segunda-feira, 26 de março de 2012

Roger Waters – The Wall


Incrível? Sim. Megalomaníaco? Sem dúvidas. Grandioso? Também! Faltam adjetivos para descrever o show The Wall do ex líder do Pink Floyd, Roger Waters, na noite de ontem, 25 de março, no estádio Beira Rio, em Porto Alegre.

“Roger Waters e sua banda apresentaram o The Wall definitivo, em um espetáculo que extrapola qualquer definição de show de rock tradicional. Às 20h40min, fogos de artifício abriram caminho para os músicos assumirem o palco de 137 metros, tomado pelo muro de blocos brancos que se estendeu de um lado ao outro do Beira-Rio. O estádio lotado foi à loucura com as primeiras notas de In The Flesh?. O riff marcante foi entoado pelo público, que a partir de então, não teve refresco, nem para os ouvidos, nem para os olhos.

A surpresa não é o repertório, que segue praticamente à risca o disco de 1979, mas os efeitos sonoros quadrifônicos, vindos de todo lado, e o visual das projeções de altíssima definição, que tomam conta do muro ao longo de todo espetáculo e reproduzem algumas das animações mais marcantes de The Wall – O Filme, atualizadas por menções a guerras e tragédias recentes. A sequência inicial de clássicos, que passa por In The Flesh?, The Thin Ice, Another Brick in the Wall, Partes 1 e 2, e chega em Mother, é pontuada por acontecimentos: um avião que desce de um refletor e destrói parte do muro, bonecos representando o professor e a mãe opressora, e o discurso the Waters – que declara ver The Wall, concebido como um disco pessoal, como um retrato atual de um mundo que segue em guerra.

Ao fim the Another Brick in The Wall Part 2, cujo coro foi entoado por 15 garotos e garotas atendidas pela ONG Canta Brasil, Waters dedicou o show ao brasileiro Jean Charles de Menezes, morto pela polícia londrina, e cujos pais, Matozinhos Silva e Maria Menezes, estavam no Beira-Rio. O muro vai sendo erguido ao longo da primeira metade do show. Quanto mais avança a construção, mais as projeções em alta definição têm espaço para ocupar. De todo lado, ouvem-se comentários de espanto. Ao fim do primeiro bloco, com Good Bye Cruel World, o muro é uma barreira que separa completamente público e banda, tomada pela projeção de mortos de guerra em fotos enviadas por suas famílias.

O segundo bloco começa com Hey You. Na terceira música, um pedaço do muro se abre revelando Waters, que canta Nobody Home sentado dentro de um módulo que reproduz um quarto mobiliado. As referências à guerra seguem em Vera, em que são projetados vídeos de crianças reencontrando seus pais que voltaram da guerra – Waters, cujo pai morreu em combate na II Guerra, não teve essa sorte.

O desfecho do show – como o restante – fica marcado por imagens. Uma das canções mais conhecidas do disco, Comfortably Numb é cantada por Waters, acompanhado por dois músicos de sua banda que aparecem no alto do muro. De repente, estão todos no nível do palco, em primeiro plano, trajados com o uniforme do partido neonazista de The Wall – O Filme. A circense The Trial anuncia que o espetáculo está chegando ao fim, com a banda conclamando o público a gritar junto: "Derrubem o muro, derrubem o muro!".

No que pode ser considerado o ápice de um espetáculo marcado por muitos pontos altos, o muro vem abaixo. É o fim de um show difícil de superar. Outside The Wall, tocada com acordeom e trompete, encerra o evento.”

Indescritível é o termo mais correto para definir o que se passa ante nossos olhos ao assistir The Wall Live.

* O texto entre aspas é do Segundo Caderno de Zero Hora, edição de hoje, 26/03/2012.
    Foto: Lauro Alves / Agencia RBS

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