quarta-feira, 9 de setembro de 2009

09/09/09

Nove de setembro de 2009 ou, nove do nove do zero nove! Eu tenho um especial apreço por datas como a de hoje. Não se trata de superstição ou de qualquer mania. Ocorre, que fatos marcantes aconteceram na minha vida nestas ocasiões. O mais relevante desses fatos, foi a minha vinda para o Paraná. Eu deixei a minha terra natal, São Lourenço do Sul, no Rio Grande do Sul, exatamente no dia 07/07/77 ou, sete de julho de um mil novecentos e setenta e sete. Não é um bom motivo para prestar atenção em datas como a de hoje? Eu acho que é!

Serviço Militar

Bom dia! Acabo de chegar em casa, depois de levar meu filho para se apresentar no quartel do Exército. O local é o 5º B LOG, no bairro Pinheirinho, em Curitiba. Confesso que senti um misto de orgulho e pena dele. Orgulho, pelo fato dele estar se tornando adulto. Pena, quando penso que àquele que , até pouco tempo atrás estava no meu colo, já está lá, em fila, fazendo ordem unida, às 06h30min da manhã. O dia ainda nem amanheceu e a previsão é da continuação da chuva que assolou os estados do Sul, ontem. Será que aqueles meninos já vão tomar um banho de chuva no dia de sua apresentação? Só nos resta ficar torcendo pelos filhos, a espera que eles tenham melhor sorte que a nossa, na vida.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

A semana da Pátria


Ao acordar hoje, no dia da Independência, lembrei da minha infância no Rio Grande do Sul. Naquela época, o Sete de Setembro era algo quase que sagrado. O desfile dos alunos de todos os colégios, fossem públicos ou particulares, era obrigatório. Nossos pais faziam uniformes novos para nós, de gala, especialmente para o desfile cívico. E, embora fôssemos crianças, levávamos a sério! Afinal, pais, mães e toda a população da cidade estavam nas ruas nos observando. Marchávamos, em ritmo quase militar, sem errar o passo.  No colégio onde eu estudava, o “Nossa Senhora Estrela do Mar” ou “colégio das irmãs”, o uniforme era branco. Incluía até um “casquete” na cabeça. Era uma espécie de boina militar, que usávamos com o maior orgulho. Eu, depois de maior, já passei a tocar na banda do colégio, o que era ainda melhor, pois assim éramos mais vistos e, quem sabe até observados com alguma atenção pelas meninas. Percebo que, nos dias de hoje, os desfiles da Semana da Pátria já não tem tanta importância e nem causam qualquer reação de satisfação nas crianças. Geralmente, o desfile é feito por obrigação e de cara feia. É o mundo que está mudando, as crianças já não estão recebendo noções de civismo ou eu é que parei no tempo?   

Como é possível?

Acordar sem amanhecer?
Vencer sem merecer?
Partir sem morrer?
Amar sem conhecer?
Me diga...!
Eu nem conheço você...

sábado, 5 de setembro de 2009

Arquejo...

O resto de ar que existe entre o instante do meu olhar e o momento do teu desprezo, é a esperança que eu ainda respiro...

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Veríssimo e eu...

Como eu acho que todo bom exemplo deve ser seguido, pedi permissão e tirei essa foto ao lado de um dos maiores escritores do Rio Grande do Sul e do Brasil, Luis Fernando Veríssimo. O local foi a porta do Theatro São Pedro em Porto Alegre, na saída do espetáculo "Tangos e tragédias" em janeiro de 2007. Sem dúvidas, ele é um dos grandes nomes da literatura brasileira. E, quem sabe, eu pudesse me inspirar um pouco neste grande autor gaúcho...

Dolorida perfeição...

Todos apreciam e aplaudem a beleza dos passos delicados e a leveza da bailarina. Mas, quase ninguém vê os seus pés machucados nos exaustivos ensaios, dentro das sapatilhas...

O olhar e o beijo...

Tu estavas tão linda! O brilho silencioso do teu olhar me convidou a um abraço. Nossos lábios não tardaram a se tocar...

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Depois...

Escrevo, na esperança de que um dia, saibam o que eu pensava e finalmente me conheçam...

Em suas garras...

Paradoxalmente, ela demonstrava mais o amor, a volúpia e o desejo, a medida que cravava as unhas nas costas dele com mais força. Dolorido, mas intenso prazer...

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Lhasa Apso

Esse aí da foto, é o Bob. Trata-se do nosso cãozinho companheiro e amigo. Alegre, simpático e sempre faminto, até ganhou um texto em sua homenagem...

                                                               Lhasa Apso

                                                               Latidos,
                                                               Abanos de rabo,
                                                               Amizade felpuda...

Foto: Jefferson Dieckmann

Longe...

Aqui, já não estás. Sonho contigo... Por que, apenas aos meus olhos fechados, insistes em te mostrar?

domingo, 30 de agosto de 2009

Comida...

                                                                            
                                                                      Feijão,

                                                                      Livro,

                                                                      Oração...

                                                                      Corpo,

                                                                      Mente,

                                                                      Alma

                                                                      Alimentados...

Foto: Jefferson Dieckmann

sábado, 29 de agosto de 2009

A velha casa...

Algo que sempre me atraiu foram as casas e construções antigas. Fico imaginando as histórias que já se passaram ali. Quantas vidas, quantas mortes, quantos felicidades e quantas tristezas já foram testemunhadas por àquelas paredes. A casa da imagem, fica no contorno Sul de Curitiba e é uma testemunha vazia e solitária do intenso tráfego de veículos que passa por ali, todos os dias.


Foto: Jefferson Dieckmann

Os astros e eu...

Quando criança, eu não entendia como era possível, as vezes, a lua estar no céu em pleno dia. Isso não era admissível! Para mim, dia era dia e tinha que ter apenas sol. E, noite sendo noite, tínhamos que ver apenas o luar no céu. Para tentar solucionar o mistério, me punha a imaginar hipóteses. Cheguei a pensar que a lua, por ser feminina, era gentil e vinha visitar o sol durante o dia. Mas o sol, grosseirão, jamais retribuía as visitas à ela nas noites. Só podia ser isso! Muito tempo depois, eu soube que ela brilha pegando emprestada a luz dele. E que, embora ele não retribua as visitas, como um bom cavalheiro, faz de tudo para mantê-la bela...

