o novo ano e que a luta continue!

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Então, é Natal...

Mais um ano está chegando ao seu final. Hoje a tarde, aconteceu um Auto de Natal encenado por funcionários da empresa onde trabalho. É interessante e emocionante ver colegas de trabalho representando, encarnando personagens e contando a história do Natal. A apresentação aconteceu no pátio da empresa e foi assistida por muitos de nós. Nessa hora, são deixadas de lado todas as diferenças e as discussões que possam ter acontecido ao longo dos onze meses e pouco, já passados. Por alguns momentos estamos ali, em paz, com o coração leve e totalmente envolvidos com o espírito de Natal, que alegra e contagia. É muito bom fazer parte de uma grande empresa. É muito bom partilhar de uma alegria como essa com vários colegas e amigos. É muito bom estar com o coração desarmado de rancores e com a alma limpa, nesse tempo em que se finda mais um ano, mais um ciclo da vida. Por pouco mais de uma hora, deixamos de lado os equipamentos, os computadores e as máquinas diversas com as quais nos envolvemos diariamente, e nos doamos um pouco para comemorar esse tempo de boa vontade entre os homens. Tomara esses momentos durassem para sempre!

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

As palavras que ninguém lê

É muito interessante ter uma coluna em algum meio de comunicação, seja ele um jornal, uma revista, ou um site na Internet. O bom é que ali se pode exprimir idéias, emitir opiniões e desenvolver pensamentos. Uma idéia maluca me surgiu agora. Mais interessante ainda, deve ser possuir um espaço assim que não seja lido por ninguém. Os artigos são ali colocados e lá permanecem intactos. As colunas são cuidadosamente digitadas e continuam incólumes. Os textos são publicados e permanecem no anonimato. Pode-se assim até contar segredos nesse espaço, pois eles ficarão bem guardados embora com acesso a qualquer um que se disponha a pesquisar. É até um jogo interessante esse, de esconder segredos em um local em que todo mundo possa ver. Se parece como um jogo de gato e rato, um caça-tesouros ou algo assim. Talvez um segredo revelado e não percebido até ganhe ares de algo maior. É como se fosse um risco corrido, porém calculado. Neste espaço, pode-se propor charadas, inventar enigmas ou simplesmente contar algo sério, fazer uma confissão, que não será nem notado. Corre-se ainda o risco de que quando isto for percebido, mesmo daqui a muitos anos, ganhar um prêmio pela criatividade. Nesse mundo maluco, quem sabe as palavras escritas e expostas para que ninguém perceba, não possam ser consideradas uma obra de arte? Seria uma arte abstrata, absorta, absorvida, ou simplesmente uma grande bobagem?

Introdução ao estudo das lágrimas

De onde elas vêm? O que são as lágrimas? Por que elas irrompem em nossos olhos em muitas situações? Na maioria das vezes, lavam o nosso rosto vindo sem qualquer aviso. Surgem líquidas, límpidas, cristalinas, expressando e demonstrando diferentes sentimentos como dores, tristezas e até alegrias. Existem as lágrimas de desesperança, as lágrimas de dor, as lágrimas de amor, as lágrimas de saudade e até mesmo as lágrimas de felicidade. Elas exprimem sentimentos de uma forma silenciosa, tornando nesse momento, desnecessárias as palavras. Aliás, elas cumprem sua missão em um belo e singelo silêncio. Em sua curta vida, essas pequenas gotas geradas no olhar, caminham pela face e vêm nos lábios desaguar. Quem somos nós para entender a grandeza das lágrimas?

sábado, 13 de dezembro de 2008

Até que enfim!

Ele escrevera um roteiro para o cinema, que foi sucesso total com a sua vizinha, que o amava. Escreveu letras de música, que a sua tia adorou. Lançou um livro que foi o mais lido por seus dois filhos. Em um belo dia de novembro, o seu coração parou. Ao enterro, compareceram todas as sete pessoas da família. Quinze dias depois, as contas começaram a vencer. Foi aí que ele foi reconhecido por seu maior público. Da manhã até a noite, filas de credores e cobradores se formavam em frente a sua casa. O reconhecimento tarda, mas acontece.

Eu não sou eu!

Depois de muito tempo enganado, finalmente percebi! Eu não sou eu! Por estranho que possa parecer, foi a essa conclusão que cheguei. Eu sempre me considerei um bom cidadão, um bom pai, um bom namorado, um bom marido, enfim, um exemplo. Pensei ter virtudes e ser alguém para ser observado e, quem sabe, imitado. Hoje, olhando para trás, percebo que não é bem assim. Sempre trabalhei muito para prover o sustento de todos em casa, mas, e o resto? Terei sido um pai que dialogou sempre que os filhos tiveram alguma dúvida em relação à vida? Propus-me a “discutir a relação” sempre que havia algum motivo para uma conversa mais séria com a mulher que estava ao meu lado? No trabalho, será que sempre tive atenção com os colegas que traziam problemas ou simplesmente queriam conversar? Será que sempre tentei ser cortês no trânsito, com os outros motoristas que nem sempre dirigiram da maneira mais adequada? Ou essa maneira era adequada e eu não percebi? A minha cota de paciência terá sido suficiente para que eu convivesse bem com todos? Acho que a maior parte dessas respostas é não. Não sei se esta reflexão é causada pela chegada do final de mais um ano, mas ela está acontecendo. Mesmo achando a princípio estranho, acho que ela é boa, pois permite ver aquilo que realmente fomos, somos, e quem sabe, melhorar aquilo que podemos vir a ser. Ou, pode ser apenas mais um daqueles estranhos balanços mentais de final de ano que costumamos fazer, que resultam em promessas de mudança que jamais serão cumpridas. Sei lá!

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

É o fim...do ano

Está chegando mais um final de ano. Vêm aí o Natal e as festas de Ano Novo. Mas, o que estará acontecendo com as festividades de nossos finais de ano? Eu lembro que, antigamente, a chegada do Natal era uma festa. Não sei se era por sermos crianças, mas como ficávamos eufóricos com essa época do ano! Atualmente, o Natal representa apenas uma data em que o comércio vai faturar mais que nos outros onze meses do período. Percebo que as crianças já não sonham e os pais não fazem nenhum esforço para que esses sonhos voltem a povoar as suas mentes. Será errado falar aos pequenos de hoje, sobre o Papai Noel? É politicamente incorreto dizer à eles que é o bom velhinho que fabrica e traz os presentes na noite de Natal? Será que essa “mentirinha pura” vai trazer algum mal aos petizes? Mas, será que se disséssemos isso, eles acreditariam? Onde está ficando a inocência que as crianças possuíam? Elas não estão se tornando adultas, cedo demais? Eu recordo que os meus filhos foram criados com a expectativa da chegada do Papai Noel, com a euforia de abrir os presentes e com os largos sorrisos ao poder brincar com os brinquedos recebidos. Como aqueles sorrisos inocentes me faziam bem! Hoje, me pego sonhando e recordando destas coisas, como um velho. Preciso me apressar, pois o supermercado e o shopping devem estar cheios. Vou correr para garantir a ceia e os presentes, e mostrar aos meus filhos, quase adultos, que Papai Noel continua vivo.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

O velho, pesado e eterno som

O que pode o velho roqueiro fazer? Colocar o vinil na vitrola, fechar os olhos e quase chorar, lembrando de quando via e ouvia as suas bandas. Aquilo era som de verdade! Além disso, aquela era a época da descoberta, da revolta, da contestação, da juventude. Hoje, até os chiados e arranhões do velho disco trazem de volta a magia. Onde estão Jimmy Page, Ian Paice, Robert Plant, David Gilmour, Ritchie Blackmore, Roger Glover, Geezer Butler, Jon Lord, Ian Gillan e Ozzy Osbourne? Ouço ainda a música desses caras e tento sentir que tudo isso ainda continua vivo e a todo vapor. Mas, por que essas guitarras estão, aos poucos, silenciando? O que está fazendo parar o peso da bateria e o pulsar do velho baixo? E os teclados, porque não soam mais como antes? Mas, o velho jeans, o tênis e a camiseta me dizem que isso tudo não morreu e jamais morrerá. Dentro de mim, ouço todos esses sons no volume máximo, e é isso que ainda marca a cadência dos meus passos e o ritmo do meu coração...

domingo, 7 de dezembro de 2008

E eu?

Os heróis lutam, os jogadores disputam, os atores atuam, os cômicos fazem rir, os músicos lidam com melodias, os mecânicos mexem com motores, os escritores escrevem livros, os pintores manejam tintas, os médicos curam, os comerciantes negociam, os pedreiros constroem, os acrobatas se equilibram, os palhaços divertem, os cientistas pesquisam, os carteiros levam notícias, os garçons servem, os motoristas dirigem, os políticos governam, os banqueiros faturam, os endividados se afundam, as crianças sorriem e choram, os pais protegem... E eu? Observo o mundo em busca de respostas. Sei o que cada um faz, mas... E eu? Serei o que questiona? Ora, alguém precisa pôr um pouco de dúvidas nisso tudo...!

Só madrugada ou amanhecer solitário?

Já é madrugada e estou aqui, só. Já não sei para onde olhar e nem mais o que fazer. Filmes, assisti todos. Livros, decorei letras e frases. Músicas, conheço cada acorde. Estou parado, acordado, sonâmbulo. Só o meu pensamento não está comigo. Ele é teimoso e insiste em estar onde você está. Aí, vocês se unem e me deixam cada vez mais a mercê da saudade...

Boas Festas...?

Em todos os cantos do mundo, as cidades estão enfeitadas para as festas de final de ano, principalmente para o Natal. São ruas iluminadas por milhões de luzes coloridas e lojas com vitrines enfeitadas e atraentes. Mas, apesar destas conhecidas demonstrações de alegria, provavelmente esse Natal não será igual aos outros. A tão comentada crise financeira mundial já se faz notar. As ruas estão cheias de gente e as vitrines não deixam de ser admiradas, mas as pessoas não estão comprando como em anos anteriores. O medo do futuro faz com que a população mundial não ponha a mão no bolso como antigamente para comprar os seus presentes. O receio do que vai acontecer com seus empregos, com a economia de seus países e com as dívidas de suas famílias fazem surgir o medo de consumir, de fazer compras, de gastar. O espírito de Natal está presente, a neve cai no hemisfério norte e o sol brilha forte no hemisfério sul, mas algo está diferente esse ano. Os bolsos mais vazios e as mentes mais carregadas de preocupações farão com que esse Natal seja comercialmente mais minguado. Mas, se existir a união dentro dos lares e a vontade de devolver ao mundo a tranqüilidade de outros tempos, nem tudo estará perdido. Enquanto isso vamos sorrir, brincar com as crianças e admirar as luzes de Natal em nossas cidades enfeitadas e alegremente coloridas. Pelo menos isso, ainda é de graça.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

O mundo virado

É uma lástima, mas estamos vivendo em um mundo em que os valores estão totalmente invertidos. Ou deveríamos dizer pervertidos? As famílias estão em crise, em uma onda de separações, traições e pouco caso como nunca se viu. Algo inconcebível como a crescente violência doméstica, inclusive sexual, contra mulheres e crianças, é de saltar aos olhos. Onde estão os avôs e avós carinhosos que se preocupavam em ficar ao lado dos seus netos? Onde está o pai que, ao invés de apenas bater, ensinava? Onde está a mãe que distribuía carinho, compreensão e amor aos seus rebentos muito antes de se preocupar com as cirurgias plásticas que podem, talvez, devolver-lhes a silhueta? E os filhos que se drogam e que desrespeitam pais, colegas de escola e não reconhecem qualquer tipo de autoridade? O que está acontecendo com a “instituição família”? O que podemos fazer para evitar que, com o tempo, esse não seja apenas um vocábulo perdido no dicionário? E, pior, que os nossos descendentes terão que decifrar para entender o seu significado. Ainda dá tempo! Tem que dar! Mas, temos que começar fazendo a nossa lição de casa, em casa.

