quarta-feira, 30 de abril de 2008

Apoio

Quantas vezes na vida, somos pressionados por ações, situações, acontecimentos ou pessoas? Quantas vezes nos sentimos encurralados em nós mesmos e temos a necessidade urgente de sermos ouvidos? Nessas horas, necessitamos de um amparo, seja para encontrar uma direção, uma solução, ou simplesmente um ombro para chorar. As situações adversas geralmente nos pegam de surpresa, não nos dando tempo para pensar em uma saída. Nessas horas, como é bom ouvir uma simples palavra, uma palavra amiga! Basta uma expressão, um gesto de apoio, de amizade, de compreensão. Muitas vezes, até um olhar é suficiente para que ergamos a cabeça e sigamos em frente. Que sempre possamos, também nós, oferecer uma palavra de apoio, uma mão amiga ou um olhar sincero a quem necessitar. Assim, certamente os nossos fardos se tornarão mais leves e esse nosso mundo, um lugar melhor para se viver.

terça-feira, 29 de abril de 2008

O espelho

Quem é o velho que insiste em me encarar no espelho? Feições cansadas, olhar sério e quase sem brilho. Mente perturbada pelos pensamentos, dúvidas e lembranças... Mente para si mesmo. Mas, como eu sei disso? E, por que ele insiste em me imitar?

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Cuidados?

A música invade os ouvidos viajando pelo ar, quase sem pedir licença. As notas são tiradas dos instrumentos com zelo e delicadeza. As cordas são dedilhadas com precisão. O ar vindo dos pulmões impele o sopro musical para o mundo. A batuta do maestro conduz todos os tons e acordes. Os passos andam e dançam animadamente pelo palco. Os pincéis e as tintas percorrem as telas, deslizando suavemente. As aquarelas são penduradas e retiradas da parede com luvas, para permanecerem quase intocadas. Os cristais são utilizados com extremo cuidado. A luz reflete toda a sua pureza através deles, onde o rubro vinho é degustado até a última gota. As páginas do antigo livro são manuseadas com extrema leveza, quase sem serem tocadas. Por que, então, ainda marcamos a pele, a mente e a vida das pessoas com brutalidades, mentiras, arrogância e desprezo? Tudo no mundo não poderia soar como uma imensa e afinada sinfonia? E se o numeroso coral entoasse uma só voz? Desconversas, desculpas, nossas culpas... Idéias confinadas no limbo do esquecimento...

domingo, 27 de abril de 2008

O saldo

Gostei muito da aparência de um envelope que encontrei na caixa de correio. Era o extrato bancário de minha conta corrente. Dentro do vistoso envelope, estavam as informações que eu já imaginava. Envelope bonito, saldo mais do que zerado, sorriso amarelo. Em um canto do extrato, um número de telefone que dizia ser um “apoio a clientes”. Encurralado, peguei o telefone e liguei. Do outro lado da linha, uma solícita voz metálica. Educada, me pergunta o que desejo. Pergunto como seria possível quitar o meu saldo devedor, mas confesso que é complicado. Para minha surpresa, a voz recuperou um tom humano, e disse: “É, amigo, a vida te cobra pelos investimentos errados...!” Agradeci e desliguei. Ao deitar no tapete da sala, contabilizei o imenso rombo aberto nas finanças e nas relações com as pessoas e com a vida...! Incompetência, demência, falta de rumo ou orientação? Acho que estou perdido... Como eu saio daqui? Como pagar por tudo isso?

sábado, 26 de abril de 2008

Não era para sempre?

Antigamente, eu pensava que tudo era interminável, era para sempre. A casa, as relações, os móveis, as amizades, a antiga televisão valvulada, a lealdade e tudo o mais. Com o tempo, o sofá rasgou, a satisfação acabou e a louça se quebrou. A roupa desbotou e a velha televisão queimou. Com a vida, eu também aprendi que, coisas que deveriam ser inteiras, não o são. Convivemos com um meio casamento, meia relação, meia amizade, meio salário e meia alegria de viver. Acabamos acostumando com meio tanque de gasolina no carro, meio pão francês no café e uma meia taça de vinho no jantar. Isso é uma vida pela metade ou é apenas meia felicidade? Que saudades da antiga televisão valvulada que, em suas imagens em preto e branco, me permitia imaginar a vida colorida!