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Coisa de alma...

Acho que o poeta, antes de tudo, tem uma alma que precisa falar...

O charme em baixa...

O cadenciado desfile, foi subitamente interrompido com a quebra do salto do seu sapato. Imediatamente, o humor muda e o sorriso desaparece. Como ela poderia continuar vendo o mundo lá de cima, agora?

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Bom dia!!!

Bom dia! Hoje, como o dever me chama cedo, já estou de saída. Mas, deixo um poetrix para começar essa quinta-feira...

Moribundo...


Meu pranto

Não é acaso

Da vida, o ocaso...

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Paraíso...

Esta é uma poesia que está nas páginas de meu livro "Poesia em tempo de guerra", do ano de 2007. Quero compartilhá-la hoje com vocês...

Paraíso...


Governante
Governanta
Diriges
Governas
Comandas
Minha voz
Meus instintos
Meus sentimentos
Minha vida
Até quando?
O que espero?
Por que não fujo?
Em momentos de lucidez
Me insurjo
Me amotino
Me rebelo
Junto forças
Tento
Me esmero
Mas
Fuga armada
Plano traçado
Me vês
Me persegues
Me apanhas
A vista turva
As pernas travam
Eu, no chão
Resignado
Conformado
Volto ao paraíso
Aceito
Me submeto
As tuas mais fortes armas
Teu olhar
Teu amar
Teu sorriso...

domingo, 23 de agosto de 2009

Homenagem

Quero registrar aqui, uma verdadeira homanagem feita a mim, pela escritora gaúcha, minha conterrânea, Patrícia Castro. Em seu blog http://www.literaturaedialogos.blogspot.com/ ela publicou dois poemas de minha autoria. A Patrícia, além de autora é atriz amadora. Eu só tenho a agradecer à Patricia. Muito obrigado e um grande abraço!

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

“Lourenstock”

Quem já gostava de rock’n roll e vivia na região Sul do estado do Rio Grande do Sul na década de 70, pôde conferir esse festival na minha cidade, São Lourenço do Sul. Com o nome inspirado no famoso festival americano de Woodstock, a nossa festa aconteceu na quadra de esportes do Grêmio Esportivo Lourenciano, por acaso ao lado da casa da minha família. Participaram além de bandas da cidade, outras das vizinhas cidades de Pelotas e Camaquã.
Como Woodstock completou 40 anos nos últimos dias, relembrei desse evento que marcou a minha juventude. Confesso que as informações de data, horários e os nomes das bandas, sobrevivem apenas nas mentes de quem esteve lá. Estou procurando levantar esses dados para uma posterior divulgação. Por enquanto, serve como registro para que o mundo saiba que um dia, aconteceu um “Lourenstock”.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Ocupado...

A esposa ligava a cada cinco minutos. Era para lembrar do vencimento da conta do telefone, do colégio dos filhos, de que ele ainda não havia passado no supermercado nem feito o depósito na conta da mãe dela. Ligava novamente, agora para saber a que horas ele chegaria em casa. O filho lhe ligava perguntando se já havia ido buscar o computador na assistência técnica. A filha, ligando para saber se ele havia encontrado àquele condicionador de cabelos que a amiga lhe indicara. A empregada ligava para lembrar que o sabão em pó havia acabado e se ele poderia trazer o pagamento dela no final do dia. Sem pensar muito, levantou de sua mesa no escritório, plantou o celular no vaso de arruda e saiu a passos lentos, falando sozinho...

Me dá um tempo!

Às vezes, paro um tempo para pensar que me falta tempo...

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

LPs - Álbuns em forma de arte

Eu sempre achei que as capas dos antigos LPs eram verdadeiras obras de arte. Na minha memória, ainda vivem algumas das imagens estampadas em capas, contracapas e no interior dos antigos álbuns. O velho álbum branco dos Beatles, foi um marco, assim como a histórica foto do quarteto atravessando a rua na faixa de segurança, em Abbey Road. As imagens dos shows do Deep Purple no Japão, no tradicional Made in Japan marcaram a minha adolescência. Assim como os sobretudos dos músicos do Supertramp na contracapa e as mãos segurando as grades flutuando no espaço em A crime of a Century, os rostos dos músicos do Deep Purple dentro da taça de vinho em Come Taste the Band, nas velas acesas em Burn e no meteoro de Fireball. O aperto de mãos incendiário no Wish You Were Here, o feixe de luz atravessando o prisma em The Dark Side of the Moon, a vaca holandesa de Atom Heart Mother, a orelha de Meddle e o porco voador de Animals, do Pink Floyd. Estas são algumas lembranças de capas de antigos discos que nunca me saíram da cabeça. Era um costume meu ir ao centro da cidade todos os sábados pela manhã e ficar bisbilhotando as lojas de disco, até encontrar àquele ou àqueles que eu levaria para casa naquele final de semana. Ainda hoje, guardo essas preciosidades comigo. Os atuais CDs nos proporcionam apenas “fotos 3x4”, ao contrário das verdadeiras telas em exposição na forma de capas, nas prateleiras das antigas lojas. Sou feliz por ter visitado estas verdadeiras exposições de arte nos sábados da minha juventude.

sábado, 15 de agosto de 2009

Woodstock, 40 anos...

Sexta-feira, 15 de agosto, sábado, 16 de agosto e domingo, 17 de agosto de 1969. Esses eram os três dias em que os jovens da época pretendiam mudar o mundo. Hoje, é comemorado o aniversário de quarenta anos do festival de rock mais famoso de todos os tempos. Em uma fazenda em Bethel, ao norte de Nova York, aconteceu em um chuvoso final de semana, o festival que reuniu quase meio milhão de jovens. Com o movimento hippie e a contracultura no auge, a juventude queria mudar o mundo com flores, drogas, paz e amor. Grandes nomes do rock da época passaram por Woodstock. Eram nomes como Joan Baez, Janis Joplin, Creedence Clearwater Revival, The Who, Jefferson Airplane, Joe Cocker, Ten Years After, Johnny Winter, Crosby, Stills, Nash &Young e Jimi Hendrix, entre outros. Ainda hoje, é possível ouvir o eco das guitarras vindo do palco de Woodstock…

Moda, eu?

