sábado, 3 de janeiro de 2009

Exame de inconsciência

O que é isso? É a noite que não passa, o sono que não vem e o vento que não acalma. São os pensamentos que não me deixam, as mágoas que não me largam e as lágrimas que não param. São os gritos que não se abafam, os risos que não cessam e as dores que não aliviam. As flores que já se abrem, os filhos que já criam asas e os olhos que já se fecham. É o berro declarado, o afago apagado e o carinho disfarçado. É o choro contido, o sentimento de dever quase cumprido e o arrependimento desmedido. É a avó que ama, é a mãe que abandona, é a madrasta que chora. É a vida que passa, a morte que se achega e a história que se apaga. Por que dói tanto a minha inconsciência? Por que não abri os olhos enquanto na vida ainda era dia? Por que a tristeza é viva, a realidade é dura e tão boba a fantasia? Prefiro a tudo responder que não, escolher esconder o sim e se precisar, me desculpar com um talvez. É cada vez mais claro que quem os joelhos não dobra, o sorriso não abre e as pálpebras não cerra, nada pode esperar de brinde, de presente, de bônus, nem da vida e nem na morte. Aliás, é entregue à própria sorte. É dura a vida, é quase limpa a consciência e visivel o estado de demência. Será que alguém me mostra qual porta abrir, que disfarce vestir e qual rota de fuga seguir?
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