O descanso

Ele havia se aposentado e retornado à sua terra natal. Era uma cidadezinha paradisíaca, a beira de uma imensa lagoa de águas mansas, rodeada por muitas árvores e sombra a vontade nos dias de intenso calor. Após mais de trinta e cinco anos de trabalho, havia chegado a hora de descansar. Ele já nem lembrava mais de quanto tempo vivera na grande cidade, com seu alvoroço e suas correrias diárias. E, ali estava! A garantia de uma velhice tranqüila, sem compromissos que exigissem agenda ou horários. Empolgado, comprou um veleiro e se pôs a navegar. Dia após dia, ia e voltava, lançava âncoras e pescava, erguia velas e navegava. Era uma maravilha! Os dias passaram, as semanas chegaram, os meses correram e os anos se mostraram longos, imensos, gigantescos. O vento que inflava as velas já não era tão fresco como antes. O sol que lhe bronzeava a pele, já incomodava. As águas que o banhavam já não eram tão mornas assim. Ele se viu parado, preso, aposentado! E agora? Para onde ir? O que fazer? As lembranças da cidade grande e suas avenidas repletas de automóveis já não saíam da mente. Mas, o que estaria acontecendo? O tão almejado sonho da aposentadoria estaria virando pesadelo? O descanso tão sonhado já não era tão interessante? A paisagem, outrora divina, estava se tornando enfadonha? Já começavam a ser sentidas saudades do ambiente do escritório! Que falta já estava fazendo a mesa abarrotada de papéis, documentos e pastas! Que vazio lhe dava já não poder ler as mensagens eletrônicas na exata hora em que chegavam ao seu computador! Estaria ele condenado a descansar eternamente em um cenário de cartão postal? Que coisa enfadonha! Que chato! Que saco! Nesse meio tempo, lá na antiga empresa de nosso personagem, o novo funcionário que ocupava a mesa que lhe pertencera, pensava. "Que sorte do nosso aposentado! Feliz, sem compromissos e sem nunca mais ter de pisar aqui. Isso que é vida! Eu daria tudo para estar lá, no lugar dele!" Quem está certo? Existe um tempo para tudo? Devemos seguir um roteiro com hora para trabalhar e hora para parar? Ou devemos ir preparando nossa mente para, assim que a idade chegue e se esgote o tempo da labuta, estarmos preparados para essa parada? Eu vou começar a guardar dinheiro para comprar o meu barco, de preferência, um veleiro. E, já comprei um mapa para decidir onde ancorar a minha vida na velhice. Tomara que seja em um porto seguro, de águas calmas e límpidas. Ah, e com a sombra de árvores para estender a minha rede.

Conjunção

Pare tudo, e corra para fora de casa nessa noite! No céu, está acontecendo um espetáculo que só se repetirá em 2052. Os planetas Júpiter e Vênus, mais a Lua, os três astros mais brilhantes do céu, estarão muito próximos hoje. O trio estará tão unido que poderá ser ocultado pelo seu polegar com o braço estendido. Embora os três astros estejam aparentemente próximos no céu, trata-se apenas de um efeito visual, por eles estarem alinhados com a Terra. Júpiter, o maior planeta do Sistema Solar, está muito mais distante da Terra do que Vênus, e por isso parece menor. Seja qual for a explicação científica, vá lá para fora. Vale à pena! Sabe-se lá o que estaremos fazendo daqui a quarenta e quatro anos. E, quem sabe esta conjunção nos traga boa sorte. Não custa tentar. Boa noite e boa observação!

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Miragem

A minha viagem corria tranqüila, quando ela surgiu. Ocupou o assento vago ao meu lado, sem nem me olhar. De canto de olho, vi aquela loura deslumbrante. Cabelos longos, rosto bonito, corpo escultural. Sentou e, parecendo cansada, adormeceu. Lá pelas tantas, o seu celular tocou. Do outro lado da ligação, alguém que parecia querer uma reconciliação. Ela, com uma voz angelical, dizia que não seria mais possível e que cada um deveria seguir os novos rumos de suas vidas. Ainda no meio do telefonema, levantou tão rápido quanto chegou. O ônibus parou e ela desceu no meio da estrada. Teria sido um sonho? Imaginação? Miragem? Mas, miragem deixa perfume no ar?

Crepúsculo

A visão é privilegiada do oitavo andar. Vejo a cidade ainda adormecida. O sol já surge no horizonte por sobre as luzes ainda acesas nas ruas. Na sacada, sopra uma fria brisa. Volto o olhar para dentro e vejo você. O lençol mal cobre o teu corpo cansado do prazer sentido, sereno pela noite aquecida e feliz pelos sorrisos trocados. Sem dúvidas, é na cama que está o meu amanhecer.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Mais uma (triste) história de amor...

Ela era uma moça linda! Morena, cabelos longos, corpo escultural, sempre maquiada. De origem humilde, pegava todos os dias o ônibus do bairro afastado ao centro da cidade e ia trabalhar. Era funcionária de uma loja de cosméticos em um shopping. A vida não era fácil. Ônibus lotado, sem lugar para sentar e ainda tendo que ouvir as piadinhas dos vários engraçadinhos e candidatos a garanhão de plantão no horário. No começo, ela tirava aquilo de letra, mas depois de algum tempo já ficava irritada. Normalmente, no mesmo horário, tomava o ônibus um rapaz que não morava muito longe dela. Ele trabalhava em uma gráfica e fazia o curso de Direito à noite, a duras penas. Não era fácil permanecer acordado na sala de aula, além de ser complicado pagar a faculdade todos os meses. Mas, persistente, ele continuava, pois queria ter um futuro melhor. Embora quase vizinhos, não se conheciam. Dia após dia, o olhar dele já não conseguia se desviar do dela. Afinal, estava logo ali, ao alcance de algumas palavras e, talvez das mãos. Certo dia tomou coragem e foi falar com ela. O pouco espaço no coletivo facilitou a conversa de pertinho. Como o papo não foi ruim, ela deu atenção e se interessou pelo rapaz. Pelo menos, pensava ela, esse não é como os outros que só soltam gracinhas no meu ouvido. O tempo passou, e a tímida conversa inicial foi a semente que transformou a amizade em namoro. Um passou a freqüentar a casa do outro, as famílias se conheceram e tudo ia bem. Já faziam planos para em um futuro não muito distante, se casarem. Ele pretendia em menos de dois anos ser um advogado e dar à futura esposa uma vida melhor que aquela que levavam. Dia após dia se encontravam no ônibus, indo cada um para a sua luta diária. Certo dia, ela não pegou o ônibus. Ele estranhou. Ligou para o celular dela e já a encontrou na loja. Alegara que havia pegado uma carona com uma vizinha, que também estava indo para a cidade. Nos próximos dias, ela já não era uma passageira assídua do coletivo, naquele horário. Quando questionada, sempre dizia que a vizinha havia saído mais cedo e a levara. Como ele a amava muito, até começou a gostar, pois assim a sua amada não viajaria tão desconfortável, naquele ônibus despejando passageiros pela porta que nem fechava mais direito de tão lotado. Certo dia, um automóvel BMW novinho em folha ultrapassou o ônibus em que ele estava. Por coincidência e curiosidade, seus olhos acompanharam o carrão. Qual foi a sua surpresa, ao ver a sua amada, cabelos soltos ao vento e sorriso mais que aberto, bem acomodada no banco do passageiro. E, pior, acompanhada de um sujeito que ele não conhecia. Chegando ao centro, já na loja de cosméticos, ele a inquiriu sobre quem era o motorista e o que ela fazia naquele carro. A resposta não poderia ter sido mais dura. Ela disse que decidira mudar de vida. Aquele dia a dia de pobre já não a satisfazia. O seu novo noivo estava com o apartamento pronto e ela iria se mudar para lá, o quanto antes. Ele que confiara tanto naqueles olhos lindos... Passadas algumas semanas, ela nunca mais foi vista na linha de ônibus. Ele soube que teria virado madame, e morava em um bairro nobre da cidade. O tempo passou. Agora, nas viagens diárias no ônibus, seus olhos se dirigiam para a loirinha sardenta. “Está certo que não é tão bonita, mas viaja comigo todos os dias segurando firme a minha mão. E, gosta muito de mim”.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Todo dia

Tenho o maior orgulho de prover, de orientar, de prever. Embora sinta que tudo está ao contrário, insisto na minha direção, olho para dentro e me sinto bem. As dificuldades e as surpresas são muitas, são várias, são diárias. A paz foi tirada, a luz quase foi apagada, no ar se ouviu a gargalhada, a calma foi arrancada, mas aqui tudo é mais, é muito, é maior. A claridade se faz presente de novo. O sorriso já não tarda e tudo segue o seu rumo, apesar dessa louca vida. Nos vasos ainda não se vêem flores, mas a primavera já não tarda a nos visitar. A música já invade os espaços, apesar da janela não estar escancarada. Talvez ainda falte um lugar onde não se more, mas se viva. Talvez lá, a noite possa, definitivamente, zelar com carinho o nosso sono.

domingo, 23 de novembro de 2008

Obra, prima?

Toda obra é única! E, cada um coloca lá as suas notas, os seus traços, os seus riscos, os seus floreios, as suas palavras, os seus rabiscos, as suas rimas, os seus devaneios e as suas cismas. Cada reação, bom gosto, desgosto, indiferença, sucesso, remorso, encosto, fracasso e desprezo, é conseqüência. Pinto com minhas tintas, escrevo com minha pena, cumpro minha vida e canto com minhas sílabas. Quem se importa? A obra é minha, mas é prima de quem?

Dilema

São sinceras as palavras que ouço? Elas me fazem tão bem! Por que sempre desconfio? As pessoas falam sério? O que mais tenho que ver para acreditar? Essa é a dúvida, essa é a questão, esse é o dilema. Por que gostam de mim? O mundo é cruel e os seres são insanos, mas por que não comigo? Isso é tão bom, que me faz mal. Alguém explica? Querem me enganar? Eu só queria entender... Alguém me ajuda? Vou aumentar o som da confusão. Não quero ouvir mais nada!

Previsão do dia

“Cuide da saúde e dê mais atenção à pessoa amada. O trabalho está em baixa e a fase financeira ainda não será das melhores. O conjunto de condições celestes não o beneficia, pelo menos por enquanto. Encare a situação de frente”. Ainda bem que é só o meu horóscopo! Quem leva isso a sério? Hoje, eu não vou levar...

Insone existência

A madrugada avança, impeduosa. O relógio não pára e os meus olhos não se fecham. Alguns pingos de chuva chegam para me fazer companhia. Em compensação, a escuridão não me abandona. Lá fora, além da chuva, o vento me chama com um constante e tenebroso assobio. Os meus pés estão congelando e a cama está vazia. Quando você vai voltar? Só te espero até o fim dessa vida... Não mais!

sábado, 22 de novembro de 2008

Uma janela para a vida

Um fato acontecido há uns tempos atrás, não me sai da mente, retornando de vez em quando. Meus filhos ainda estavam no ensino fundamental, quando aconteceu um passeio ciclístico promovido pela escola. Alunos e professores pedalavam em um grande grupo pelas ruas do centro da cidade, em uma manhã de domingo. Crianças sorridentes e barulhentas, professores preocupados e pais atentos, acompanhando tudo a pé, pelas calçadas. Muitas ruas percorridas e várias esquinas depois, o grupo passava em frente a um antigo e mal cuidado prédio residencial. No cenário de paredes descascadas, percebiam-se todas as janelas fechadas, menos uma, no último andar. Nessa janela, surgiu a figura de uma senhora idosa de cabelos brancos e com os ombros curvados pelo tempo. Ao perceber a passagem daquela quantidade incomum de bicicletas e crianças, aquela senhora se transformou. Ela, aos pulos, acenava e enviava beijos a todos os que passavam aos seus pés, na rua. O seu sorriso era de tal maneira aberto e franco, que eu não me lembro de já ter visto outro que transmitisse tanta sinceridade. Ela sorria muito, acenava e sabe lá com que forças, pulava! Fiquei imaginando o que se passava na mente daquela senhora. Há quanto tempo, ela não via algo que a alegrasse tanto? Que tipo de vida ela levava ali, entre aquelas paredes? Ela sofreria de alguma enfermidade? Sentiria dores? Quais as sensações que aquelas crianças montadas em suas bicicletas haviam trazido a ela? Há quanto tempo ela não sorria assim? Recordo, que quando a última bicicleta passou, ela colocou a cabeça para fora da janela e deu uma última espiada. Arriscou um último aceno e, já séria, voltou para dentro. Nos minutos seguintes, a sua vida voltaria à rotina? Seria uma rotina pesada, de sofrimentos? As bicicletas e as crianças viraram a próxima esquina e eu já não via a velha senhora em sua janela. Recordo que fiquei pensando naquele fato, mas logo já era hora de recolher meus filhos e guardar as bicicletas no carro. Hoje, alguns anos depois, passei em frente ao antigo prédio. Meus olhos se apressaram em se fixar naquela janela. Lá estava ela, caixilho de madeira quase sem tinta e vidros abaixados. Hoje, ela estava fechada. Não vi aquela senhora, personagem quase infantil daquela alegre cena passada no palco de sua janela e que marcou definitivamente as minhas lembranças. Hoje, ela estaria deitada? Fazendo alguma refeição? Ou ela já partiu desse mundo? Não sei. Só sei, que de alguma maneira, aquelas crianças ciclistas deram alguns minutos de intensa alegria para a velha senhora. E ela deu a todos os que passavam pela rua, um exemplo único de simplicidade e de alegria com algo tão singelo como um grupo de crianças. Talvez tenha sido essa, a visão que tenha alegrado os seus últimos tempos de vida. Como saber? Acho que prefiro ficar com a lembrança daqueles cabelos brancos e daquele sorriso que, confesso, ainda não vi outro igual.