Eu havia prometido a mim mesmo que não iria fazer isso! Além de não gostar nem um pouco de fazer lanche nessas cadeias de lanchonetes “fast food” internacionais, também sempre fui contra modismos. Eu me acharia um idiota se um dia me visse naquela fila enorme para pedir um daqueles sanduíches de nome americanizado. Outra coisa que eu nunca dei importância, foi para as roupas e os tênis da moda. Coisas com nomes de “air” ou “shocks”, sempre passaram ao largo. Não é que no dia dos pais, meus filhos me deram de presente um desses “shocks”? Como dizer não para eles? Hoje à tarde, me vejo fazendo uma caminhada pelas ruas, usando o tal tênis. O que estará acontecendo? Essas marcas estão literalmente dominando o mundo ou eu estou mudando?

E agora?

Por trás do monitor e diante de seu teclado, ele era o comandante. Bate papos, alegrias, sorrisos, relacionamentos. Tudo ia bem, até àquele momento. Um calafrio percorreu a espinha e o suor pela testa, escorreu. Ali, ao seu lado, estava ela. Ao vivo e a um toque da mão, lhe perguntando: “quer namorar comigo?”

Então...?

Nunca toquei rock’n roll,
Nunca sorri de verdade,
Nunca corri descalço,
Nunca ri com vontade,
Nunca me contentei
Com a metade...
A guitarra ainda na caixa,
O sorriso enferrujou,
O todo se partiu,
A alegria acabou
Enfim, afinal
Do que preciso?
Qual é o meu destino?
Quem eu sou?

Bipolar...

Feliz

Infeliz

Sempre...

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Troque um príncipe por um sapo!

Em relação ao texto (muito bom) de hoje do blog "Literatura e diálogos" (http://www.literaturaedialogos.blogspot.com/), de minha amiga Patricia Castro, sobre a dificuldade que enfrenta hoje em dia, quem quer ter um relacionamento sério e que seria vantagem para as mulheres trocar um "príncipe" por um "sapo", tenho a dizer o seguinte: como bom sapo que sou, fiquei feliz com essa possibilidade e resolvi postar aqui um texto meu, escrito já há algum tempo. Quando ele foi escrito, percebam que eu já pensava nessas coisas...
Um abraço a todos!


Sapo

Se até o príncipe
Que é rico e encantado
Tem lá os seus dias
Em que acha a vida um saco
Por que eu
Com minha vida de sapo
Não me conformo
E tento ser feliz?

21/02/2007
13h 49min

Poesia e solidão...

Acho que quase todo poeta é, de alguma forma, um solitário. Assim sendo, passa as horas acalentando o seu vazio, entregue aos versos e as rimas. Cada novo verso, marca a passagem de mais uma hora, de mais um dia. Embora me esforce, eu ainda não entendo bem como poesia rima com solidão...

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Beleza pura...

Eu sempre tive receio de me aproximar de mulheres bonitas. Ficava imaginando não saber o que falar e ficar sem graça. Isso, até o teu sorriso se dispor a me ouvir...

Em transe...

Senti um imenso alívio ao fechar os olhos e assim permanecer por alguns minutos. Ou teriam sido horas? As dores passaram, os problemas desapareceram, as mágoas foram esquecidas e tudo ficou em paz... Quando eu já estava acostumando com esse paraíso, volto. Abro os olhos e me vejo diante do teu olhar lindo, a me fitar. Já fiquei em dúvida de onde é melhor estar...

Não mais...

Já não sinto mais
Nem nada
Nem ninguém...
Sentimentos,
Tristezas,
Lamentos...
Já não tenho mais
Nem você,
Nem minha vida
Também...
Já não posso mais
Voltar,
Adiar,
Tentar,
Chorar...
Já não sinto mais
Nem piedade,
Nem saudade...
Nada
Não mais...

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Apagada magia...

Já não falo mais
Penso, as vezes
Sinto, um pouco
Reflito, muito
Imagino, demais
Arrependimento...
Tristeza...
Incerteza...
Apagada magia
Tua imagem já some
Da minha mente
Vida amarga...
Sem prazer,
Como meu pensamento
Moroso,
Como meu sentimento
Escabroso,
Como meu arrependimento
As palavras já faltam
Os versos rareiam
As sílabas se arrastam
Quase tudo acabando
Quase tudo se apagando
Também a poesia...

25/07/2009
20h 05min

quarta-feira, 8 de julho de 2009

O astro menino

Ele levou a vida de uma forma diferente dos outros mortais. Desde pequeno, demonstrou talento diferenciado para a música e para a dança. Fez sucesso nos cinco continentes e conquistou fãs ao redor do mundo. Apesar do tempo passar e torna-lo adulto, recusava-se a envelhecer. Queria, insistentemente, continuar criança. E, fez de tudo para isso. Morou na Terra do Nunca, teve seu zoológico e parque de diversões particulares e se cercou delas, as crianças.
Suas apresentações aglomeravam milhares de pessoas, sempre. A histeria e a alegria de seus súditos sempre foi contagiante. Há poucos dias, recebemos a noticia de sua morte. Ao redor do globo, muitos se sentiram órfãos, viúvas e desamparados. Podemos dizer que a comoção tomou conta do planeta, sem medo de errar. Aquele que lotou estádios e ginásios em vida, o fez também na morte. Milhões de pessoas, de todos os países, disputaram pela Internet, um ingresso para participar, ao vivo, do espetáculo de sua despedida em Los Angeles. Os que foram sorteados, foram ao delírio. Todos os cuidados foram tomados para o controle de acesso ao ginásio, onde se daria o adeus ao ídolo. Não bastava ter o ingresso, mas era necessário ter presa ao pulso, uma pulseira de identificação que credenciava a entrada no local. As ruas em volta, o trânsito e a cidade praticamente pararam. Aquele que reinou absoluto nos palcos em vida, estava ali em frente ao mesmo, dentro de um esquife dourado. A família, músicos, cantores, atores, jogadores de basquete e os seus súditos estavam ali por ele e para ele. Aqueles que não puderam estar presentes, assistiram a tudo em telões espalhados ao redor do mundo. No local, emoção em alta, música no palco e lágrimas nos milhares de olhos mais do que abertos. Clima de tristeza e comoção mundial, por mais incrível que possa parecer. O astro, o ídolo se foi para nunca mais voltar. Mas, não deve ser verdade! Eu, como não o vi depois de morto, ainda acredito que tudo seja mais uma peraltice do astro menino. Quando menos se esperar, ele reaparece. E, com seus passos leves e o sorriso aberto, vai convidar a todos para tentar dançar o moonwalk...

