domingo, 4 de janeiro de 2009

Salgada lágrima

Por que a tua lágrima cai? Não deverias estar sorrindo? Com o tempo, aprendemos que coisas como distância, tristeza e saudade são doloridas, mas passageiras. Passageiras com assento reservado ao nosso lado nesta vida de tantas idas e vindas. Por que viemos? Para onde vamos? Por que insistimos? Por que ainda tentamos? Será que um dia, desistimos? Por que nós nunca desanimamos? O dia é escuro e na noite as estrelas orientam, mas os passos são a esmo, sem rumo, sem esperança, cheios de descrença. A dor arde, o cão morde e o tempo da vida já se faz tarde. Mas, não é na tarde que eu te vejo? Se é que eu te vejo, por que choras? Alegria, esperança, desespero? O que sentes ao me ver? Se não sabes, por que não deixas o leito e esperas o dia amanhecer? Já não sei o que penso, não sei o que dizer. Só sei que não gosto que chores. Peço, suplico, imploro. Que ao estar junto de mim, demores. E, que esqueças lá fora, remorsos, mágoas e temores. Insisto ainda, que sorrias, que não chores; com desesperanças e temores, já tivemos dias piores. Afinal, quase no final, por que choras? Além da vida quase inteira perdida, não há nada mais a lamentar. E, de indomável e salgada, basta toda a água do mar.
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