sexta-feira, 25 de abril de 2008

O mundo virtual de cada um

Ouvi isso de um amigo e concordei com ele. Essa é uma verdade inquestionável. Atualmente, com a moderna tecnologia, temos e fazemos coisas fantásticas na Internet. Temos informação, conhecimento, diversão, novos relacionamentos e muito mais. Tudo isso, mostrado na tela do nosso computador. Assim, conhecemos pessoas, iniciamos relacionamentos e percorremos o mundo, apenas com alguns toques no teclado. Desse modo, entramos no chamado mundo virtual. Temos até a possibilidade de criar um personagem e viver uma segunda vida nesse inovador e fantástico mundo virtual. Mas, o que é afinal, esse mundo virtual? Ora, não é um mundo no qual criamos e mantemos coisas que, embora estejam lá, não podemos tocar? Não é um local onde criamos as nossas fantasias, coisas impossíveis na vida real, e as realizamos? Lá, nós somos, fazemos e temos o que quisermos. É uma maravilha, embora não seja real. Trazendo isso para a realidade palpável, não podemos dizer que uma boa porção da raça humana vive em um mundo virtual, mesmo sem nunca ter visto um computador? Quantos sonham com um prato de comida e não tem? Quantos se imaginam morando em uma casa e, quando abrem os olhos vêem apenas um viaduto ou uma caixa de papelão no chão? Quantos necessitam de um atendimento médico e morrem nas portas de um hospital público superlotado? Quantas crianças imaginam ter o amor de um pai e uma mãe, ganhar brinquedos no Natal e possuem apenas a dura realidade do abandono e da vida nas ruas? Todas essas coisas estão lá, a um toque da mão, mas eles não as possuem. Então, todos esses sonhos e anseios destes nossos irmãos, não fazem parte de um mundo virtual? Por que o virtual deles é mais duro que o nosso? Então, realmente, o que é virtual? Enquanto não encontrarmos essa resposta, teremos dois mundos distintos compartilhando o mesmo espaço. Só que, as mensagens eletrônicas são verdadeiramente virtuais, enquanto que a fome, a miséria e o abandono são cruelmente reais.

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Esquinar

Nestas ruas, vielas e becos da existência, saio, tomo chuva, corro muito e chego seco. A cada caso, a cada choro, a cada escárnio, a cada sentimento, a cada acaso, a cada trauma, a cada alento, paro e penso. Nesse esquinar da vida, tomo fôlego, olho em frente, decido o rumo, sigo o vento...

quarta-feira, 23 de abril de 2008

O livro

Contos, crônicas, romances, poesias, biografias e muito, muito mais. Isso é o que os livros nos mostram, nos trazem, nos oferecem. São as páginas dos livros que nos dão asas para voar por espaços imaginários, ir até o horizonte e além. Dentro dos livros, vestimos a capa do herói, empunhamos a espada do cavaleiro ou voamos através do espaço como um cosmonauta. Tudo isso, sem sairmos do chão, ou sequer da poltrona. Que poder e que fascinação tem o livro sobre nós? É algo mágico, misterioso e muito bom! Para cada autor, os seus livros são como filhos que são enviados ao mundo para serem arautos das idéias e pensamentos do pai. Para cada leitor, o livro é uma passagem comprada rumo ao infinito, aos confins da imaginação. Que fascínio ímpar possuem essas folhas de papel unidas e ordenadas, a conduzir os seus escritos! Hoje, dia 23 de abril, comemoramos o Dia Mundial do Livro. Parabéns! Parabéns à todos, condutores e passageiros, que se deixam levar em viagens fantásticas, através das páginas de um livro!
Quem tem nas mãos um livro, mesmo encarcerado, é livre. Então, vamos ler mais?

terça-feira, 22 de abril de 2008

Regras, que regras?