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Percepção

Apenas hoje, parei e olhei para trás. A vida continuou e eu nem percebi. As pessoas seguiram os seus rumos. Cada um tomou o seu caminho, a maioria mais iluminados que o meu. Só agora percebo. Onde eu estava com a cabeça? Relacionamentos, amizades, cumplicidades, parcerias, tudo está feito, todas estão prontas! Me pego chorando em locais e situações onde eu deveria rir. Isso é normal? Vou tentar abrir o meu alçapão! A luz lá fora será muito forte? Bem, só me resta tentar... Será que ainda me encaixo em alguma comunidade? O tempo escoou por entre os meus dedos e eu nem senti, tamanha foi a falta de tato. Terei ainda alguma chance? Por quais ruas andarei e em qual cidade? O melhor seria ainda poder acordar, mas temo que a hora já tenha passado... Ou será que o agora ainda não é muito tarde?

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Na escuridão

Olho insistente para a escuridão do céu, singelamente enfeitada por algumas estrelas. De vez em quando, passam silenciosas e apressadas luzes que piscam. Absorto, imagino que sejam pilotadas por alguém. É só mais uma aeronave ou uma miragem disfarçada de esperança? Quem estará lá dentro? Será alguém que deveria estar aqui em baixo, comigo? Por que você não desce? É noite ainda, mas estou aqui. Quando nascer o sol, pode ser tarde demais...

Idéias

Como se vende de tudo nesse mundo, desde coisas, serviços, sentimentos, idéias escritas, faladas e cantadas, alguém compraria os pensamentos que borbulham na minha cabeça? Já não sei onde colocá-los e nem quais devo seguir...

Envelopes

A correspondência acaba de chegar. Olho os envelopes e não os abro. Conterão boas novas? E se for aquilo que tanto espero? Não sei... Na dúvida... O maior me parece confiável, mas os outros podem dizer coisas que não quero saber. O mundo exterior insiste em entrar aqui, mesmo na forma de cartas. São ofertas, promoções, promessas, propagandas, ofensas. Eu não pedi nada! Vou sair! Na volta, penso no que fazer. Quem sabe mudo de endereço, deixo de ser destinatário e trato de cuidar melhor do meu destino. Para que lado vou? Que rumo tomar? A resposta não terá vindo pelo correio? Alguém, aí fora, pode gostar de mim...

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Quem somos nós?

Certa vez, eu ouvi as seguintes frases: “A maioria das pessoas é outra pessoa. Seus pensamentos são as opiniões de outra pessoa”. Penso parecido com isso. Acho que como nós vivemos obrigatoriamente em sociedade, somos forçados a compartilhar e seguir as opiniões dos outros. No trabalho, embora muitas vezes nem concordemos, seguimos a opinião ou a ordem do supervisor, do encarregado ou do gerente, sob pena de punição caso não se faça. Na escola, obedecemos e nos submetemos às ordens e aos ensinamentos de professores que, muitas vezes, são totalmente despreparados ou estão desmotivados demais para orientar quem quer que seja. Em inúmeros casamentos, um cônjuge se submete às opiniões e loucuras do outro, apenas para tentar viver uma vida feliz. E, na maioria das vezes, não consegue. Fazemos, falamos e executamos ordens e comandos vindos de fora, embora as nossas opiniões sejam completamente diferentes. Enfim, acho mesmo que nós não somos nós. Nós somos realmente nós, quando estamos sozinhos na cama, meditando sobre essa loucura que é o mundo em que somos forçados a viver. Feliz de quem consegue ser ele mesmo, nem que seja apenas no interior do coração e da mente.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Encoberto

Já é muito tarde. Não tarda a amanhecer. A madrugada me encobre e dá forças para que eu seja quem quiser. Agora, ninguém me vê. Aqui, estou forte. Enquanto o sol não surge, estou bem, estou a salvo. Neste lugar, escrevo, falo, grito. Berro aos ouvidos, aos passantes, aos insones, aos ouvintes, aos insanos. O agora é o meu mundo. Estranho esse mundo, que se acaba quando surge o amanhecer. No meu mundo não tem alvorecer. Estranho e escuro esse mundo. Invisível e seguro mundo. Aqui e agora, estou fora do alcance, estou distante, estou contente. O aqui é fortaleza. O agora é proteção. A noite é companheira. O dia, assombração.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Revendo o passado

O tempo passou, a vida correu, as noites e os dias se sucederam, alegrias e tristezas aconteceram. Tentei acompanhar, tentei ser, tentei parecer, tentei entender. Cheguei até aqui. Me vejo parado, calado, olhar fixo, sorriso fechado. O que eu fiz? O que eu quis? O que eu tive? O que eu consegui? O que parecia bom, era um desastre. O que me fazia rir, hoje me faz chorar. Quanto tempo! Quanto esforço! Quanto remorso! O que fiz de minha vida ao teu lado? Hoje me apresso, corro, tento voar, tento encontrar o pouco de alegria que ainda deve restar no mundo. Resta saber se saberei onde encontrar...

Um dia...

Pode demorar, mas um dia entenderão o trabalho feito e não valorizado, o texto escrito e não lido, a palavra dita e não compreendida, o conhecimento transmitido e não aceito, o sentimento expressado e não retribuído, a dor gritada e não aliviada, o cansaço mostrado e não reconfortado, o grito vociferado e não ouvido, o olhar enviado e não percebido, as lágrimas derramadas e não notadas, as mágoas represadas e não ditas, a pele ferida e não sarada, a mente confusa e não orientada, a vida perdida e não recuperada... Um dia... Quem sabe, um dia...

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Ponto de vista?

Há tempos, anda tudo turvo. Vejo vultos quase sem rosto, ao longe. Só a medida que se aproximam, ganham traços. Os letreiros andam ilegíveis e os livros insistem em manter suas letras quase apagadas. O que estaria acontecendo com o mundo que me cerca? A princípio, levei um susto. Hoje, decidi fazer lentes novas para meus óculos.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Sinal dos tempos

Dia desses, logo cedo, passei no bar do Zé para tomar um café com leite e comer um pãozinho com presunto e queijo. Enquanto eu abria o jornal, ele servia aos outros clientes. Em seguida, ao passar um pano no balcão, ele me disse: "Você viu ontem, a queda da NASDAQ?" Os outros freqüentadores do local ouviram e pareceram achar normal o assunto. É, definitivamente, um sinal dos tempos.

Por que não eu? (ou...ainda bem!)

Cenário: Um sinal vermelho em uma esquina da cidade. Nos sinaleiros fechados de nossas cidades, sempre aparece alguém oferecendo ou pedindo alguma coisa. Sabemos que a vida não está fácil para ninguém, mas assim como encontramos em nossas esquinas, pessoas realmente necessitadas, existem alguns espertos que se aproveitam da bondade alheia para faturar algum trocado. Não cabe a mim julgar. Estou eu, dentro do meu carro parado no sinal, cercado de carros mais novos por todos os lados. Aliás, mais novos, de luxo e importados. Eis que se aproxima um rapaz com um papel na mão. Passa de carro em carro, conversa, recebe alguma coisa, olha para o meu carro e o ignora, indo para o próximo veículo importado. Nesse instante, fiquei pensando que hoje em dia, até para ajudar alguém precisamos estar bem vestidos e de carro novo. Um veículo nacional com oito anos de uso como o meu, definitivamente não inspira confiança. Não sei se fico feliz ou choro...

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Frase

"A pobreza você combate baixando o preço do adubo". Essa foi a frase disparada por um velho camponês de Honduras, ao avaliar que o preço dos alimentos subiu muito pelo mundo afora e que os insumos subiram mais ainda. É a sabedoria simples, prática e direta de quem sempre viveu da terra e hoje já não pode plantar devido a falta de dinheiro. E a falta de dinheiro não permite a compra de comida, em um cruel círculo vicioso. Os seus olhos, antes acostumados com o verde da lavoura, agora só vêem a miséria e a fome. Até quando?

Fonte: Bom Dia Brasil / Rede Globo de Televisão

Crise? Que crise?

Sim, foi assim. O ser humano inventou a roda, aprendeu a dominar o fogo, começou a assar a carne de caça e se alimentou melhor. Suas necessidades básicas de moradia e alimentação foram, aos poucos, sendo supridas. A caverna se tornou confortável e a carne assada era boa. O tempo passou, o homem evoluiu, máquinas foram inventadas, a vida foi automatizada e o mundo foi globalizado. Mas, o que a princípio era uma grande idéia, com mercados unificados, comércio facilitado entre os povos, sistemas financeiros interligados, está se tornando um pesadelo. O mundo enfrenta hoje uma crise financeira que afeta a todos, sejam ricos ou pobres. Os ricos sentem no bolso, já que os seus investimentos não rendem aquilo que esperam e, com isso, sofrem uma perda de dinheiro. Gigantescas e outrora fortes indústrias, grandes empresas seguradoras mundiais e grandes bancos estão ameaçando fechar suas portas, em uma quebradeira generalizada. É uma verdadeira derrocada do capitalismo. Nesse meio tempo, os pobres estão ficando cada vez mais pobres. E, o máximo dos absurdos, é a fome que assola muitos povos. Com a tal crise, o preço dos alimentos está se elevando e as populações miseráveis de várias nações do mundo estão morrendo à míngua. Como exemplo disso, temos várias nações da África e da América Central onde a população pobre alimenta seus filhos apenas com uma mistura de água e sal, diariamente. Alguns povos não estão se desenvolvendo fisicamente devido a falta de alimentos durante a vida e estão perdendo estatura a cada geração que passa. São os "pigmeus da fome". É inadmissível que em pleno século 21, enquanto se gasta rios de dinheiro em guerras e na corrida espacial por exemplo, seres humanos morram de fome. Não é concebível que, nesse mundo interligado pelos meios de comunicação e totalmente rastreado por satélites, as pessoas morram de inanição e se tornem alimento para os abutres. É cruelmente desumano! Para onde vamos? É preferível auxiliar bancos falidos ou alimentar populações a beira da morte? Por que as nações ricas não promovem uma alimentação globalizada? Aposto que se as crianças de cada canto da Terra estivessem bem alimentadas e fortes, o futuro da espécie humana seria muito melhor. Da maneira que vai, estamos nos destruindo pouco a pouco, seja pela falta de dinheiro, pela falta de comida ou pela falta de esperanças. Será que não deveríamos rever tudo isso e começar de novo? Talvez ainda haja tempo.

domingo, 9 de novembro de 2008

Saldo

Sentar na janela da vida e apenas ver mais um dia passar, abrir o peito sem encontrar sentimentos, a geladeira sem ver gelo e o cofre sem ter dinheiro, ser o passageiro que desceu antes do fim da linha ou o piloto que abandonou o manche em meio ao vôo, é a mesma coisa. É apenas o acerto de contas, a prova real, o saldo do tempo passado em um caminhar às escuras. Lamparina apagada, querosene escasso, estrada pedregosa, espinhos pontiagudos. E a noite não termina...

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Na fila!

Ordem! Vamos organizar! Felicidade, na porta número um, a sua direita! Alegrias, porta dois, a sua esquerda! Conquistas, porta três! Sossego, porta quatro! Para expiação e provas, sigam a fila! Mas, onde fica mesmo o final dessa fila?

domingo, 2 de novembro de 2008

Xeque

Enquanto uns choram, outros tentam consolar. Enquanto uns riem, outros tentam entender. Enquanto uns traem, outros tentam perdoar. Enquanto uns morrem, outros tentam sobreviver. São funções distintas e nem sempre compreensíveis para personagens manipulados no imenso tabuleiro da existência. Afinal, o que devo ser? O que devo fazer? Que movimento vou executar? Para qual casa devo pular? É preciso mesmo, continuar nesse jogo? Derrubem logo esse rei!