terça-feira, 7 de julho de 2009

Simplicidade

Alegria quase infantil, é a sentida pelo velho agricultor. Já com idade avançada, ainda cuida da terra, de sol a sol. E, termina os dias sorrindo, feliz ao ver o crescimento de seus pés de alface...

sábado, 27 de junho de 2009

Sentidos

Sinto teu toque, teu gosto, teu cheiro... Abro os olhos. Por onde você anda?

Mortal...

Personagem,
Como que desenhado...
Inventado,
Acima,
Além,
Um dia, porém
Assustados,
Percebemos
Ídolo também morre...

O vazio na noite...

Noite de 25 de junho de 2009. Garoa caindo, eu no carro, ainda no trânsito da cidade. De repente, no rádio, ouço a noticia: “Michael Jackson morreu”! O baque e a sensação de perda é instantânea. Soa como se recebêssemos a notícia que aquele amigo, jovem e muito talentoso com a música, a dança e a arte, querido por todos, tivesse nos deixado para sempre e sem aviso. E, pior, com a concreta impossibilidade de voltar ao nosso convívio. Olho para fora e sinto como se tudo tivesse ficado mais triste. As pessoas, as ruas, as calçadas e as luzes perderam um pouco de seu brilho. Na hora, eu não percebi, mas a garoa insistente caindo em pequenas gotas no vidro do carro, já era um indício que a noite também chorava...

Nos ares...

Embevecido, saio sem rumo... Quem mandou você me beijar?

Fria solidão...

A fina chuva chega com a escuridão da noite de inverno. Casa e cama, vazias. A tua ausência esfria também a minha alma...

São João!

Fogueira
Quentão
Bandeirinhas
Quadrilha
Pipoca
Pinhão
Noite fria
Alegria aquecida
Brasas no coração...

Óculos

Por trás daquelas lentes transparentes, ela me observa. E eu fico a pensar, por que ela se esconde assim...

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Os olhos verdes

Quando ela passava, ele a observava, maravilhado. Aqueles olhos verdes! Ele jamais havia visto outros iguais! Mas, os olhares nunca se encontraram. E, todas as noites, ele dormia com a solidão...

terça-feira, 9 de junho de 2009

O estranho mundo em que estamos vivendo

Hoje, depois de muito tempo, fui até o centro da cidade. Uma manhã de sábado, ensolarada e convidativa, me convenceu. Ao mesmo tempo em que passei pelos antigos prédios que me viram chegar a essa cidade há muito tempo, não pude deixar de notar o que se passa nas ruas. As mais diversas e diferentes figuras perambulam pelas calçadas e calçadões. Percebe-se, que hábitos de muitos séculos atrás, estão em voga. A exemplo do que acontecia em antigas e desaparecidas civilizações, nota-se as peles impregnadas de tinta, formando ora desenhos tribais, ora traços modernos, com nomes de pessoas, de amores ou simplesmente desenhos abstratos. O hábito quase pré-histórico, de furar a pele com adornos, voltou. Só não é mais feito com ossos pontiagudos, e sim, com artefatos metálicos. Mas, o princípio da barbárie, é o mesmo. Jovens, em bando, municiados com mochilas e os seus indefectíveis bonés, marcam território e impõe sua alegria ou algazarra por onde passam. O bom, é que alguns pais ainda passeiam com seus filhos pequenos no colo ou em carrinhos. Os pombos ainda sobrevoam as nossas cabeças em busca de pipoca ou algum resto de bolacha que se lhes possa ser oferecido. Artistas de rua fazem o seu show com o corpo inteiramente pintado de prata. Mímicos, vestidos de palhaço, arremedam os passos e os movimentos dos transeuntes, ora divertindo, ora irritando. Ainda se encontram nas vitrines, ternos e roupas caras e que são para o consumo de uns poucos. Já os alto falantes das grandes lojas populares, não deixam nossos ouvidos em paz, com suas ofertas “imperdíveis”. Os ônibus e os automóveis andam em desabalada carreira, fazendo manobras que lembram verdadeiros números de circo, por sua audácia e ousadia. Nos sinais vermelhos, os motoristas são abordados por entregadores de panfletos que, ao mesmo tempo em que estão ganhando o seu suado dinheiro, nos oferecem de tudo. Essas ofertas vão desde conserto de máquinas de lavar até apartamentos de luxo em bairros nobres, que a grande maioria que anda nas ruas, nem sabe onde se situam. Músicos de rua tentam se fazer ouvir, enquanto pintores expõem seus quadros, tentando vender sua arte. Olhando para cima, vejo um avião que, fazendo acrobacias, escreve com fumaça branca no céu, uma sílaba que dá nome a uma nova empresa que está se estabelecendo na cidade. É ou não, um estranho, diversificado, colorido, ruidoso e por vezes bárbaro mundo, esse no qual estamos inseridos? Após ver isto tudo, voltei para casa. Ufa! Prefiro ainda, esse meu pequeno, confortável e seguro mundinho. Pensando bem, o que eu perdi lá fora?