Acho que não é mania de perfeição. Penso que seria o mínimo a ser feito. Por que, um grande número de pessoas insiste em não cumprir as normas, as regras de convivência, por mais simples que elas sejam? Tenho observado quase que diariamente, que as coisas mais banais não são observadas e cumpridas. Exemplos? Nas empresas, onde existem mesas com café e leite coletivos, após se servirem, as pessoas não fecham as garrafas térmicas. Isso faz com que os próximos colegas a se servirem, encontrem as bebidas já frias. Nos banheiros de uso coletivo, constantemente as pessoas ditas civilizadas, não se preocupam em deixar o ambiente limpo para o próximo usuário, que pode ser ele próprio. Quantos vizinhos nós conhecemos, que colocam na rua o seu lixo, mesmo sabendo que aquele não é um dia de coleta? O resultado, na maioria das vezes, é vermos esses dejetos espalhados pelo chão por cães e gatos. Fatos mais graves são também causados pelo descaso dos cidadãos. O que dizer das inúmeras mortes e lesões permanentes em pessoas inocentes, provocadas por acidentes de trânsito? Muitos desses casos são conseqüência das atitudes de alguns indivíduos. São péssimos motoristas que, simplesmente se recusam a obedecer às mais básicas regras de trânsito. Excesso de velocidade, avanço em sinal fechado e invasão de vias preferenciais são alguns exemplos dessa conduta insana. O que está acontecendo com o ser humano? A medida que o mundo evolui, os seus habitantes estão regredindo? As pessoas se acham muito "espertas", a ponto de se sentirem superiores às leis e normas de conduta? Esse é um questionamento que eu faço todos os dias. A nossa vida em sociedade não seria muito melhor se essas noções básicas fossem respeitadas e cumpridas? Com a palavra, a consciência. De quem tem, é claro...!

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Nomofobia?!?

Nomofobia? O que? Agora, não posso! Me liga no celular e conversamos...!

domingo, 20 de abril de 2008

Letras esfarrapadas

Sinal vermelho. Carro parado. No tempo de parar na esquina, vi uma cena interessante. Na calçada, sentado no chão, um mendigo. Roupas esfarrapadas, pés descalços. Uma sacola plástica ao seu lado, provavelmente com todos os seus pertences. Barba e cabelos por cortar a meses. Em suas mãos, um caderno e um lápis. Ele escreve freneticamente. Olhos vidrados nas folhas de papel. Por vezes, esboça um sorriso, logo substituído por um ar de seriedade. Mas, o que ele escreve? Serão as lembranças de outra época da vida? De quando ele tinha casa, família? De filhos deixados para trás? São as descrições de seus sonhos? Uma carta de protesto contra o mundo? Infelizmente, o sinal abriu e tive que arrancar. E ele? Ficaria ali por quanto tempo? Quantas linhas ainda seriam escritas? Quantas páginas preenchidas de lembranças, ilusões e decepções? É pena, mas eu não saberei. Espero que as linhas escritas por ele possam de alguma forma, ser um lenitivo para a sua dura vida nas ruas. Que ricas memórias podem estar escritas ali, naquelas páginas? Ou serão loucuras? Só aquele caderno e aquele lápis, seus parceiros e cúmplices, sabem. Estranha e rica parceria. Ricas e tão sofridas letras...

sexta-feira, 18 de abril de 2008

Lentes

Hoje eu percebi. Já não limpo as lentes dos óculos há tempos. Deve ser na tentativa de ver alguma coisa. Tentativa involuntária de ver algo ao meu redor. Diariamente, acostumamos os olhos a compartilhar as mesmas imagens frias, maquiadas, caricatas, ridículas. Todos vivem personagens que, diariamente se vestem de adultos, responsáveis, que ocupam cargos e posições que nem de longe mostram o que eles realmente são e pensam. Pobres importantes figuras! Será que ao fechar os olhos para dormir, eles consideram o seu papel realmente cumprido? Só as suas mentes e consciências podem responder. Enquanto isso, eu prefiro ver a poeira aumentada pelas lentes dos meus óculos.

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Guinness

Blog menos comentado... É meu!

Bastidores

Quanto tempo de coxia! Quanta vida de bastidores! Enquanto isso, o palco sendo ocupado por atores medíocres, sorridentes, embalados pela imbecilidade. Como eu não pude perceber isso? O tempo passou e a mediocridade está em evidência. Uma evidência sofrível, mas ainda assim, uma evidência! Viva os idiotas de plantão! Me resta o silêncio. Afinal, quem se cala, deve mesmo ficar fechando as cortinas e ouvindo os aplausos que vem do público em direção ao palco. E assim, segue a vida...

quarta-feira, 16 de abril de 2008

Recicláveis

Recicla-se quase tudo hoje em dia. Recicla-se o vidro. Recicla-se o plástico. Recicla-se o metal. Recicla-se o papel. Podemos reciclar o nosso papel no mundo? Reaproveitar a nossa essência? Descartar a nossa demência? Sim? Não! Talvez... É melhor ser pedra que vidraça nas ásperas e longas ruas dessa existência...