Escuridão

No escuro, vejo luzes através da fechadura. Estático, consigo apenas pensar. Respiro e penso. O peito quer se abrir, mas não consegue. Quero gritar, mas a voz está presa. Penso em mexer meu corpo e ele não obedece. Tenho lágrimas e não consigo chorar. Tenho asas e não consigo voar. Minha chave já não abre a porta nem meus passos me conduzem para além dela. Lentamente, um sorriso me invade o rosto. Não tarda, a gargalhada ecoa pelas altas paredes e também fica presa no teto, como minha visão. Aos poucos, vou de encontro a uma minguante lucidez. Quem precisa sair daqui? Quem disse que além da porta é melhor? Lá, sentimentos congelados correm o risco de derreter...

Imagens

Fecho os olhos. Imagens voam pela mente. Lindos rostos de mulher, mãos amigas, cenas vividas, sons pesados, feições inimigas, pensamentos leves, derrotas, as poucas vitórias, os amores, as dúvidas, as certezas, os risos, as dores. Ao menos aqui, atrás das pálpebras, tenho o controle de tudo. Coloco cada coisa em seu lugar e em seu tempo. Não abra meus olhos. Não mais...

sábado, 1 de novembro de 2008

Festejar?

Mais um dezembro se aproxima. O ano se vai. Já? Eu ainda nem tive tempo de chorar. É preciso mesmo participar disso tudo? Luzes que não brilham, champagnes que não embriagam, músicas que não alegram e flores que não perfumam. Presentes falsos, ausências não sentidas e sorrisos financiados por todos os cantos. Será que o mundo não poderia me esquecer? Só hoje...

Cadê o meu rosto?

O resultado da vida sem sonhos e esperanças é semelhante ao daquela foto tirada com um saco de papel na cabeça. Nela, todos são iguais e sem rosto, apenas cumprindo o seu triste papel de figurante. No máximo, podem chegar a ser coadjuvantes. O palco e as luzes, definitivamente, ficam longe demais.

Sem saída

Os remédios já não fazem efeito. Com efeito, a vida passa. A mente se turva. O dia me empurra. A noite me encobre. A chuva me molha. Os minutos voam. As horas correm. A paciência se esgota. Todos me olham. Nada falam. Ninguém me escolhe. Olhos se fecham. Braços se cruzam. Bocas se calam. Será que um dia, alguém me nota? Será que em alguma noite, alguém me acolhe? Perguntas e respostas difíceis. Nem sei se quero esperar pela resposta. E a vida, incansável, passa...

Por que nós?

O mundo gira. Incansavelmente, gira. Fatos ocorrem, notícias acontecem, dores são sentidas, sentimentos são trocados, tristezas são vividas, lágrimas são derramadas, sorrisos são amarelados, corações são dilacerados, sonhos são esfarrapados. Onde estamos? Pelo que passamos? Forças, de onde as tiramos? Por que insistimos? Que rumo tomamos? Digam! Falem! Respondam! Alguém se habilita?

Os carros

Desde pequeno, o brasileiro tem duas paixões. Além da bola de meia, plástica ou de couro que é jogada nas ruas, terrenos baldios e quadras, existem os carros. Desde os carrinhos de rolimã da infância, passando pelo velho automóvel do pai, o brasileiro sonha com motores, pneus, óleo e gasolina. Excepcionalmente nesse final de semana, temos em São Paulo dois eventos fantásticos que reforçam ainda mais a paixão de nosso povo pelas máquinas motorizadas. Acontecem, simultaneamente, o Grande Prêmio Brasil de Fórmula 1 e o 25º Salão Internacional do Automóvel. No primeiro, os bólidos da Fórmula 1 voam baixo em Interlagos para a decisão do título de 2008. O brasileiro Felipe Massa tenta tirar das mãos do inglês Lewis Hamilton o título de campeão da temporada. Também se decide o título entre as equipes Ferrari e McLaren. Temos ainda na pista, os carros de BMW, Renault, Toyota, Toro Rosso, Red Bull, Williams, Honda, Force Índia e Super Aguri. É a alta tecnologia de motores, pneus, suspensões, combustíveis, lubrificantes, informática e telemetria aliadas à coragem e perícia dos pilotos deixando a emoção e a adrenalina a solta no asfalto de Interlagos. É um moderno circo tecnológico perambulando pelo mundo e movimentando milhões de dólares por onde passa. Para os aficcionados, é um espetáculo imperdível. Perto dali, no Anhembi, acontece a exposição das máquinas que são ao mesmo tempo o sonho de consumo e algo sabidamente inatingível para a grande maioria dos visitantes. São os automóveis das mais importantes marcas mundiais em exibição, mostrando aos apaixonados as últimas tendências e a mais moderna tecnologia do mundo. Quem não sonha em, nem que seja por um minuto, sentar ao volante de carros como Ferrari, Maserati, Pagani, Lotus ou Lamborghini? Em muitos desses estandes, menores e mais privativos, os carros ficam isolados do público, mas a aglomeração de pessoas em frente aos espaços é sempre uma constante. Esse é, sem dúvidas, um assunto para boas conversas para quem, como eu, gosta de carros. Mesmo que não possamos ter na garagem aquele modelo esportivo, ou o luxuoso e exclusivo quatro portas sonhado, automóvel é sempre um assunto interessante para ser discutido. E, como dizem que o brasileiro não desiste nunca, quem sabe um dia possamos possuir um desses. Hein? Quem sabe?

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

A septuagenária Guerra dos Mundos

Há exatos setenta anos, seis milhões de americanos ouviam o programa dominical Mercury Theatre on the Air, transmitido em rede nacional de rádio pela emissora CBS - Columbia Broadcasting System. Era a noite de 30 de outubro de 1938, quando por volta das nove horas, a execução de La Cumparsita, executada pela orquestra de Ramon Raquello, direto do Hotel Park Plaza no centro de Nova York, foi interrompida por uma notícia que mudaria os rumos da humanidade. Uma nave extraterrestre havia pousado em uma fazenda nos arredores de Grovers Mill, uma pequena cidade de Nova Jersey, a cerca de 70 quilômetros de Nova York. Por cerca de quarenta minutos, os ouvintes ouviram aterrorizados que centenas de marcianos hostis estavam provocando destruição e causando a morte de milhares de pessoas. A referida invasão, porém, aconteceu apenas na mente do então desconhecido ator e diretor de cinema Orson Welles. Naquela noite de véspera de Dia das Bruxas, o jovem diretor apresentou uma adaptação da obra de ficção científica "A Guerra dos Mundos" do inglês Herbert George Wells, publicada em 1889. A noticia da invasão provocou uma sobrecarga nas linhas telefônicas e congestionou as ruas de Nova York. Cerca de meio milhão de pessoas tiveram a certeza que o perigo era iminente e entraram realmente em pânico. A brincadeira de Halloween de Welles transformou uma obra de ficção em horas de medo e angústia para boa parte da população americana da época. Além do registro histórico do fato e da genialidade de Welles, me chamou a atenção a reação que o mesmo causou à vida das pessoas que estavam calmamente ouvindo o seu programa de rádio em casa. Hoje, nesse nosso mundo globalizado, rastreado por satélites e repleto de informação, qual seria a reação da população ao ouvir uma noticia dessas? Posso estar enganado, mas acho que um imenso número de pessoas munidas de suas câmeras digitais e aparelhos celulares, correriam ao local do pouso da nave alienígena e procurariam fotografar os marcianos do melhor ângulo possível. Em poucos minutos, a imagem dos ET’s estaria correndo o planeta através da Internet. Quem teria medo dos marcianos? Afinal, já estamos com sondas espaciais bisbilhotando o planeta deles. É o sinal dos tempos.

Fases

Quando somos jovens, queremos viver intensamente. Com os olhos aguçados, insistimos em conhecer o mundo e ver coisas que ainda não vimos. Na velhice, necessitamos de pesadas armações e grossas lentes para enxergar as coisas que já estamos, literalmente, carecas de saber.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Lua Nova em Escorpião

Hoje é dia de Lua Nova, e pelo horóscopo estamos no signo de Escorpião. A Lua Nova traz a idéia de novas experiências, energia, motivação, renascimento pessoal. Que essa motivação não seja privilégio apenas de quem faz aniversário no dia de hoje, mas que faça parte do cotidiano de todos nós. Que possamos estar sempre prontos para iniciar uma vida nova e melhor. Mas, desejo isso tudo hoje, em especial, à minha irmã Caroline, essa escorpiana corajosa, lutadora e quase incansável. Feliz aniversário! Muita saúde! Um beijo!

Barras

Ficção científica! Mas, por que não? A continuar nessa constante evolução tecnológica, todos nós em algum tempo no futuro, estaremos dotados de códigos de barras. Nas pequenas linhas verticais implantadas na pele, estarão contidas as características físicas, psicológicas e comportamentais de cada indivíduo. Poderão também ser impressas nas barras, as habilidades manuais e intelectuais natas ou programadas de cada um, seus possíveis problemas de saúde, distúrbios emocionais e o preço de sua mão de obra. Quando esse tempo chegar, os mais abonados poderão ter a sua disposição como funcionário, operário ou serviçal, um ser manufaturado, obediente e passível de devolução em caso de defeito. Quem viver, verá. Ou não.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Sonhos...

Normalmente, os meus melhores sonhos acontecem quando passo a noite acordado. É assim, na penumbra do quarto e com os olhos abertos que a mente permite ver o que realmente almejamos. O resto, não passa de realidade.

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Welcome to the machine

Hoje cedo, enquanto me deslocava para o trabalho, ouvia Pink Floyd no carro. Velhas músicas, sons hipnóticos que relembram outras épocas, outras fases da vida. A mente viaja solta, relembrando, revivendo e revendo coisas. Algumas décadas se passaram. O que aconteceu nesse lapso de tempo? O que vivi daquela época até hoje? Lutas, inúmeras. Vitórias, algumas. Derrotas, muitas. Pessoas passaram, fatos deixaram marcas, projetos quase foram realizados, sonhos quase foram vividos. É estranho olhar para trás e ver que uma das melhores coisas já sentidas seja essa música que, felizmente, ainda hoje chega aos meus ouvidos.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Controvérsia

Aconteceu ontem à noite. Aliás, era quase meia noite. Eu, com o carro parado em uma rua da cidade. Rádio ligado, música embalando os pensamentos. De vez em quando, notícias das bolsas de valores despencando ao redor do mundo, crise financeira, investidores em pânico. Capitalismo em crise. Ainda circulam carros e alguns ônibus pela rua. Fico observando as luzes dos veículos que passam, lendo os itinerários dos ônibus e pensando. Pensando no mundo em que estamos vivendo, suas crises, seus temores e seus medos. Tão moderno, evoluído e com medo! Eis que, de repente, surge um ciclista. Ele pedala pela contramão da canaleta exclusiva dos ônibus. Capacete, mochila nas costas, força nos pedais. Sozinho, enquanto pedala, sorri, ri. Estranho e enigmático sorriso. Ri de que? De quem? Para quem, se até mesmo a lua está oculta entre as nuvens? Enquanto a bicicleta passa rápida, fico intrigado. O que ele sabe que o mundo ainda não sabe?

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Seres racionais?

No dia de hoje, uma égua desmaiou em plena rua na cidade de Cachoeirinha, no Rio Grande do Sul. A égua obedeceu e carregou sua carroça, até o momento em que suas forças lhe faltaram. Sem agüentar mais, só restou ao pobre animal desabar em pleno asfalto. Esse é um assunto que venho acompanhando há tempos. Fatos como esse acontecem todos os dias, no Brasil todo. Só não são divulgados, como no caso em questão. Até quando nós, seres considerados racionais e superiores, vamos tratar os animais dessa maneira? Até quando as autoridades vão permitir que cavalos maltratados, magros e famintos trabalhem durante dez, doze horas por dia, muitas vezes sem sequer beber água? E ainda apanhando o dia todo, para andar mais rápido. Fala-se muito em direitos humanos, o que está correto, mas onde estão as leis protetoras dos direitos dos animais? Todos sabemos que os donos desses eqüinos são, na grande maioria, pessoas humildes e utilizam o veículo com tração animal para ganhar o seu sustento. Cabe então, mais ainda, aos governantes implantar uma política de apoio à estes trabalhadores, para que consigam sobreviver sem o uso indiscriminado e muitas vezes criminoso do trabalho desses seres praticamente indefesos. O uso da tração animal foi muito importante na época em que o Brasil era colônia e ainda não existiam veículos motorizados. Atualmente, em meio ao caos do trânsito urbano e aliado ao tratamento desumano imposto à esses animais, isso é o mais completo absurdo. Todos os dias, a força desses seres é utilizada à exaustão e, quando chega a noite, muitas vezes o pobre bicho recebe uma alimentação que além de insuficiente para sua recuperação, é na maioria das vezes, inadequada. Pensemos nisso e pressionemos as autoridades para que possa ser encontrada uma solução rápida para o problema. Mas já, hoje, agora!