quarta-feira, 13 de maio de 2009

São Lourenço do Sul

Areias claras
Águas mansas
Costa doce
Espíritos da natureza
Vós sois Ondinas
De areias mais grossas
De águas mais rasas
Estão vós, mitológicas Nereidas
Até onde o sol se põe
Onde me escondo
Onde tu me banhas
Lavas a alma minha
Onde lambes o Carahá
És tu, minha Barrinha

terça-feira, 12 de maio de 2009

Lagoa dos Patos

Minha lagoa
Imenso mar doce
Praias pacatas
Brancas areias
Esguios coqueiros
Sentinelas de pedra
a vigiar nosso banho
Mornas águas,
onde navegam lembranças,
onde se afogam as mágoas,
onde as velas se içam,
onde as redes se tramam,
onde salgam as águas,
onde lavo a alma,
onde sou teu filho,
onde vejo famílias,
onde se abrem sorrisos
Estuário da vida
Berço da minha existência...

domingo, 3 de maio de 2009

Mulher de quarenta

Admiração... Não! É mais que admiração. Eu tenho um sentimento muito especial em relação às mulheres de quarenta anos. Diferentemente das meninas, elas possuem o seu brilho próprio, discreto e exuberante. São lindas, charmosas, especiais. As suas marquinhas de expressão mostram o caminho já percorrido e traçam as trilhas para o que ainda irão viver. Vestem-se com indescritível bom gosto e valorizam suas formas com àquele vestido, echarpe, bolsa ou sapato escolhidos a dedo para toda a ocasião. Sabedoras de suas fraquezas, conscientes de seus erros passados e esperançosas em relação ao futuro, são amadurecidas, sem serem amargas. São lindas, apenas exibindo a expressão serena do rosto. Abertas ao amor, mas precavidas. Esperançosas, mas com um pouquinho de receio, nunca confessado. Encaram tudo com o belo sorriso aberto, iluminando quem se põe em seu caminho. Elas são belas, elas são charmosas, elas são sensuais, elas são lindas! Todo o meu carinho, amor e respeito às mulheres de quarenta anos! Eu amo uma mulher de quarenta anos! Ainda bem que você existe!

Cada um no seu quadrado!

Sim, cada um no seu maldito quadrado. Cada um enclausurado em seu quarto. Cada um preso aos seus pensamentos, traumas e mágoas. Um ouvindo música, o outro tentando dormir para não pensar na vida e o terceiro acordado, com os olhos vidrados, pensando exatamente na desgraça em que se transformou também a sua vida! Em raros momentos de lucidez, consegue pensar no que está fazendo com a vida dos outros, também. As músicas vindas do quadrado escuro, são sempre as mesmas. Elas se repetem, invadindo os ouvidos e irritando os cérebros cansados. Por vezes este, o da música, canta. Talvez na tentativa de abafar seus pensamentos. O que dormia, já com os olhos inchados, não consegue mais adormecer. Quem sabe a técnica de contar carneirinhos não poderia ajudar? São três criaturas incrustadas em seu cubículos quadrados! Quadrado é o quarto, transformado em cela solitária. Quadrado é o pensamento. Quadradas são as grades que os prendem às suas próprias mentes. Perdido é também o olhar em direção ao futuro. Perspectivas de um amanhecer melhor? Não! Pois, cada um está só, enclausurado em seu quadrado! Coitados...

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Enquanto isso, no consultório...

- Quais são os sintomas?
- Doutor, eu é que vou perguntar ao senhor...
- Até quando devemos ir levando tudo de arrasto na vida?
- Como assim?
- Até quando devemos deixar a vida nos levar de arrasto, como se fôssemos um tronco seco de madeira na corredeira? Até quando uma única criatura deve, pode ou consegue resistir às pressões de ser pai, mãe, profissional, patrão, empregado, namorado, estudante, paciente, motorista, amigo, inimigo e mais outro número igual de coisas das quais eu não lembro agora?
- E o que você sente?
- As pernas travam, os braços se enrolam, o coração dispara, a mente bloqueia e vem a vontade de parar, de não sair do lugar...
- Aliás, foi o que fiz ontem, travei...
- Hummm...
- Continue...
- Os filhos crescem, as preocupações aumentam, o bolso fica vazio, a namorada reclama de ausência, de falta de diálogo, de atitudes, de vontade, o professor exige trabalhos manuscritos, são impostos prazos, condições, o cachorro quer comer bolacha e eu não sei se devo dar, o telefone não para de tocar com alguém oferecendo um novo cartão de crédito, cobrando a prestação que ainda não foi paga e a empresa onde você trabalha por três décadas fala em demissão exatamente pelo fato de você estar lá há tanto tempo...
- Por onde começar a tentar resolver, doutor?
- Hummm...
- Isso é normal, doutor?
- Me diga... Isso acontece sempre?
- Bem, nos últimos tempos, apenas quando acordo e abro os olhos pela manhã...

terça-feira, 21 de abril de 2009

Os invernos do meu passado

Que saudades dos invernos de décadas atrás! Eram tempos em que o frio era enfrentado com distinção e elegância, em especial no Sul do Brasil, de onde vêm essas minhas recordações. Usavam-se sobretudos, chapéus e as charmosas capas de gabardine nos dias de chuva. A conversa corria animada, enquanto se tomava um delicioso cafezinho no balcão do acolhedor Café Ponto Chic em São Lourenço do Sul ou no tradicional Café Aquário em Pelotas, no Rio Grande do Sul. Os dias começavam a ser aquecidos por uma boa conversa com os amigos, naquelas geladas manhãs de julho. Os mais diversos assuntos eram discutidos nesses momentos. Política, economia, os resultados dos últimos jogos de Grêmio e Internacional e até a temperatura da noite anterior eram amplamente debatidos nas manhãs daquelas saudosas décadas de sessenta e setenta. Àquelas eram épocas em que a civilidade e a amizade eram vividas em despretensiosos bate-papos cotidianos, em um tempo em que até o frio tinha mais graça do que tem hoje.

