segunda-feira, 14 de junho de 2010

Brasil Futebol Clube...

Sei que muitos não irão concordar comigo! Mas, vamos lá... Acho que a liberdade e a democracia permitem emitir opiniões. De quatro em quatro anos, por alguns períodos de noventa minutos, o nosso país modifica os seus hábitos. Os motoristas deixam de ser truculentos no trânsito, uma vez que param os seus carros. Os ladrões param de roubar, uma vez que desviam sua atenção para outra coisa. Os políticos deixam a esperteza um pouco de lado e tentam agir inocentemente como os seus eleitores, que esquecem a miséria e pulam, gritam e riem mais que o normal. Nesses períodos de tempo, os ânimos se acalmam, as tensões diminuem, os ódios amenizam e as diferenças são adiadas, pelo menos até o apito final do árbitro. Estes períodos, são as partidas disputadas pela nossa seleção nacional de futebol. As ruas, as casas, os carros e os escritórios são inteiramente enfeitados em verde e amarelo. Quando é marcado um gol pelo nosso “selecionado canarinho”, desconhecidos se abraçam, riem, gritam e comemoram, como se fossem íntimos. Se o resultado da partida é uma vitória, por algumas horas a alegria é geral e, de norte a sul, se espalha por casas, ruas e praças. Se for uma derrota, as lágrimas e o desapontamento dão o tom ao ambiente, demonstrados em abraços emocionados e melancólicos em alguém que você nunca viu. Mas, assim que o resultado é assimilado, as coisas voltam ao normal. O sentimento de união, de amizade entre estranhos e o patriotismo anteriormente mostrados, desaparecem. Então, a guerra desenfreada e a disputa insana recomeça. Torcedor xinga e abalroa torcedor no trânsito, ladrões voltam a arrombar casas de parceiros de comemoração, políticos retornam suas atenções para a mais nova maneira de levar vantagem e o povo retoma a rotina de muito trabalho, pouco dinheiro e contas atrasadas. É a “pátria de chuteiras” que, por algumas horas a cada quatro anos, une verdadeiramente um povo completamente alienado e desunido.
O pior, é que não conseguimos desgrudar os olhos da televisão. Ao hexa, Brasil!



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