Transparência

A transparência nem sempre é uma qualidade. As vezes, é muito chato ser transparente. Você está ao lado das pessoas, mas não é visto...

Acordes

Os primeiros acordes começam a soar. A multidão enlouquece. Lá no meio, estou eu. O som, embora quase ensurdecedor, me alivia. Pelo menos enquanto a música continuar, não posso ouvir os meus pensamentos. Onde se aumenta o volume?

domingo, 19 de outubro de 2008

Livro(e)...

Livro escrito, livro vendido, livro doado, livro enviado, livro desviado, livro não recebido, livro esquecido, livro desconhecido, livro relegado. Escritor iniciante, escritor iniciado, escritor recluso, escritor ignorado. Lidar com letras não é o mesmo que lidar com o mundo...

A chave

Atrás de qual dessas portas se esconde a felicidade? Ouço alarido e burburinho atrás de todas... Tem muita gente do lado de lá. Tento... Acho que não é falta de sorte; a minha chave é que não funciona...

Sonho

Estou em meio a vozes, letras, livros, música, conversas, ruídos, gargalhadas... Acordo... Vejo o escuro. Um estranho e constrangedor silêncio invade os meus ouvidos. Terá sido um sonho, ou estive às portas da libertação?

sábado, 18 de outubro de 2008

A música da vida

"O bom seria, compormos a música da vida sem esquecer de colocar nela, uma letra bonita o suficiente para ser vivida."

Cadê a minha hora?

O que vão fazer com a minha hora? Para onde vão levá-la durante os próximos quatro meses? O pior, é que é hoje, à meia noite. Uma hora do meu tempo vai sumir, assim, sem explicações. É o famigerado horário de verão que está chegando, de novo. Amado por uns, odiado por outros, ele está de volta. Enquanto isso, vou fazendo planos para usar bem cada um dos sessenta minutos, que só me serão devolvidos lá por fevereiro.

Como foi possível?

Como pudemos viver em outros tempos? Como conceber que nesses tempos idos, não carregássemos um telefone celular no bolso e, pasmem, não tivéssemos acesso à Internet? Como, no outro bolso não levávamos um tocador de música MP-3, MP-4, ou outro ainda melhor? Por conseqüência, não tínhamos acesso a sites de relacionamento, serviços de mensagens instantâneas e correios de voz. Como nós não baixávamos músicas, antigamente? É inadmissível que não pudéssemos ler jornais e revistas em suas edições on-line! Nesse tempo, os professores não enviavam as matérias para os alunos por e-mail. Como nós, pobres crianças, pudemos estudar assim? As pesquisas tinham que ser feitas em livros, nas bibliotecas públicas ou da escola, ao invés de sites de pesquisa! Precisávamos fazer as lições de casa na mesa da cozinha, enquanto a nossa mãe preparava algum prato delicioso, que seria servido logo em seguida. De vez em quando, ganhávamos um beijo na testa ou um afago na cabeça de nossos pais atentos e presentes. Que coisa chata! Necessitávamos ir pessoalmente ao banco pagar as contas e consultar saldos, ao invés de usar o notebook, via wireless, confortavelmente sentados em qualquer lugar da cidade. Nós ainda não sofríamos, instantaneamente, nem as conseqüências das quedas das bolsas de valores do outro lado do mundo, por conta da globalização. Você acredita nisso? Eu, sinceramente, não sei como nós sobrevivemos a uma vida tão simples e feliz! Não sei!

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Arte...

As notas emitidas pelas cordas, os acordes dos teclados, os sons viajando pelo ar, as letras depositadas ordenadamente nas páginas de um livro, nosso encontro, nosso encaixe e nosso sorriso, insinuam que a vida é feita com arte a cada dia...

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Aos mestres com carinho

Desde os primórdios da história humana, sempre existiram aqueles que se dedicaram a ensinar algo aos outros. Dos mais rudimentares conhecimentos, até a informação tecnológica avançada que possuímos hoje, sempre foi necessária a presença de um mestre, de um iniciador, de um professor, para que fosse aberto um novo caminho para alguém. Hoje, comemora-se o Dia do Professor. Essa é uma pequena homenagem a esses homens e mulheres que dedicam suas vidas ao crescimento e desenvolvimento intelectual de seus semelhantes. Embora penalizados com baixos salários, desrespeito e descaso muitas vezes, hoje é o dia deles. Parabéns professora! Parabéns professor! Um dia, a justiça será feita e o seu real valor será reconhecido. Todos verão, que sem alguém que abra e ilumine o caminho, não se chega a lugar algum.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Vai encarar?

Hoje, na hora do almoço, resolvi dar uma volta pelo centro da cidade. Ao passar por uma vitrine, percebi um estranho e insistente olhar a me fitar. Me virei para o vidro e, lá de dentro, um manequim de loja me encarava. Olhar frio, semblante sério, tez plastificada. Atrás do balcão, funcionárias da loja riam, como se nada estivesse acontecendo. Parecia que estavam todos em um complô contra mim. Estariam de conchavo com aquela estranha figura da vitrine? Já meio alterado, perguntei: “vai encarar?” Como não houvesse resposta ou reação, saí a passos largos. Em uma última olhada, pude ver a roupa ridícula que aquela figura estava usando. Será que não se enxerga? Coisa de louco!

domingo, 12 de outubro de 2008

0 qu& &´I$$0?

O qu& &st@´acont&c&ndo? P0rQu& &stoU fal@nD0 a$$im? Qu& lÍngu@ &´ &ss@? $oC0RR0!!!

Notícias

Acordo cedo. O despertar me cobra notícias. O que aconteceu? Olho para fora e nada vejo, a não ser que o sol ainda não surgiu. Ver você ao meu lado, foi apenas um sonho? Por que só aos meus olhos fechados, você insiste em aparecer? Só me resta voltar a dormir. Quem sabe assim, eu possa ser novamente feliz. A realidade é dura, e esse dia promete ser longo demais para ser vivido acordado...

sábado, 11 de outubro de 2008

O que seria?

O que seria de mim, se não fosse você? O que eu esperaria da vida, se não a compartilhasse contigo? O que seria da minha alegria, se não fosse o teu sorriso? O que seria dos meus braços, se não fosse o teu abraço? O que seria do meu sono, se não fosse o teu olhar? Ora, finalmente eu seria eu mesmo e não viveria a tua vida. Será que um dia eu consigo?

Na noite...

A noite esconde encontros improváveis e amizades reprováveis. Quem você pensa ser, não o é. E, o que não aparenta, quase sempre é. Loucuras, encontros, amarguras, desconfortos, desencontros. Tudo na sombra, tudo na esquina, tudo na penumbra. Nem tudo é sério, nem tudo é o que parecia, nem tudo é inimizade, nem tudo é parceria. A noite encobre desilusões e descobre alegrias. Tão poucas e passageiras, que sempre terminam com a luz do dia. Então? A noite é amiga ou apenas o oposto do dia? O cair da noite, não sei por que, me arrepia.

Vai da valsa...

Roupa escolhida, banho tomado, perfume borrifado, adereço preferido, fantasia vestida, endereço escolhido, sorriso ensaiado. Noite de gala, coração apertado, mente vazia. Chega o momento. Movimento, luzes, burburinho, dança, bebidas, conquistas. Tudo terminado, silêncio mortal. No caminho para a porta, pensamento lento, olhar pensativo. Lá fora, a vida espera. E a música acabou...

É tudo terreno...

No velho campo, não foram feitas colheitas. Passado, antepassados, histórias, tudo a se perder na memória. Justiça e respeito derrubados, assim como as árvores. Sentimento de impunidade. Já não é possível pisar no solo em que um dia, cheguei a ser criança. Lembranças podadas, esperanças ceifadas, olhos abertos, tudo, nada! Nada é que temos. Nada é o que resta. Nada é o que seremos. Ao partir, também nada levaremos. Afinal, é tudo daqui, é tudo terreno...

Muralhas

Cada vez que vejo o castelo erguido nas ruas da pequena cidade, uma revolta me invade o coração. De suas paredes, transpiram injustiças e de suas janelas, maldades nos espreitam. Por quê? Maciças pedras, cofres cheios, fortaleza. Duras almas erguendo a muralha quase intransponível, a isolá-las do mundo exterior. Superioridade forçada, autoridade comprada, cidade usada. Até quando? Do alto da torre, olhos frios miram a sina da bela e infeliz cidade. Encontraremos esperança em algum amanhecer?

Será mesmo?

Será que, às portas da morte, imagens da vida passam pela mente? Será que as pessoas relembram as situações passadas, coisas vividas, atitudes tomadas? Ocasiões, decisões, caminhos seguidos ao longo da existência, espoucam ante os olhos fechados? Flashes de pequenas e grandes histórias iluminam a mente nesses instantes finais da vida? Amores vividos, fortes emoções, difíceis decisões ou loucuras cometidas serão rememoradas? As alegrias, novamente sentidas? Ações, traições, falsidades, maldades praticadas e mentiras ditas, serão choradas? Perguntas difíceis de responder... Talvez, o melhor seja tentar estar em paz consigo mesmo e viver cada dia como se fosso o último. Que dia estranho hoje...

As velhas músicas

Às vezes, ouço no rádio algumas músicas antigas. São músicas que eu ouvia há duas, três décadas atrás. Elas me trazem lembranças de outros tempos, outras pessoas e outras situações. Eram tempos em que a vida era leve, viva, mais alegre e festiva. Nem tantas preocupações, sentimentos bons, divertimento, juventude e alegrias davam o tom daqueles dias. Hoje, as mesmas músicas chegam aos meus ouvidos, com acordes envelhecidos. Acho que isso, não é apenas pelo tempo que passou. As melodias são as mesmas, mas o mundo, a vida e eu mudamos. As notas musicais das velhas composições ainda dão o seu tom melódico e belo, mas que quase ninguém quer mais ouvir. Para a maioria, elas já não dizem nada. E, para mim, é uma ode inspirada em um tempo que não existe mais.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

O mundo diário

A cada novo amanhecer, enfrentamos um novo desafio. Saímos de casa e encaramos ruas congestionadas como artérias, sorrisos fechados como cofres e coisas como a cordialidade e o bom humor tão em baixa como as bolsas de valores. Andando pelas ruas, vemos criaturas carregadas de sonolência e lentidão. São seres saindo pela cidade para uma nova batalha de oito, dez, doze horas pela sobrevivência. É o imenso formigueiro, libertando a cada alvorecer os seus operários, soldados e rainhas para mais uma jornada que só terminará quando a noite chegar. Enquanto alguns carregam gravetos e folhas, outros passam abarrotados de desesperanças e ilusão, esperando que o novo dia possa ser melhor.

domingo, 5 de outubro de 2008

Terceira idade?

É diária a luta para que eu me convença que os meus filhos estão ficando adultos. Como é complicado! Sem que eu perceba, eles já não estão nem dependendo de mim para ir à aula de cursinho pré-vestibular nos finais de semana. Aliás, acho que ninguém merece aulas aos sábados e domingos, ainda mais cedinho da manhã. De qualquer forma, eles já me deixam dormindo e saem por conta própria. Não era ainda ontem, que eu os levava pela mão à escola? Antes de vê-los entrar pelo portão, acompanhados pela professora, conferia se estavam com a lancheira e os lápis de cor. Onde estão as calças curtas e as saiinhas? Cadê os machucados nos joelhos? Por que não ouço mais nenhum choro, seja de manha, sono ou fome? E, pior! O que está acontecendo comigo? Por que eu nem acordo com a saída deles pela manhã? Será que é isso que todos chamam de terceira idade? Não sei, mas temo pela resposta. Pensando bem, acho que não quero ouvir. Não sei se é maior a ânsia deles em entrar na vida adulta, ou o meu medo de admitir que isto esteja acontecendo. Creio que deveria haver uma preparação para que os pais passassem por situações como essa. Em especial, para vermos que aqueles bebês que dependiam do nosso colo para dormir, estão se preparando para enfrentar o mundo em uma época que já não será a nossa.

sábado, 4 de outubro de 2008

Pelas ruas...

Te ligo, não te encontro. Andas desconectada e bela pelas ruas da cidade, onde as vitrines atraem o teu olhar. O que fazer, quando até as calçadas são mais felizes que eu por terem você? Olho pela janela e me conforto, pois ao menos a minha alma está contigo...