Sonzeira operária

Quem vê aquela banda detonando em cima do palco, fazendo aquela sonzeira, nem desconfia. Os músicos cabeludos assinam contratos de prestação de serviço e existem horários para jantar, antes dos shows. Os sorrisos são ensaiados para as fotos e os autógrafos nos CD’s são feitos em série. A correria é grande, pois a gravadora quer outro álbum para o final do ano! O som de garagem se transformou em empresa! Já não se faz o bom e velho rock apenas por prazer, como antigamente...! Mesmo assim, basta que as luzes se apaguem e comecem os primeiros acordes, para esquecermos isso e comecemos a fazer parte do espetáculo. Afinal, antes de um estilo musical, o rock é uma filosofia de vida e uma forma única de enxergar esse mundo que nos cerca. É, antes de tudo, pura energia!

Ctrl C / Ctrl V

Sem sombra de dúvidas, uma das maiores invenções da era moderna, é o Ctrl C / Ctrl V! Atualmente, se precisarmos copiar ou substituir um texto, o fazemos praticamente sem esforço, simplesmente utilizando o Ctrl C / Ctrl V. Em um piscar de olhos, lá está o novo texto prontinho, sem a necessidade de reescrevê-lo manualmente. Redações, trabalhos escolares, relatórios científicos, enfim, tudo ficou muito mais fácil de ser feito depois do mágico surgimento do Ctrl C / Ctrl V. Este recurso, realmente veio para facilitar tudo. Eu estive pensando: e se pudéssemos utilizar o Ctrl C / Ctrl V também no dia a dia de nossas vidas? Você está triste? Dê um Ctrl C / Ctrl V e substitua este momento atual por aquele outro, vivido ontem, onde tudo era só alegria. A namorada te deixou? Aplique rapidamente um Ctrl C / Ctrl V e retorne aos momentos de romance e paixão de vocês. O seu gerente está uma fera com você? Ctrl C / Ctrl V nele! E, reviva os momentos em que ele estava até pensando em te dar uma promoção. Aquelas roupas já não servem mais? Regime? Que nada! Puxe da manga um Ctrl C / Ctrl V e volte à antiga forma! Diariamente, nós veríamos comerciais de TV dizendo: Ctrl C / Ctrl V! Não deixe de utilizar o seu! Você verá que a vida não será a mesma depois dele! Experimente! E aí? Não seria legal? Nesse mundo onde a tecnologia avança tão rápido, você duvida que isso possa acontecer? Hã? Com esse barulho, acabei acordando...

Amor de inverno

Vento varrendo ruas geladas
Folhas secas voando sem direção
Camas aquecidas pelo fogo da paixão...

domingo, 19 de abril de 2009

Estiagem

Vegetação seca
Sol a pino
Olhar marejado

Por quê?

Era uma vez, um garoto que permanecia mudo dentro da sala de aula
Todos, professores e colegas, perguntavam por quê
Até que um dia, com esforço, ele falou
Que a gagueira o forçava a ser assim
Ele não sabia por quê
Mas ela sempre estivera com ele
E que apenas sempre fora assim...

Era uma vez, uma menina que nunca ia às festas das amigas
As mães e as próprias amigas, perguntavam por quê
Um dia, após muito chorar, ela falou
Que não tinha dinheiro para comprar vestidos
Ela não sabia por quê
Sua família era pobre
E que, em sua casa sempre fora assim...

Era uma vez, um menino que aparecia com marcas roxas na pele
Todos, mestres e colegas, perguntavam por quê
Em certa manhã, aos prantos, ele falou
Que apanhava de seus pais em casa
Ele não sabia por quê
Mas que todos os dias isso se repetia
E que apenas sempre fora assim...

Por quê?


* Inspirado na canção MMM MMM MMM MMM da banda Crash Test Dummies

O paraíso dos menestréis

E se, ao saírem dessa vida, todos os menestréis fossem para um único lugar? Seriam poetas, cantores, músicos e outros artistas reunidos no mesmo canto do paraíso. Ouvir-se-ia versos, cantos, acordes, estrofes e notas musicais em um único e eterno espetáculo. A eternidade certamente, não seria mais a mesma... Quem teria medo de ir para lá?

Do verde ao inferno

Se o homem pudesse quantificar toda a vida que existe na floresta, jamais provocaria incêndios e queimadas nesse mundo verde. O fogo, avassalador, consome tudo o que vê pela frente. Os animais que conseguem, fogem desesperados. As árvores, plantas menores, ervas, insetos e microorganismos são impiedosamente consumidos pelas chamas. Após o incêndio na floresta, as primeiras gotas de chuva, ao cair, entram em contato com as cinzas ainda quentes no chão e tentam evaporar. Em vão! Elas só conseguem borbulhar, como se fosse lava quente. O que antes era um paraíso verde e rico em vida, transforma-se em um verdadeiro inferno sobre a terra. E a raça humana, ainda se considera um espécime racional e inteligente. O que faria, então, se não o fosse?

sábado, 18 de abril de 2009

Futebol no tapete da sala

Em uma conversa agora a pouco com meu filho, veio a tona algo de nosso passado. Ao fazer uma arrumação em seu quarto, ele encontrou uma bolinha de couro, já velhinha e desgastada. Imediatamente, veio me mostrar e lembrou que era com aquela bolinha que nós dois brincávamos sobre o tapete da sala de casa, quando ele era pequeno. Ele deveria ter uns três ou quatro anos de idade e, nós dois em cantos opostos da sala, ficávamos jogando, ora com os pés, ora com as mãos. O jogo consistia basicamente, em eu arremessar a pelota e ele, tal qual um goleiro, defender. Com muito esforço, ele se atirava, se esticava todo e conseguia defender a maioria de meus “chutes”. Era uma festa! Hoje, muitos anos depois, ao ver a bola, eu disse: “pôxa, como está velhinha!”No mesmo instante, ele sem pestanejar, me respondeu: “é por que ela tem toda uma história, pai!” Preciso dizer mais alguma coisa?

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Além do horizonte...

