sábado, 5 de julho de 2008

As mercearias

Eu sei que o mundo evolui e que essa evolução nos traz muitos benefícios e comodidades. Mas, independente disso, eu sinto saudades de algumas coisas que pertenciam a outras épocas e que povoavam a minha infância. É o caso das antigas mercearias, onde se comprava de tudo. Encontrava-se ali, desde o arroz e o feijão, até agulhas, linhas e coisas sofisticadas para a época como os rádios de pilha. Há poucos dias, tive a alegria de encontrar na região de Curitiba, duas dessas mercearias que insistem em resistir ao tempo e ao poderio dos grandes supermercados.
Uma delas continua instalada em uma antiga casa de madeira que é a sua sede, desde sempre. Nas antigas prateleiras, misturam-se garrafas de refrigerante, cerveja, cachaça e de xarope de groselha. Penduradas no teto, várias pipas feitas com papéis coloridos para fazer brilhar os olhos dos meninos que ainda conhecem esse brinquedo e se permitem deixar levar por algo tão simples e mágico. É uma pena que a imensa maioria das crianças de hoje não conhece e nem conhecerá a sensação de liberdade de ver a sua pipa voando a muitos metros de altura, sob o seu comando. Sobre o balcão, o tradicional vidro giratório repleto de balas chama a atenção e atiça as lembranças. Nas prateleiras do fundo, produtos de limpeza, de higiene, como talcos, perfumes e o que se imaginar. Sei que isso não interessa muito às atuais gerações, pois o mundo que elas conhecem hoje é imensamente mais sofisticado e tecnológico, mas para mim foi uma volta ao passado. Foi um retorno a minha infância. Fiquei tão admirado que fotografei cada detalhe da antiga construção e de suas mercadorias. A outra casa de comércio desse tipo que vi, traz o nome de “Mercearia Vencedora”. E, pensando bem, talvez seja mesmo. Digo isso, pois nesse mundo em que as mudanças alteram as nossas vidas em segundos, lá está ela ainda, com suas portas abertas e suas prateleiras abarrotadas de comida, bebida e de uma ingênua volta ao passado.
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