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Diário de um louco

Antigamente, os pensamentos e sentimentos eram alocados na cabeça uns ao lado dos outros, no espaço da lembrança, fossem eles bons ou ruins. No desenrolar da vida diária, eles surgiam e tomavam o seu lugar, cronologicamente. Os instantes de alegria ocupavam o seu espaço, ladeados pelas tristezas e decepções. Tudo era armazenado na seqüência, enfileirados, juntos. Eram diferenciados apenas, por sua intensidade e pela conseqüência provocada. Hoje, tudo mudou. Sentimentos, sensações, esperanças, decepções, certezas e desilusões estão amontoados em espaços definidos e separados da mente, agrupados pelo gênero. Dependendo da situação ou do momento, recorre-se a uma dessas pilhas e, de lá, retira-se o fragmento requerido para a ocasião. Demência? Alucinação? Delírio? Resposta oculta em um olhar perdido...

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Eu?

Por que nem sempre é ruim sentir-se um idiota? Passado o susto, percebe-se que é deles a preocupação da dissimulação. Dá menos trabalho ser inocente.

Na estrada...

É noite alta. O carro voa veloz. As luzes das cidades surgem e desaparecem rápido. Poucos metros de estrada se avistam à frente. A neblina é densa como uma mortalha. Pelas ondas do rádio, na escuridão, chega um velho rock que diz " Gimme all your lovin’ ". (*) Olhos vidrados, mãos firmes, pensamento solto, coração cortado, mente aberta. Não sei o que a música diz. Só penso. Por que você não me dá o seu amor? As lágrimas turvam o olhar e encobrem a pista. Para onde vou? Onde está você? Logo saberei...

(*) ZZ Top

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Mais um dia...

Mais um dia sombrio, frio. Por vezes, o tempo não passa. Por vezes, ganha asas. O abrir dos olhos e a percepção de que tudo é realidade, é real demais para o meu gosto. Todos têm os seus problemas e preocupações de como resolve-los. Ninguém tem tempo e vontade de olhar para o lado. Dia corrido, visita médica na noite, olhos abertos, mente congestionada. Até onde? Até quando? Ao abrir a janela, percebe-se que os sentimentos estão soltos, espalhados pelo quintal, pelas ruas, pelo caminho. Estão em todos os lugares, menos onde realmente deveriam estar, no lugar onde poderiam ser sentidos. Aliás, nada faz muito sentido. Nada, nenhum lugar e quase ninguém. Mas, se é assim, acostumemo-nos assim. Vamos apenas esperar e ver onde esse caminho vai dar. Em um ser, em um ter, um parecer ou em lugar nenhum.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Cruzada inglória

Desde cedo, nessas manhãs ainda frias de setembro, tristes criaturas se encolhem pelas esquinas das cidades agitando bandeiras e empunhando cartazes. Empunham essas bandeiras sem muita convicção, agitando-as mais para não sentir frio que propriamente pelo apego às idéias que elas passam. Sabem, que ao final do dia, receberão o seu pequeno mas necessário pagamento. Nos cartazes, sorrisos que se transformarão em gargalhadas, se a população os avalizar. É triste ver uma parcela deste povo a serviço de partidos e candidatos que os esquecerão no mesmo instante em que forem eleitos. Afinal, o seu papel já foi cumprido e existe nova data para que eles sejam lembrados, daqui a exatos quatro anos.

domingo, 21 de setembro de 2008

?

Cada um na sua

Há pouco, vi na TV uma grande exposição de barcos, lanchas e iates de luxo. Assisti também, a anúncios de apartamentos e coberturas em bairros nobres da cidade. Automóveis grandes, espaçosos e de alta performance também entram na minha retina, através do vídeo. Acabo de apagar o fogo. Alguém aí sabe o valor nutritivo do macarrão instantâneo?

sábado, 20 de setembro de 2008

Pesadelo?

Era como um imenso supermercado. As pessoas circulavam entre grandes prateleiras. O estranho é que lá se vendiam sentimentos. Ao passar pelos corredores, eu podia ver tudo de perto. Os preços eram os mais variados e havia opções para todos os gostos e bolsos. Em média, todos os produtos eram acessíveis e ao alcance de qualquer pessoa que se dispusesse a pagar por eles, com exceção de alguns itens. Pude perceber que o Amor tinha um custo elevado, o que também acontecia com a Solidariedade. No espaço da Amizade havia algum movimento de clientes, pois o preço estava bom. Na prateleira do Sucesso, com aquele preço nas alturas, quase ninguém. Mas, era na seção das ofertas que estava a multidão. Carrinhos abarrotados e cestas cheias de Desprezo, Ódio, Traição e Falsidade. Afinal, estava tudo por uma ninharia! Confesso que o preço baixo atraiu o meu olhar naquela direção. Recordo de ter colocado a mão no bolso para ver o quanto eu tinha. De repente, me vejo na cama. Acordei cansado, mas estranhamente feliz. Corri para ver a minha carteira e a encontrei ainda com dinheiro. Não gastei quase nada desde ontem. Será que aproveitei aquelas ofertas? Por que esse sorriso insistente no meu rosto?

Ao sabor do vento

Por que os finais de semana me encontram vislumbrando o desengano? Os dias se sucedem, correm, atropelam e não me dão tempo para pensar. Mas, o final de semana... Ah, o final de semana! O que fazer se é aí, exatamente nesse espaço de tempo que os pensamentos se rebelam e vêm à tona? Histórias, estórias, fatos vividos, imaginados, sonhados, tudo! Tenta-se dormir, fugir, sonhar. Mas, no mesmo instante em que as pálpebras se abrem, lá estão eles! Assombrações incansáveis! Mostram-se, exibindo suas formas perturbadoras. Pensamentos estranhos, sonhos longínquos, metas inatingidas, vida ao sabor dos ventos e das marés da inabilidade. Na mente, trilhas sonoras que não motivaram e imagens que desiludiram. Vou dormir agora e ver para onde o vento de amanhã me empurrará. É estranha essa amizade com o vento, amigo sempre presente e poderoso, mas terrivelmente inconstante e sem direção definida. Vou junto.
* Qualquer semelhança com a vida real, terá sido mera coincidência. Ou não...!

terça-feira, 16 de setembro de 2008

O leão de hoje

O de hoje, foi difícil. Lutou, relutou, resistiu, endureceu. Mostrou suas garras afiadas, mas por fim desistiu, capitulou, morreu. Dia pesado, combustível escasso, moedas juntadas. Esperança, dúvidas e dívidas juntas. A submissão ante o senhor dos dinheiros, o olhar de baixo para cima, a vista turva e a cabeça pesada. O céu escuro encobriu os músculos já cansados, noite adentro. A lua me acha arranhado, cansado, mas bem. Está tudo certo! Afinal, não temos mesmo que matar um leão por dia?

Um tijolo a menos no muro...

A viagem psicodélica perdeu boa parte do brilho. O som progressivo, claro, finamente elaborado e hipnótico do Pink Floyd, silenciou de vez no dia de hoje. Sem qualquer aviso, calaram-se os teclados de Richard Wright. No meio do susto, percebemos que os ídolos não são imortais. O rock progressivo, clássico e harmônico, recheado de viagens alucinantes, porcos infláveis e muros, refugiou-se em definitivo no lado escuro da lua.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Sob o olhar da lua

Varrer as folhas da calçada no meio da noite, tocando a vassoura como uma guitarra para um público imaginário oculto entre as folhagens do jardim. Você não vê, mas eles estão lá! Códigos fechados sobre a cama, talvez na ânsia de não se impor mais limites, leis ou normas. Talvez um sonho de, até que seja possível, legislar sentimentos entre os muros da casa. Até quando? Quem não lida bem com decepções não vê graça no que vem depois. Mais uma folha arrancada do calendário, varrida junto entre as bromélias. Logo amanhece e novas folhas cairão do calendário e das árvores, impreterivelmente no chão.

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

O dia em que não encontrei Klaus Meine

12 de setembro de 2008! A 110 quilômetros de distância, na cidade de Ponta Grossa (por que lá?) está se apresentando a banda alemã Scorpions, em seu único show no Sul do Brasil desta feita. Pois bem: noite chuvosa, sem ingresso na mão e com compromissos de Direito Administrativo e Direito Comercial para comparecer. Por que o drama? Afinal, era só dirigir até lá em pista dupla, pagar dois pedágios de ida, dois de volta, curtir o show “Humanity World Tour” na versão eletroacústica e voltar. Mas, ao invés de Always Somewhere, tenho as licitações. No lugar de Wind of Change, as tomadas de preço. Substituindo Send Me An Angel, tenho a letra de câmbio e suprimindo The Zoo, entra em campo a nota promissória. Perfeito para uma noite chuvosa de uma sexta-feira longe do palco do Centro de Eventos de Ponta Grossa. O local é onde se realiza a já tradicional Festa Nacional do Chopp Escuro, a Münchenfest. Então, um brinde à Klaus Meine, Rudolf Schenker, Matthias Jabs, James Kottak e Pawel Maciwoda. Prost!!!

Liberte um livro!

Acontece em várias partes do mundo uma campanha, que tem um sugestivo título: "Liberte um livro!". Trata-se de uma iniciativa de incentivo a leitura, já que um livro é bem mais útil para a sociedade ao estar circulando e sendo lido. A proposta é que cada pessoa que possua um livro já lido, o disponibilize para que outros cidadãos possam usufruir do conteúdo de suas páginas. O livro pode ser entregue para alguém, ou deixado em locais públicos como um banco de praça, um ponto de ônibus ou em algum estabelecimento comercial como uma loja, uma farmácia ou um açougue. O importante, é que ao deixar o livro, o seu doador escreva no mesmo, a seguinte frase: "Esse livro é livre! Leia e liberte-o novamente...!" Trata-se sem dúvidas, de uma idéia fantástica, pois ao dar asas ao livro, estamos permitindo que as boas histórias, a cultura e o conhecimento atinjam a todos, indistintamente. Essa é a missão do livro, entreter e ensinar a todos, independentemente de seu grau de instrução ou poder aquisitivo.

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Diário do reverso

E a história está sendo escrita. A cada novo dia, nova página se desenha. Os personagens são os mesmos. Pessoas e egos balofos se espremem para aparecer mais, enquanto que sentimentos são suprimidos e jogados fora. O novo atropela o passado, dando a ele uma condição descartável. Os valores mudam a cada vinte e quatro horas, ao sabor das teorias e novas metas. As risadas falsas invadem o ambiente, onde quem cala só sente, consente, ouve, desacredita, mente, resente. Mentes e olhos vidrados na tela, na janela tecnológica da modernidade, da antropofagia da história e da memória. Palavras são lançadas ao mundo na tentativa de serem lidas, ouvidas, percebidas. Em troca, silêncio. Livros não lidos alçam vôo da Europa. Livros viajados, vivos, sabidos. Olhos abertos, sentidos despertos, destino desenhado, rumo incerto. O vento soprou, a vista abriu, a ficha quase caiu. O ar condicionado refresca o espírito domado, o olhar desviado, o rumo perdido, o orgulho ferido. Não está entendendo nada? Nem eu... Não se preocupe, afinal, o mundo já não é o mesmo. Pensando bem, nem nós...

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Reminiscências...

O tempo passa impiedoso. E, com ele, leva a todos nós. Trata, retrata, destrata, maltrata e conduz... Para onde? Não sei! Conduz! Seduz, reluz, reduz...a tudo, a nada, a pó. Impiedoso tempo, doces lembranças, duras vivências, amarga demência. O relógio não para, o peito dispara, a vida desmascara. Quanto tempo ainda temos?

domingo, 24 de agosto de 2008

E a chama se apagou...