Amantes distantes...
Estrada infinita!
Sentimento desbotado...

Sábia sabiá

Sábia é a sabiá
Que fica no ninho
Até o filhote voar
Atenta mãe sabiá
Sabe ela
Que um belo dia
Alçar vôo
O filho sabiá saberá...

quarta-feira, 15 de abril de 2009

domingo, 12 de abril de 2009

Pegadas de coelho

Domingo de Páscoa! Embora com os filhos crescidos e já na faculdade, fiz hoje pegadas de coelho com farinha e carinho pelo chão da cozinha e deixei os ovos de chocolate cuidadosamente escondidos. Por um instante os vi pequenos, pulando de alegria, carinha de sono, a procura de suas cestas com os ovos. Um dia, em uma outra época, tomara que meus netos possam viver também essa singela fantasia. Feliz Páscoa!

sábado, 11 de abril de 2009

Alucinatório

Ambiente escuro, latejante. Palco aceso e em ignição, som nas alturas, estourando os tímpanos. Milhares de mãos erguidas em sinal de uma aguda e precisa sintonia. O pulsar do baixo, a voz esganiçada da guitarra, o ritmo rápido e forte da bateria e as cordas vocais exigidas ao máximo. É só rock’n roll, mas eu gosto!

A Idade Média da minha vida

A minha pré-história fora feliz. Juventude, sorrisos e alegria. Na idade média da minha existência, você surgiu. Época de metal forjado, pontiagudo, letal. Período de trevas, fogueiras, perseguição. Com o tempo, o pouco amor sumiu, dando lugar à indiferença e a frieza das espadas, lanças e palavras. Hoje, novos tempos, muralhas derrubadas, galopar e cabelos ao vento. Só preciso recordar como se pronuncia e se sente felicidade.

A lágrima e a rosa vermelha

Sempre me disseram que as rosas vermelhas simbolizavam o amor e a paixão. Eu jamais acreditei nisso. Hoje, a minha verdade se confirmou. Você não está mais aqui e as rosas estão no chão, pisoteadas e regadas pelas minhas lágrimas.

A recessão e o chocolate

Crise mundial, recessão econômica, bolsos vazios. Essas são palavras que andam martelando nossos ouvidos nos últimos tempos. Será que isso, além de outras mazelas, deixará a Páscoa desse ano menos doce? O orçamento do Coelho da Páscoa também será afetado? Já que estamos atravessando tempos bicudos e temos pela frente um futuro incerto e ainda encoberto pelo nevoeiro da economia, que tal adoçarmos isso tudo com chocolate? Um ovo de chocolate! Não seria perfeito? Afinal, além do bolso não estar completamente vazio, o ovo significa vida, continuação, recomeço. E o chocolate? Bem, ele tem o dom de adoçar nossas horas e alegrar nossas vidas, enquanto se derrete na boca. Feliz Páscoa a todos!

Plantando vida...

Trans
plantando

Analgésico

Detona
dor

Cônjuges...

Lar compartilhado...

Casa
mento

Vidas distantes...

Separa
ações

segunda-feira, 6 de abril de 2009

“?” !

Personagem 1: "?"...
Personagem 2: "?" ?
Personagem 1: "?" !
Personagem 2: Mas, por que não "!" ?
Personagem 1: Oras, e por que não pode ser "?" ?
Personagem 2: Ficam muitas dúvidas no ar...
Personagem 1: É que a minha vida é um constante "?" !
Personagem 1: E, além do mais, um "?" é melhor que "..." ...
Personagem 2: ...

Cada uma...

Paraíso

Enquanto a lua brilha, as estrelas cintilam e a brisa nos acaricia, o coração dispara e o meu eu se eleva, te vendo caminhar nua pelo quarto, ante meus olhos esbugalhados... A beleza definitivamente não está lá fora...

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Primeiro de abril

Primeiro de abril... Acordei atrasado! Trânsito caótico, carros quase me esbarrando a cada esquina, motoristas desatentos e ao celular. Estudantes conversando fora dos muros da escola, mesmo depois do início das aulas. Aquela tintura de cabelo caju, reluzindo contra o sol... Deve ser tudo mentira...

sábado, 14 de março de 2009

Espremedura

Escolheu? Ficou bom? Não trocamos! E nem devolvemos o dinheiro! Dirija-se ao caixa, logo atrás daquela senhora, a septuagésima primeira da fila. Passe o seu cartão! Crédito ou débito? Digitou a senha? Entre logo após aquele senhor, na fila dos pacotes. Tenha uma boa tarde...se puder! Estamos vivendo um outro tipo de escravidão. É a escravidão do consumo, dos gastos desnecessários e da compulsão pelas compras. Como é possível não termos as roupas da moda e não dirigirmos um carro do ano? Onde já se viu os nossos filhos irem para a escola sem um tênis daquela marca? E o boné? Instrumento indispensável ao aprendizado! É inadmissível não passarmos as tardes de domingo em um shopping e muito menos ainda não termos assistido àquele filme que ganhou o Oscar! Não estar na fila para o hambúrguer, é imperdoável. Nós estamos sendo verdadeiros sonâmbulos existenciais que cometem muitas vezes o pecado de ser financeiramente incompetentes para estar em constante sintonia com tudo isso. Estamos virando suco na prensa do consumo. E, pior, nem é um suco muito natural...

segunda-feira, 9 de março de 2009

No jardim

Hoje cedo, liguei para a minha mãe, como eu faço quase sempre. Lá estava ela, no jardim. Feliz e animada do alto dos seus oitenta e quatro anos, me disse que havia levantado cedo, tomado café e ido limpar os canteiros, replantar algumas mudas de flores e regar as suas plantas. Fiquei muito feliz ao sentir em sua voz, a disposição e a vitalidade. Após passar uma vida de lutas e dificuldades, auxiliando meu pai a nos criar, educar e dar o melhor que ela pode, nada mais justo poder se dedicar às linhas, às lãs, ao jardim e às flores. É a recompensa de uma mulher guerreira que sempre lutou bravamente por seus filhos e sua família. Felizes daquelas flores, que podem sentir hoje, o carinho daquelas mãos trabalhadoras e bondosas. Tenho certeza que aquele, é o jardim mais bonito da vizinhança! Existe carinho e amor, além de terra, naqueles canteiros.

