terça-feira, 1 de abril de 2008

O sistema

Acabo de chegar do supermercado, onde fui comprar uma pizza destas prontas para ir ao forno. Passei tanto tempo na fila do caixa, que nesse período poderia ter montado, colocado para assar e quase ter comido a tal pizza. Eu e um bom número de pessoas recebemos a informação que tudo estava parado, pois o “sistema” havia caído. Afinal, quem ou o que é este personagem que constantemente controla nossas vidas? Não é sempre, mas o tal “sistema” tem o poder de nos impedir de retirar o nosso dinheiro dos bancos, de pagar as compras feitas, quitar prestações, reservar passagens aéreas ou terrestres, etc. É inegável que o moderno mundo da informatização de quase todas as atividades humanas nos trouxe incontáveis benefícios e facilidades. Hoje, paga-se quase tudo com cartões, não existindo a necessidade de carregar dinheiro no bolso. Os estoques de mercadorias são controlados automaticamente nas empresas no mesmo instante em que o consumidor faz a sua compra, facilitando assim a reposição dos itens faltantes. Pela Internet, se compra de tudo; desde alfinetes até aviões com o simples envio do número de nosso cartão de crédito. Mas, todas estas e outras atividades necessariamente dependem dele: o famigerado “sistema”! É lógico que cada empresa, estabelecimento ou banco utiliza os seus equipamentos e softwares específicos, mas como a resposta dada invariavelmente pelos atendentes é sempre a mesma, culpando o nosso vilão “sistema” pelos desconfortos, atrasos e aborrecimentos, esta palavra está cada vez mais martelando a cabeça de todos nós, consumidores modernos. Confesso que sou um admirador e usuário de tecnologia, e que nossa vida é extremamente facilitada por ela. Mas hoje, na fila do caixa e com a pizza na mão, senti saudades do armazém da esquina dos meus tempos de infância. Sempre pronto para entrar em ação, o lápis trazido atrás da orelha pelo dono da bodega nunca nos deixou na mão. A conta era fechada e paga ali, na hora, em cima do balcão. Às vezes o sistema dele caía, mas era só fazer uma nova ponta no grafite e já estava apto novamente. E, além disso, ainda se levava uma bala de hortelã de brinde...!
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