domingo, 11 de outubro de 2009

Reféns no aeroporto


É o que acontece em quase todo feriadão no Brasil. Como um grande número de pessoas decide viajar, tudo se transforma em um caos. Assim como as estradas ficam repletas, o número de acidentes se multiplica, também nos aeroportos se instaura o inferno. Se, aliado a isso, ocorrem problemas meteorológicos em alguma das grandes cidades do centro do Brasil que feche um aeroporto, prepare-se! Foi o que aconteceu na véspera desse feriadão de 12 de outubro. Devido as fortes chuvas no Rio de Janeiro que fecharam por dois dias seguidos o aeroporto do Galeão, instalou-se o caos na aviação brasileira. Meus filhos e eu tínhamos um vôo entre Curitiba e Porto Alegre na sexta-feira, marcado para as vinte horas. Ao todo, havia umas duzentas pessoas na sala de embarque. Éramos nós e mais os passageiros de outra empresa com vôos marcados para Foz do Iguaçu e Florianópolis. No horário do embarque, a empresa solicitou o nosso comparecimento ao balcão. Foi-nos informado que o avião que deveria nos conduzir estava parado em São Paulo, sem tripulação para seguir viagem. Depois, foi dito que devido à paralisação no aeroporto do Rio de Janeiro, todos os vôos da malha aérea brasileira estavam com atraso. A seguir, se viu uma série de medidas tomadas para minimizar a irritação e a indignação de todos os que ali esperavam. A empresa pagou jantar a todos, sorteou lugares conseguidos em outras empresas entre os descontentes e enviou os seus pobres funcionários para ouvir a indignação da multidão indignada e quase enfurecida. Pois bem, depois de idas e vindas, conversas, desculpas, ameaças de processos por parte dos mais exaltados, finalmente chegou o nosso avião... às quatro horas da manhã! Foram oito horas de atraso! Havia crianças e pessoas de idade dormindo nos bancos e no chão do aeroporto, mulheres grávidas se acomodando como podiam e o que mais se possa imaginar. Os mais exaltados perguntavam em voz alta se é esse o país da Copa do Mundo e das Olimpíadas. Muitos já tinham passagens de ônibus compradas de Porto Alegre para o interior do Rio Grande do Sul, outros tinham pessoas a sua espera para oferecer carona e outras situações e compromissos perdidos. Finalmente, às cinco horas da manhã, desembarcamos em Porto Alegre. Passada a indignação, eu reforço o coro dos que perguntam: é esse o país que sediará as duas maiores competições esportivas do mundo? Precisamos rezar para que, durante a Copa do Mundo e as Olimpíadas não chova. E também que não tenha nenhum feriadão nesses dias...

* A foto diz tudo!
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