terça-feira, 15 de abril de 2008

O protótipo do personagem

O esboço do livro está pronto. Já pensei nos detalhes. Tenho tudo decidido, herói, locais, personagens e argumento. Para o personagem principal, pensei em um tipo quase comum, para não despertar suspeitas. Pensei em alguém que, ao ser visto nas ruas, não pudesse ser identificado como a figura central da trama. Ele poderia ser, por exemplo, filho de um antigo e sábio professor de matemática. Foi com seu pai que ele teria aprendido a calcular tudo, desde estratégias até riscos. Como identidade secreta, poderíamos colocá-lo como o proprietário de uma videolocadora. Desse local, que serve como esconderijo e laboratório, ele sairia para travar as suas lutas. E, da infinidade de filmes que ali existiam, eram tiradas táticas, técnicas, estratégias e planos dos mais ardilosos para o combate ao mal. Até os uniformes usados pelo nosso personagem em suas rondas noturnas, eram tirados dos filmes que o rodeavam todos os dias. Para não levantar suspeitas, o nosso personagem poderia viver em uma pequena e paradisíaca cidade, cercada de águas, tranqüilidade e belas paisagens, de onde ele só sai para o combate aos inimigos do bem. Para fazer companhia a esse paladino, teríamos que colocar alguém jovem e bonita. Pensei em uma jovem loira, com olhos verdes, descendente de alemães, sua parceira nas lutas e companheira de todas as horas. Para a nossa história ter uma trilha musical vibrante, escolhi o som pesado do rock. O nosso herói poderia ser um fã de bandas de heavy metal, indo a shows constantemente e se inspirando nas letras das bandas preferidas. Seria delas que era tirada a energia para o combate ao crime. Aliás, ele poderia também já ter tido a sua própria banda na juventude. Outro ingrediente para tornar a trama interessante e popular, seria colocarmos algumas pitadas de futebol. O personagem poderia ser um torcedor quase fanático do melhor time de futebol do país. Os campos de futebol também serviam para exercitar os sentidos, a garra e também para observar os adversários. Pronto! Personagens, cenários e trilha sonora. Que venham os inimigos do bem e da ordem! O nosso herói está pronto para agir em defesa dos fracos, indefesos e oprimidos. Qualquer semelhança com a vida real, terá sido mera coincidência... Ou não?

Ao amigo Márcio "BOBAS" Brum

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Conclusão

Os trevos são só de três folhas. O telhado tem goteiras, o carro é velho e a sala é tão vazia como a alma. A vida passou e a alegria não compareceu. Culpas, desculpas, dez culpas, retratações, tratos, destratos, recepções, decepções, ocupações, preocupações, trabalho, retrabalho, obediência cega, surda e absurda. Tentar, mas não ser. Ser sem tentar. Forçar e se esforçar para não ter, para não ser. Existir, coexistir, viver, penar, sobreviver, condenar, absolver. Culpa, ter, desculpa, não saber. Pensar, repensar, dispensar, compensar. Compensa? Compensou? Não sei, só sei. Não! Realmente, não sei! Fardo, pesado, calado, pardo. Dor, ardor, temor, rancor, mágoa, ódio, dissabor. Luta, derrota, revanche, outra chance, para que? O chão... Nunca havia notado. Brotam coisas do chão. Deveriam brotar do coração. Sim, talvez, não! Desculpem! Só sei que de nada eu sei. O espetáculo tem que continuar... Até quando? Alguém pode me dizer?

domingo, 13 de abril de 2008

Dia de beijar

Hoje, 13 de abril, é o dia do beijo. A palavra beijo vem do latim, basium. Ao longo da história, o beijo tem sido usado para demonstrar amizade, carinho, amor, paixão e até traição. Novas relações, sensações e sentimentos nascem a partir de um beijo. Temos beijos carinhosos, comportados, atrevidos, íntimos, molhados e até beijos roubados. O beijo aproxima, une, estabelece relações, combinações e pactos. Então...um beijo!

Dá trabalho ser feliz

Temos que ter várias facetas. Ser politicamente corretos, emocionalmente éticos, moralmente retos, gentilmente carinhosos, espontaneamente estéticos, economicamente estáveis e afetuosamente amorosos. Isso dá trabalho! Posso deixar para amanhã? Hoje quero dormir!

sábado, 12 de abril de 2008

Constatações

Coisa de velho. Com a idade, vamos percebendo que as coisas não são, na sua maioria, como havíamos sonhado. A vida, o trabalho, as pessoas que nos cercam. Até os filhos, por vezes não agem como se esperava. Verdade? Pessimismo? Ou é o que mostra a nossa imagem no espelho? Tempo ido. Reflexo sem brilho.

