sábado, 22 de março de 2008

Sexta-feira Santa

A história é a mesma, contada há quase dois mil anos. O sofrimento de Jesus Cristo em sua caminhada ao Calvário e sua morte. Este, para mim, sempre foi um dia de recolhimento e reflexão. Recordo que, na minha infância no Rio Grande do Sul, o respeito a essa data sempre foi algo muito significativo. A programação das rádios era diferente. Durante todo o dia, ouviam-se músicas orquestradas, de um tom de calma e introspecção, na rádio Guaíba AM de Porto Alegre. Recordo que quase não havia a interferência dos locutores no ar. Nessa data, não havia a vinculação de comerciais ou algo parecido. Era costume um recolhimento quase que total. Os homens não cortavam sequer a barba e as atividades domésticas das mulheres, se limitava ao almoço com pratos feitos a base de peixe. E assim era o nosso almoço, com peixe e vinho. Era hábito de meu pai, assim como grande parte da população gaúcha, sair conosco para colher a “marcela”, erva de chá nativa no Rio Grande do Sul. Fazíamos a colheita na praia da Barrinha, às margens da Lagoa dos Patos, em minha cidade natal, São Lourenço do Sul. Íamos à igreja e ouvíamos atentos aos relatos bíblicos da paixão de Cristo. Tenho saudades desta época. Além de meu pai já não estar mais conosco, e já não estarmos morando todos tão próximos, sinto que a grande maioria das pessoas já não tem mais o mesmo sentimento em relação a essa data. Ainda hoje, considero esse, um dia de recolhimento, reflexão e muito respeito. Tenho muito vivas na memória essas lembranças e agradeço muito por isso. A cada ano que passa embora o tempo, as pessoas e o mundo sejam outros, tenho essas reflexões nessa data guardadas dentro de mim, junto aos meus sentimentos mais caros.
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