domingo, 27 de abril de 2008

O saldo

Gostei muito da aparência de um envelope que encontrei na caixa de correio. Era o extrato bancário de minha conta corrente. Dentro do vistoso envelope, estavam as informações que eu já imaginava. Envelope bonito, saldo mais do que zerado, sorriso amarelo. Em um canto do extrato, um número de telefone que dizia ser um “apoio a clientes”. Encurralado, peguei o telefone e liguei. Do outro lado da linha, uma solícita voz metálica. Educada, me pergunta o que desejo. Pergunto como seria possível quitar o meu saldo devedor, mas confesso que é complicado. Para minha surpresa, a voz recuperou um tom humano, e disse: “É, amigo, a vida te cobra pelos investimentos errados...!” Agradeci e desliguei. Ao deitar no tapete da sala, contabilizei o imenso rombo aberto nas finanças e nas relações com as pessoas e com a vida...! Incompetência, demência, falta de rumo ou orientação? Acho que estou perdido... Como eu saio daqui? Como pagar por tudo isso?
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