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Especialização x Educação

Não é teoria. É uma constatação diária. Vivemos em um tempo em que a competição no mercado de trabalho exige cada vez mais especialização por parte dos trabalhadores. O problema, é que enquanto as pessoas estão ficando cada vez mais graduadas, na contramão, ficam cada vez menos educadas. São cada vez mais graduações, pós graduações, mestrados e doutorados fortalecendo o conhecimento e enfraquecendo as normas básicas de educação e boas maneiras. Enquanto se ocupam de termos como "bits", "bytes" e "algoritmos", esquecem-se de termos como "bom dia", "por favor", "com licença" e outros tantos que os nossos antepassados, muitos deles analfabetos, utilizavam com sabedoria. É uma constatação triste. Estamos criando uma geração altamente especializada profissionalmente e, ao mesmo tempo, ignorante em civilidade, moral e bons costumes. É mais um sinal dos tempos. Tristes tempos.

Livros

Por onde ele andava, sempre estava com aqueles livros embaixo do braço. Era o símbolo do bom aluno. Acadêmico perfeito. Os professores o admiravam e as garotas queriam sair com ele. Além de não ser feio, passava a imagem de intelectual. Saía com quase todas elas e se mostrava senhor da situação. Estranhamente, ninguém o havia visto com os livros abertos, nunca. Também, quem precisa ler? É só saber o que falar e fazer. Páginas em branco...!

quarta-feira, 9 de abril de 2008

A pizza

Reunião de amigos à noite. Conversa animada, cerveja à vontade. De repente, bate a fome. Uma pizza em casa é uma grande idéia! Lista telefônica aberta, dezenas de anúncios de pizzarias. “Que droga! Só encontro essas tais Pizzas Delivery... nenhuma entrega em domicílio! Sacanagem!”

terça-feira, 8 de abril de 2008

Porre

Noite chuvosa. Água caindo a cântaros. Na delegacia, o plantonista da carceragem com as celas e o saco cheios. Mais uma ocorrência. Um bêbado, preso por arruaça na via pública. Ao ouvir a queixa, sem erguer os olhos, diz: “deixa ele na chuva, até passar o porre”. E, assim foi feito. Pronto! Um bêbado e um B.O. a menos... Noite interminável...!

sábado, 5 de abril de 2008

O final

A vida passou e não percebemos? As pessoas, amigos e amores sumiram? O que se dava importância não valia nada? O que fazer agora? Para onde ir? Assim que as lágrimas pararem, talvez eu possa ver...

quinta-feira, 3 de abril de 2008

As letras d'água

Achei muito interessantes as imagens que vi hoje, na Internet. Nesses tempos de pré Olimpíadas, todos os olhos do mundo se voltam para a China. Reportagens mostram as peculiaridades e os costumes de seu povo. O que me chamou a atenção, foi um senhor, já de idade avançada, escrevendo poemas no chão de cimento de Pequim, com um pincel de água. Provavelmente deve ser uma forma de ganhar algum dinheiro com os habitantes da cidade e com os turistas. Com arte, o velho escritor escreve a sua poesia no chão. Mas, o seu texto não dura mais que alguns minutos. Quando ele está terminando os últimos versos, os primeiros já estão desaparecendo com o sol que, aos poucos, vai evaporando as letras d’água. Isso se parece com as frases escritas na areia da beira do mar. Logo que vem a primeira onda, leva as palavras embora. O que significa essa atividade para aquele velho homem chinês? Passatempo? Forma de ganhar a vida? Prazer? Provavelmente, eu nunca saberei. Só sei que, assim como as suas letras escritas com água, ele desaparece todas as noites nas ruas de Pequim. Mas, a cada manhã, lá está ele novamente. Afinal, a vida segue e a sua arte, mesmo que passageira, não pode morrer.