Dezesseis dias depois, muito suor e um número maior de lágrimas derramadas, terminaram hoje as Olimpíadas de Pequim. Recordes olímpicos e mundiais foram pulverizados, alguns atletas foram transformados em super heróis à custa de músculos, braçadas, saltos e golpes. Os chineses não deixaram nada a desejar nas cerimônias de abertura e encerramento, iluminando os céus de Pequim com toneladas de fogos de artifício e apresentações artísticas de deixar o mundo de boca aberta pela beleza e precisão. Assim, inicia-se nova contagem regressiva para os Jogos Olímpicos de Londres, onde mais uma vez, poderemos ver os atletas expoentes da raça humana duelarem em busca dos novos limites do homem para que assim, se escreva mais uma página na história.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

A chuva

Desde pequeno, eu me admiro com a chuva. Lembro que eu ficava vendo pelos vidros da janela, cada pingo que caía. Na minha mente infantil, eu sempre imaginava personagens e heróis durante um dia de chuva. Na minha fantasia, eu vislumbrava cavaleiros heróicos atravessando planícies debaixo da chuva com seus escudos e espadas reluzentes. Via caravanas de mercadores, abarrotadas de mercadorias, em viagem no meio da tormenta. Me colocava em aventuras na selva, enfrentando perigos, durante uma tempestade tropical. Ao ir para a escola, munido de uma capa de chuva e botas de borracha, eu ia feliz. Nos dias quentes de verão, o banho de chuva era inevitável. Passar correndo nas poças d’água era uma festa! As “peladas” de futebol nas ruas de terra enlameadas da cidade do interior também me marcaram positivamente a infância e a vida. Hoje, nos preocupamos com o aquecimento global, o derretimento das geleiras, a seca, a umidade relativa do ar muito baixa, etc. Vemos também a chuva derrubar encostas, soterrando casas e vidas, devido a ocupações muitas vezes irregulares dos terrenos. Temos notícias de poluição, fumaça, gases na atmosfera e chuvas ácidas. O mundo mudou! Mas, apesar de tudo isso, quando percebo que o céu está escurecendo, ouço os primeiros trovões ao longe e vejo os primeiros pingos de chuva caindo, uma alegria ainda me invade. O cheiro da terra molhada me remete instantaneamente ao passado, tempo em que a felicidade se resumia a ser criança e amigo da chuva.

domingo, 10 de agosto de 2008

Os Jogos Olímpicos

Um segundo, um centímetro, um ponto, uma braçada, uma passada a mais, um golpe, um salto, uma queda, gotas de suor, um sorriso, lágrimas, são fatores significativos para a conquista de um recorde mundial ou para um frustrante fracasso. É com variáveis como essas, que centenas dos melhores atletas do mundo estarão lidando nos próximos dias na terra dos simpáticos pandas gigantes, a China. São os maiores Jogos Olímpicos da história moderna. Representantes de super potências, de nações pobres, de países tropicais, das terras do frio leste europeu, do mundo inteiro, estão correndo, saltando, lutando, jogando, nadando, competindo pela glória de ostentar no peito uma medalha olímpica. Lutam para serem os melhores do planeta em suas modalidades, insuperáveis em suas especialidades. A vontade de vencer, a garra, o esforço, as glórias e até as decepções desses atletas são acompanhados de perto e abençoados pelo espírito olímpico, nesse congraçamento dos povos através do esporte. Um mundo, um sonho!

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

08/08/08

Dia oito de agosto de 2008! A data de hoje foi escolhida pelos chineses para a abertura da 26a edição dos Jogos Olímpicos da era moderna, em Pequim. Para o povo chinês, o número 8 significa prosperidade. Entre muitos significados também atribuídos ao número 8, está o número de direções no espaço (Norte, Sul, Leste, Oeste, Nordeste, Noroeste, Sudeste e Sudoeste). É também o símbolo do infinito. Para os chineses, inventores da bússola, do papel e da pólvora, a data de hoje significa, então, sorte e prosperidade infinitas. Tomemos hoje, uma destas direções em nossas vidas e esperemos que também sejamos brindados com um pouco dessa sorte.

domingo, 3 de agosto de 2008

Silicone ou um clone de si?

O que somos hoje? No que estamos nos transformando? Apenas em corpos “sarados”? Arremedos de seres realmente humanos? Hoje, somos criaturas de cabelos implantados, de pálpebras levantadas, de seios siliconados, de rugas esticadas. Mas, e o interno? Como estamos por dentro? Como anda o íntimo? Quais os valores realmente importantes da vida ainda estamos cultivando? Amizade, solidariedade, honestidade, senso de justiça? Ou somos apenas os brincos, as tatuagens e os piercings? Não deveríamos estar preocupados um pouco mais em ser e não em parecer? Nada contra a beleza física, a plástica e o belo, mas passar por esta vida sem deixar um eco para ser ouvido por quem vem depois, é muito triste.

sábado, 26 de julho de 2008

Ofertas ou ofensas?

Apartamento ensolarado, com suítes, garagens, área verde, bem localizado! Carro com direção hidráulica, air bags, estofamento em couro, ar condicionado, rodas de liga leve! Notebook extrafino, com acesso sem fio à Internet, tela extragrande, etc, etc, etc...
Em um país onde a grande maioria da população ainda trabalha durante o dia para comer à noite, anúncios como estes não soam até como zombaria? Zombaria de uma classe minoritária, porém poderosa economicamente, expandindo os seus investimentos e projetos ao mesmo tempo em que a imensa maioria luta por algo básico, a sobrevivência. Em um país, onde quem utiliza as vagas oferecidas nas universidades públicas são os filhos dos ricos, que a população morre sem atendimento médico nas filas dos hospitais públicos e onde crianças são abandonadas nas ruas todos os dias por falta de condições dos pais para criá-las, anúncios como estes, são coerentes? Não tenho nada contra os construtores, os comerciantes e nem contra as grandes redes de lojas, mas estes e outros tantos anúncios veiculados na mídia, são as ofertas ou as ofensas do dia, para uma população que ainda passa fome?

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Dia do pai?

Amigo, bravo, cuidadoso, nervoso, carinhoso, esperto, despreparado, cúmplice. Todas essas e muitas outras palavras são qualidades ou defeitos de um pai. Assim era o meu pai. Assim são os nossos pais! Assim sou eu, afinal eu também sou pai! Há muitos dias, já ouço na mídia os comerciais para que os filhos comprem os presentes para os seus pais, afinal vem aí o “dia dos pais”! Temos presentes para todos os gostos e bolsos. Mas, todo o santo dia não deveria ser o “dia do pai”? Assim como toda data no calendário não deveria ser um dia das mães, das crianças, do professor, da avó, do funcionário público e de quem mais merecesse respeito, consideração e amizade? Me entristece supor que em troca de um presente adquirido muitas vezes com o dinheiro do próprio pai, muitas pessoas achem que podem comprar e salvar o segundo domingo do mês de agosto.

segunda-feira, 21 de julho de 2008

domingo, 13 de julho de 2008

Dia Internacional do Rock

Ele é mais do que música, é um sentimento de liberdade, é uma maneira de viver.
É só rock’n roll, mas eu gosto.

sexta-feira, 11 de julho de 2008

A pantomima

Alegrai-vos! Eis que é tempo de pantomima! A partir dos próximos dias, saem da escuridão os salvadores da pátria de plantão. Surgem como por encanto, tentando fazer com que acreditemos nas histórias que serão contadas e encenadas a seguir. Como em um passe de mágica, oferecem as melhorias, a salvação e os milagres. Eles possuem as soluções para tudo. Apresentam propostas salvadoras para a saúde pública, para o ensino, para a segurança, para a pobreza, para uma cidade e um mundo melhores. Qual é realmente o nosso papel nesse processo? Ouvir, acreditar, ter esperanças, legitimar o teatro, ser decepcionado? Novamente? Outra vez? Até quando? Quantos deles realmente estão imbuídos de boas intenções? Um, dois, mais? Eles existem? Pensemos nisso. É isso que nós merecemos?

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Será?

Será que na época em que, além dos pássaros, cruzavam os céus apenas os aviões monomotores e bimotores turboélice, o ser humano era melhor? Será que quando as nossas mensagens mais urgentes eram enviadas pelo telégrafo, havia mais compreensão e honestidade entre as pessoas? Será que quando os nossos automóveis atingiam a incrível velocidade máxima de 100 Km/h, os pais amavam mais aos seus filhos? Será que quando o nosso entretenimento diário vinha através das ondas captadas pelo rádio valvulado, os filhos respeitavam a seus pais? Será que quando a nossa moeda era medida em "réis", um trabalhador ganhava o suficiente para sustentar e dar vida digna a sua família? Será que quando as cartas eram escritas com pena e tinta, as escolas e os hospitais públicos atendiam de maneira decente a quem precisava de seus serviços? Será que quando as pessoas plantavam e colhiam os seus próprios alimentos livres de agrotóxicos, as mesas eram fartas e não haviam pessoas vivendo pelas ruas? Será que um dia nós já vivemos em um mundo mais justo e mais feliz? Se as respostas para todas essas perguntas forem "sim", em que ponto da história nós pusemos tudo isso a perder? Alguém sabe responder?

sábado, 5 de julho de 2008

As mercearias

Eu sei que o mundo evolui e que essa evolução nos traz muitos benefícios e comodidades. Mas, independente disso, eu sinto saudades de algumas coisas que pertenciam a outras épocas e que povoavam a minha infância. É o caso das antigas mercearias, onde se comprava de tudo. Encontrava-se ali, desde o arroz e o feijão, até agulhas, linhas e coisas sofisticadas para a época como os rádios de pilha. Há poucos dias, tive a alegria de encontrar na região de Curitiba, duas dessas mercearias que insistem em resistir ao tempo e ao poderio dos grandes supermercados.
Uma delas continua instalada em uma antiga casa de madeira que é a sua sede, desde sempre. Nas antigas prateleiras, misturam-se garrafas de refrigerante, cerveja, cachaça e de xarope de groselha. Penduradas no teto, várias pipas feitas com papéis coloridos para fazer brilhar os olhos dos meninos que ainda conhecem esse brinquedo e se permitem deixar levar por algo tão simples e mágico. É uma pena que a imensa maioria das crianças de hoje não conhece e nem conhecerá a sensação de liberdade de ver a sua pipa voando a muitos metros de altura, sob o seu comando. Sobre o balcão, o tradicional vidro giratório repleto de balas chama a atenção e atiça as lembranças. Nas prateleiras do fundo, produtos de limpeza, de higiene, como talcos, perfumes e o que se imaginar. Sei que isso não interessa muito às atuais gerações, pois o mundo que elas conhecem hoje é imensamente mais sofisticado e tecnológico, mas para mim foi uma volta ao passado. Foi um retorno a minha infância. Fiquei tão admirado que fotografei cada detalhe da antiga construção e de suas mercadorias. A outra casa de comércio desse tipo que vi, traz o nome de “Mercearia Vencedora”. E, pensando bem, talvez seja mesmo. Digo isso, pois nesse mundo em que as mudanças alteram as nossas vidas em segundos, lá está ela ainda, com suas portas abertas e suas prateleiras abarrotadas de comida, bebida e de uma ingênua volta ao passado.

segunda-feira, 23 de junho de 2008

O frio

Nos últimos dias, já temos experimentado as sensações de frio trazidas antes mesmo do início oficial do inverno. Baixas temperaturas, que embelezam a paisagem com as roupas coloridas dos turistas que procuram pela neve e, ao mesmo tempo, enchem de preocupação os nossos irmãos mais carentes de abrigo e de roupas quentes. O frio traz, sem dúvidas, belas imagens e boas sensações com a lareira acesa e uma boa sopa quente acompanhada de uma taça de vinho. Mas, o frio que preocupa e que está cada vez mais presente, é o frio nos corações das pessoas. Temos assistido brigas de gangues de jovens que se matam sem cerimônia e sem motivos. Discussões no trânsito transformam pacatos cidadãos em criaturas bárbaras, capazes das maiores demonstrações de violência, instantaneamente. O frio do inverno é suportado com agasalhos, banhos quentes e calor humano. Mas, e o frio cada vez mais presente nos sentimentos, reações e atitudes das pessoas? O que fazer para, ao menos amenizar, as demonstrações do intenso e permanente frio glacial dos corações humanos?

sábado, 14 de junho de 2008

Sexta-feira 13!

