sexta-feira, 1 de maio de 2009

Enquanto isso, no consultório...

- Quais são os sintomas?
- Doutor, eu é que vou perguntar ao senhor...
- Até quando devemos ir levando tudo de arrasto na vida?
- Como assim?
- Até quando devemos deixar a vida nos levar de arrasto, como se fôssemos um tronco seco de madeira na corredeira? Até quando uma única criatura deve, pode ou consegue resistir às pressões de ser pai, mãe, profissional, patrão, empregado, namorado, estudante, paciente, motorista, amigo, inimigo e mais outro número igual de coisas das quais eu não lembro agora?
- E o que você sente?
- As pernas travam, os braços se enrolam, o coração dispara, a mente bloqueia e vem a vontade de parar, de não sair do lugar...
- Aliás, foi o que fiz ontem, travei...
- Hummm...
- Continue...
- Os filhos crescem, as preocupações aumentam, o bolso fica vazio, a namorada reclama de ausência, de falta de diálogo, de atitudes, de vontade, o professor exige trabalhos manuscritos, são impostos prazos, condições, o cachorro quer comer bolacha e eu não sei se devo dar, o telefone não para de tocar com alguém oferecendo um novo cartão de crédito, cobrando a prestação que ainda não foi paga e a empresa onde você trabalha por três décadas fala em demissão exatamente pelo fato de você estar lá há tanto tempo...
- Por onde começar a tentar resolver, doutor?
- Hummm...
- Isso é normal, doutor?
- Me diga... Isso acontece sempre?
- Bem, nos últimos tempos, apenas quando acordo e abro os olhos pela manhã...
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