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Fora de moda

Vivemos hoje em um mundo moderno e evoluído. Cada vez o tempo passa mais rápido e a cada dia os nossos conhecimentos são maiores. Muito se investe em informação e tecnologia. Existem porém, algumas profissões que estão, aos poucos, desaparecendo. Podemos citar os alfaiates e os sapateiros. Lá se vai ao longe, a época em que nossos pais, avôs e bisavôs mandavam fazer os seus ternos sob medida naquele alfaiate conhecido de longa data. As medidas do cliente eram tomadas com a fita métrica e o tecido era riscado e cortado cuidadosamente, em um trabalho artesanal. Alguns dias e poucos ajustes depois, estava pronto o terno do casamento, da formatura ou de qualquer outra ocasião especial. Para acompanhar a roupa nova, calçava-se aquele sapato feito do mais puro couro, cortado e costurado a mão. Muitos desses profissionais passavam à seus filhos essas técnicas, perpetuando a arte por sucessivas gerações. Hoje, com as modernas indústrias, esses profissionais que eram verdadeiros artistas, estão aos poucos, sumindo das nossas vistas. Sei que as grandes indústrias de calçados e confecções, principalmente do oriente, baratearam em muito os preços de seus produtos, tornando-os assim, populares. Mas, não existe nada como vestir algo exclusivo, uma peça única, feita sob medida para nós. Algo que era cortado e costurado de acordo com as medidas exatas de cada cliente. Essas são mais algumas perdas desse nosso mundo tão moderno, evoluído e globalizado. Bons tempos aqueles! É uma pena, mas estes, não voltam mais.

A ficha

“Finalmente me caiu a ficha! O problema, é que eu não encontro mais a desgraçada...!”

terça-feira, 1 de abril de 2008

1° de Abril...!

Na minha época de infância e adolescência, o dia 1° de abril, dia da mentira, era um terror. Nós tínhamos que ficar atentos para não cairmos em nenhuma “pegadinha”, durante o dia inteiro. Era assim no colégio, na casa dos parentes e na rua. Sempre havia um gaiato para passar um trote ou te expor ao ridículo nesse dia. Hoje cedo, ao sair de casa com meus filhos, pensei em avisá-los para ficarem atentos para qualquer história mirabolante que pudesse ser contada durante o dia, pois certamente seria um trote de 1° de abril. Na correria da manhã, esqueci de lhes dar esse conselho. Lá pelas nove horas, lembrei disso e enviei uma mensagem de texto a cada um, pelo celular. No começo da tarde, liguei para a minha filha e perguntei se ela ainda não havia sido vítima de nenhuma brincadeira na faculdade. A sua resposta foi: “Não aconteceu nada, pai. Acho que isso é coisa da tua época!” Desliguei o telefone e me pus a pensar. Ou eu realmente estou vivendo em uma época muito diferente da minha, ou não se faz nem 1° de abril como antigamente. E, o pior, isso não é mentira!

Abordagem

"Nunca aborde o seu chefe no banheiro. Ele pode gostar de puxa-saco..."

O sistema

Acabo de chegar do supermercado, onde fui comprar uma pizza destas prontas para ir ao forno. Passei tanto tempo na fila do caixa, que nesse período poderia ter montado, colocado para assar e quase ter comido a tal pizza. Eu e um bom número de pessoas recebemos a informação que tudo estava parado, pois o “sistema” havia caído. Afinal, quem ou o que é este personagem que constantemente controla nossas vidas? Não é sempre, mas o tal “sistema” tem o poder de nos impedir de retirar o nosso dinheiro dos bancos, de pagar as compras feitas, quitar prestações, reservar passagens aéreas ou terrestres, etc. É inegável que o moderno mundo da informatização de quase todas as atividades humanas nos trouxe incontáveis benefícios e facilidades. Hoje, paga-se quase tudo com cartões, não existindo a necessidade de carregar dinheiro no bolso. Os estoques de mercadorias são controlados automaticamente nas empresas no mesmo instante em que o consumidor faz a sua compra, facilitando assim a reposição dos itens faltantes. Pela Internet, se compra de tudo; desde alfinetes até aviões com o simples envio do número de nosso cartão de crédito. Mas, todas estas e outras atividades necessariamente dependem dele: o famigerado “sistema”! É lógico que cada empresa, estabelecimento ou banco utiliza os seus equipamentos e softwares específicos, mas como a resposta dada invariavelmente pelos atendentes é sempre a mesma, culpando o nosso vilão “sistema” pelos desconfortos, atrasos e aborrecimentos, esta palavra está cada vez mais martelando a cabeça de todos nós, consumidores modernos. Confesso que sou um admirador e usuário de tecnologia, e que nossa vida é extremamente facilitada por ela. Mas hoje, na fila do caixa e com a pizza na mão, senti saudades do armazém da esquina dos meus tempos de infância. Sempre pronto para entrar em ação, o lápis trazido atrás da orelha pelo dono da bodega nunca nos deixou na mão. A conta era fechada e paga ali, na hora, em cima do balcão. Às vezes o sistema dele caía, mas era só fazer uma nova ponta no grafite e já estava apto novamente. E, além disso, ainda se levava uma bala de hortelã de brinde...!