Ontem, foi sexta-feira 13! Há quem se apavore com essa data e logo pense no azar que ela pode trazer. Ora, quem já tem trânsito caótico todos os dias, políticos corruptos nos governando, falta de dinheiro, de oportunidades, de saúde pública, de transporte coletivo decente, perturbações do chefe, casamentos falidos e coisas assim, por que esperar mais azar nesse dia? Boa sorte para nós! Estamos precisando...

terça-feira, 3 de junho de 2008

Tempestade

A chuva molha o meu rosto e escorre junto com as lágrimas que insistem também em cair. Terra e alma encharcadas. O aguaceiro só não é maior que a tempestade que trago dentro de mim. Por que ainda sobrevivo a você? Por que a água não lava lembranças e não carrega desespero também? Ela só me molha...

sexta-feira, 30 de maio de 2008

Nazareth

A noite não era muito propícia, pois era quinta-feira e na manhã seguinte tinha trabalho. Mesmo assim, a Hellooch estava lotada para receber os escoceses do Nazareth. O público era o mais diverso, com metaleiros, Harleyros, casais quarentões e simpáticos senhores, livres dos ternos usados durante o expediente do dia. A animação era grande. Antes do início do show, passava nos telões sons e imagens dos mais variados, como Status Quo, AC/DC, Kiss, Deep Purple, Led Zeppelin e outros tantos. A cada música, o povo cantava junto, mostrando que sabia todas as letras. Me posicionei no meu lugar oficial, junto à mesa de som. Quando o técnico da banda chegou e se preparava para o show, pedi que ao término ele me fornecesse a folha de papel com o "set list". Pedido atendido, roteiro do espetáculo assegurado, voltei os olhos para o palco. Passava um pouco das 23 horas, quando soou Beggars Day, anunciando o que viria a seguir. Os veteranos Dan McCafferty nos vocais e Pete Agnew no baixo davam o tom, acompanhados pelo filho de Pete, Lee Agnew na bateria e por Jimmy Murrison na guitarra. O som, pesado e eficiente, ecoou por duas horas, agradando a todos.
Ouviu-se, na ordem, as seguintes músicas:
Beggars day
Keep on travellin
Razamanaz
This flight
Day at the beach
My white bicycle
Enough love
Holiday
Whiskey drinkin woman
The gathering
Expect no mercy
H.O.D
Love hurts
Dream on
Morning dew
Love leads to madness
Cento e vinte minutos depois, cheguei a duas conclusões. A primeira é que Curitiba definitivamente está na rota das grandes bandas do rock mundial. A segunda, é que assim como o uísque de seu país, os escoceses do Nazareth são cada vez mais apreciados com o passar dos anos.

sábado, 17 de maio de 2008

Seqüência (a vida é bela)

A vida é assim, o roto fala do esfarrapado e comenta sobre a bala de hortelã, o farol aceso do carro, o sofá rasgado, o quadro novo na parede, as mágoas, as mangas, os mangás, as sensações, o suco azedo de limão, as dores ardidas no coração, o som alto do show de rock, a tentativa de ver, de ser visto, de ser ouvido, de ser esquecido, de nunca ter feito, de nunca ter sido, de nunca ter existido, do professor que tenta, do mestre que fala, dos alunos que não ouvem, dos pupilos que não querem, dos sorrisos metálicos, dos sorrisos forçados, dos risos amarelos, dos sentimentos amarelados, dos pobres, dos coitados, coitos corridos, coitos cortados, coitos varridos, doidos sentidos, sentimentos esquecidos, relacionamentos desfeitos, relações perdidas, elos vividos, elos odiados, elos esquecidos, do texto não escrito, da frase só pensada, do livro não recebido, do livro não lido, do livro relegado, do livro esquecido, da revista, da sacanagem, da engrenagem, da nudez, da rudez, da robustez, da mentira, do engano, do engodo, do entorno, do estorno, do nojo, do respeito, da verdade, da quase mentira, do torpe, do incansável, do asqueroso, do negociante, do trapaceiro, do nojento, do ladrão de sono, do ladrão de chances, do ladrão de alegrias, do ladrão de oportunidades, do ladrão de sonhos, da infância perdida, da juventude esquecida, do choro incontido, do tapa sentido, do rosto molhado, de chuva, de lágrimas, de mágoas, do rosto endurecido, do riso reprimido a tapas, a socos, a pontapés, no porão, no mastro, no convés, não convém, não importa, não interessa, a quem, por que, o que, que coisas, tudo passa, é passageiro, é cobrador, a vida cobra, mostra, bate, impõe, respira, humilha, aborrece, entristece, afugenta, esquece, engasga, embasbaca, entristece, não esquece, a distância, a demência, a ânsia, de vida, de vômito, de rota, de corrida, de fuga, de gente, de multidões, de trânsito, de tráfego, de tráfico, de influências, de incoerências, de gente, de drogas, de amarguras, de securas, de frescuras, de almas, conselhos, novas visões, velhas feições, novas ilusões, papo furado, discurso insano, texto insosso, metas sonhadas, metas traçadas, saídas bloqueadas, esperanças perdidas, sem mais sonhos, sem mais ilusões, sem mais nada, só com lembranças, só com cobranças, só com desesperanças, só com a vida.

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Ópera

Estranha é a melodia desta ópera da vida. Meus ouvidos tentam, mas não ouvem mais nada. Ritmos, timbres e notas soam fracas, pálidas, despercebidas. Coração guardado, mãos ligeiras, pensamento lento, sorriso enferrujado. A vontade de voar rompeu as amarras que me prendiam à você. O rumo é o do horizonte, onde dormem os astros, os anjos e as criaturas recém libertas.

domingo, 11 de maio de 2008

Whitesnake

Eram 23 horas, quando as cortinas se abriram e David Coverdale perguntou: ”Are you ready?” A partir daí, o que se viu e ouviu foi pauleira pura, misturada com três baladas. Durante duas horas, Coverdale e sua banda contagiaram a todos com seu som pesado e eficiente. A banda, composta por músicos de qualidade, foi um espetáculo à parte. É preciso saber de onde o velho Coverdale tira tanta energia, vitalidade e voz nesses 120 minutos de espetáculo. E, que espetáculo! Como é de praxe, ocupei a minha posição junto à mesa de som, onde um técnico inglês da banda e um brasileiro controlavam tudo. O que vimos a seguir foi de tirar o fôlego e deixar os olhos vidrados no palco. Após o show, o técnico de som me deu a folha com a relação das músicas, que servira no palco de guia para a banda. A relação é a seguinte:
- Intro
- Best Years
- Fool for your lovin’
- Bad boys
- Can you hear the wind
- Love ain’t no stranger
- Lay down your love
- Is this love (Snake dance)
- Crying in the rain
- Deeper the love
- Ain’t no love
- Give me all your love
- Here i go again
E o “bis” com:
- Still of the night
- Burn

Sim, o final do show foi com a antológica “Burn” do Deep Purple, entremeada por “Soldier of Fortune” e “Stormbringer”, para que Coverdale relembre os seus velhos tempos no Purple. Foi isso! Já fazia um bom tempo que eu não assistia a um show desse nível. Que o grande Coverdale tenha forças para continuar trilhando esse caminho, o caminho do velho e bom Rock’n Roll.

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Fase

Existe uma época na vida de um homem, em que algumas coisas passam a ter sentido e outras, definitivamente, passam a não ter explicação. A forma de como se chegou até aqui, hoje, agora. A união, a desunião, a alegria da fuga, a paz do vôo alçado, a dor do vôo interrompido e o pânico de estar encarcerado. A maneira de como o tempo passou, de como se criou os filhos e a idéia de como eles serão daqui para a frente. Passam pela mente os amores, as alegrias, as dores, os remorsos e os rancores. Gostos, sabores, aromas, perfumes e dissabores são expostos em telas insistentemente penduradas o mais visível possível na vitrine da mente. Mente? Mentiras, afirmações, dúvidas, incertezas, verdades e acusações. Eis que a hora do balanço chegou. Saldos, salmos, retornos, estornos, saídas e chegadas. Eis que é a vez da partida. O tempo é agora. Eis que a hora é chegada.

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Cartões de visita

Achei muito interessante saber que os funcionários de uma grande empresa mundial de brinquedos, ao invés de se utilizarem de um cartão de visitas tradicional, entregam às pessoas uns bonequinhos com as suas características físicas, trazendo seu nome, telefones e e-mail. Comecei a imaginar se todos se utilizassem de procedimentos semelhantes. Não seria interessante? Os médicos ao se apresentarem, forneceriam uma dica de saúde ou um diagnóstico. Os religiosos ofereceriam além de seu nome, um conforto espiritual. Os professores, ao darem a mão, passariam algum conhecimento. Os psicólogos, assistentes sociais e terapeutas junto com a apresentação, ofereceriam uma boa conversa e compreensão. Cada um ofereceria aquilo que possui de melhor. E nós, pessoas comuns, poderíamos oferecer um olhar sincero, um forte aperto de mãos e, por que não, um abraço?

quinta-feira, 1 de maio de 2008

1º de Maio

Hoje, durante uma viagem de trabalho, observei o que acontecia ao longo da estrada. Vi caminhoneiros viajando com suas cargas. Observei tratores arando a terra para semear uma nova lavoura. Percebi frentistas de postos de gasolina e garçons de churrascaria assumindo os seus postos, a fim de atender aos clientes viajantes. Motoristas de ônibus trazendo e levando centenas de pessoas aos seus destinos. Logo adiante, uma fina chuva começou a cair, molhando a terra, o asfalto e refrescando ainda mais o quase frio entardecer. Sim, hoje foi um dia de trabalho! Hoje é o dia do trabalho! Mas, não é feriado? É, mas como em todos os outros dias, é um dia de trabalhar. A Terra não para de girar, a natureza não deixa de derramar as suas chuvas e nós também não paramos. Felizes de nós por termos um trabalho! Parabéns a todos nós, trabalhadores! Nós ajudamos a mover as engrenagens desse mundo!

quarta-feira, 30 de abril de 2008

Apoio

Quantas vezes na vida, somos pressionados por ações, situações, acontecimentos ou pessoas? Quantas vezes nos sentimos encurralados em nós mesmos e temos a necessidade urgente de sermos ouvidos? Nessas horas, necessitamos de um amparo, seja para encontrar uma direção, uma solução, ou simplesmente um ombro para chorar. As situações adversas geralmente nos pegam de surpresa, não nos dando tempo para pensar em uma saída. Nessas horas, como é bom ouvir uma simples palavra, uma palavra amiga! Basta uma expressão, um gesto de apoio, de amizade, de compreensão. Muitas vezes, até um olhar é suficiente para que ergamos a cabeça e sigamos em frente. Que sempre possamos, também nós, oferecer uma palavra de apoio, uma mão amiga ou um olhar sincero a quem necessitar. Assim, certamente os nossos fardos se tornarão mais leves e esse nosso mundo, um lugar melhor para se viver.

terça-feira, 29 de abril de 2008

O espelho

Quem é o velho que insiste em me encarar no espelho? Feições cansadas, olhar sério e quase sem brilho. Mente perturbada pelos pensamentos, dúvidas e lembranças... Mente para si mesmo. Mas, como eu sei disso? E, por que ele insiste em me imitar?

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Cuidados?

A música invade os ouvidos viajando pelo ar, quase sem pedir licença. As notas são tiradas dos instrumentos com zelo e delicadeza. As cordas são dedilhadas com precisão. O ar vindo dos pulmões impele o sopro musical para o mundo. A batuta do maestro conduz todos os tons e acordes. Os passos andam e dançam animadamente pelo palco. Os pincéis e as tintas percorrem as telas, deslizando suavemente. As aquarelas são penduradas e retiradas da parede com luvas, para permanecerem quase intocadas. Os cristais são utilizados com extremo cuidado. A luz reflete toda a sua pureza através deles, onde o rubro vinho é degustado até a última gota. As páginas do antigo livro são manuseadas com extrema leveza, quase sem serem tocadas. Por que, então, ainda marcamos a pele, a mente e a vida das pessoas com brutalidades, mentiras, arrogância e desprezo? Tudo no mundo não poderia soar como uma imensa e afinada sinfonia? E se o numeroso coral entoasse uma só voz? Desconversas, desculpas, nossas culpas... Idéias confinadas no limbo do esquecimento...

domingo, 27 de abril de 2008

O saldo

Gostei muito da aparência de um envelope que encontrei na caixa de correio. Era o extrato bancário de minha conta corrente. Dentro do vistoso envelope, estavam as informações que eu já imaginava. Envelope bonito, saldo mais do que zerado, sorriso amarelo. Em um canto do extrato, um número de telefone que dizia ser um “apoio a clientes”. Encurralado, peguei o telefone e liguei. Do outro lado da linha, uma solícita voz metálica. Educada, me pergunta o que desejo. Pergunto como seria possível quitar o meu saldo devedor, mas confesso que é complicado. Para minha surpresa, a voz recuperou um tom humano, e disse: “É, amigo, a vida te cobra pelos investimentos errados...!” Agradeci e desliguei. Ao deitar no tapete da sala, contabilizei o imenso rombo aberto nas finanças e nas relações com as pessoas e com a vida...! Incompetência, demência, falta de rumo ou orientação? Acho que estou perdido... Como eu saio daqui? Como pagar por tudo isso?

sábado, 26 de abril de 2008

Não era para sempre?

Antigamente, eu pensava que tudo era interminável, era para sempre. A casa, as relações, os móveis, as amizades, a antiga televisão valvulada, a lealdade e tudo o mais. Com o tempo, o sofá rasgou, a satisfação acabou e a louça se quebrou. A roupa desbotou e a velha televisão queimou. Com a vida, eu também aprendi que, coisas que deveriam ser inteiras, não o são. Convivemos com um meio casamento, meia relação, meia amizade, meio salário e meia alegria de viver. Acabamos acostumando com meio tanque de gasolina no carro, meio pão francês no café e uma meia taça de vinho no jantar. Isso é uma vida pela metade ou é apenas meia felicidade? Que saudades da antiga televisão valvulada que, em suas imagens em preto e branco, me permitia imaginar a vida colorida!