Sob o luar

Os raios do luar descem embalados pela fria brisa da noite. Entram pela sacada e clareiam o chão, o quarto, a cama. Lá embaixo, parte da cidade dorme. Inspirado pela lua, invado o teu universo, lentamente. Pela manhã, a chuva lava as ruas, as janelas e as almas. Abro os olhos e vejo que ainda tenho a tua presença. Não penso em sair daqui tão cedo. Não me deixe acordar. A realidade poderia não ser assim, tão perfeita.

sexta-feira, 6 de março de 2009

Bom dia!?!

Todas as manhãs, ao chegar ao escritório e cumprimentar o pessoal, eu travava o seguinte diálogo com um colega:
Bom dia!
Bom dia, por que? O que você sabe de bom, que eu ainda não sei?
Ou ainda:
Olá! Tudo bem?
Tudo bem? Só se for para você, que ganha bem...
E assim acontecia todos os dias. O meu cumprimento e a resposta dele. Era o mesmo diálogo travado a cada manhã. Eu ficava pensando: seriam estas, as respostas de uma pessoa extremamente pessimista? Ou ele realmente passava por dificuldades intransponíveis e, por isso, não conseguia começar bem, pelo menos um dia? Diariamente, eu ficava matutando sobre isso e me fazia essas indagações. O tempo passou. Hoje, pela manhã, após enfrentar um trânsito quase caótico para ir ao trabalho e passar pelo caixa eletrônico do banco para ver o meu saldo, me bateu uma dúvida. Afinal de contas, bom dia por que mesmo?

segunda-feira, 2 de março de 2009

De menor importância...

Ele sempre se incumbiu de coisas pequenas. Na infância, não brincava no chão para não sujar os brinquedos e a roupa. Na escola, era um dos alunos mais quietos da sala, para não ser notado. Na juventude, a timidez o impedia de se aproximar das garotas. Durante a vida adulta, se enfurnou na mesa do fundo em uma repartição pública, onde não era necessário fazer esforço algum para receber o salário no final do mês. Aos setenta anos, morreu. Ao seu enterro, quase ninguém foi. Afinal, era um dia chuvoso e ele sempre se ocupara de espetáculos de menor importância, mesmo quando era o personagem principal...

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Mesmo assim...

Se você não sabe cantar, fale a letra da canção. Mas, se deixe embalar. Se não souber dançar, arraste os pés ao som da música. Ser levado pelo movimento dos passos, pode te deixar mais leve. Se não souber recitar, leia as frases que compõem a poesia. Isso pode aliviar a sua alma. Se não tiver fôlego ou forças para correr, caminhe. Mas, faça o possível para se manter em movimento. Se não estiver preparado para tirar a nota máxima naquela prova, faça-a assim mesmo. Receba a nota que expresse o seu merecimento ou conhecimento e siga em frente. Se não souber como levar a vida, viva assim mesmo. Insista! Alguém depende disso ou, por alguma razão, espera que você exista...

sábado, 14 de fevereiro de 2009

A Era de Aquário

Segundo astrônomos, astrólogos, cientistas e PhDs de várias partes do mundo em seus estudos, inicia-se hoje, a Era de Aquário. Segundo eles, ao amanhecer do dia 14 de fevereiro de 2009, o dia dedicado a Saint Valentine, o santo padroeiro do amor, a Lua em Libra entra na sétima casa, a casa dos relacionamentos. Júpiter e Marte se alinham em Aquário na décima segunda casa da transformação espiritual. O Universo traz este alinhamento perfeito para dar sustentação a uma manifestação coletiva de amor, paz e ao início da Era de Aquário. Há quarenta anos a letra intuitiva de uma canção chamada Aquarius, trouxe o início de uma nova era para a consciência coletiva.
Ela dizia:

When the Moon is in the seventh house
and Jupiter aligns with Mars
Then peace will guide the planets
and love will steer the stars
This is the dawning of the age of Aquarius

(Quando a Lua estiver na sétima casa
e Jupiter estiver alinhado com Marte
então a paz conduzirá os planetas
e o amor orientará as estrelas
este é o início da Era de Aquário)

Segundo os estudiosos, inicia-se hoje uma era de fraternidade universal, onde será possível solucionar os problemas sociais de maneira igual para todos e com grandiosas oportunidades para o desenvolvimento intelectual e espiritual. Explicam eles que Aquario é um signo aéreo, científico, intelectual e o seu planeta regente, Urano, é associado com a intuição (conhecimento acima da razão) e com as percepções diretas do coração. No nível mundano, este planeta rege a eletricidade e a tecnologia. Eu não sou um estudioso do assunto, mas espero que estas pessoas estejam certas e que a partir de hoje, inicie-se uma nova era. Uma era onde o entendimento e a paz entre os diversos povos, etnias, credos religiosos, ideologias políticas e raças possa ser real e verdadeiro. Tomara seja hoje, o início de um novo tempo para a humanidade e para esse mundo onde vivemos. Que assim seja!

* Pesquisa no Google

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Ô, vidão!

É algo inerente do ser humano se queixar de quase tudo. Se chove, reclamamos da molhadeira, da umidade, dos calçados encharcados e do guarda chuva pingando água pelo chão da sala. Se faz calor, reclamamos do sol forte, da falta de sombra para descansar, da transpiração e do desodorante vencido. Se no trabalho se apresenta algum problema mais sério e que não consideramos responsabilidade nossa, nós esbravejamos antes de resolvê-lo. Também é assim quando o dinheiro está curto, quando o nosso time perde ou quando a gripe nos ataca um pouco mais forte. Eu também sou assim. Quase todos agem assim. Mas, será que se nós fizéssemos um esforço para gostar da nossa vida como ela é, para enfrentar as situações tais como elas se apresentam, não seria melhor? Não viveríamos mais felizes? O nosso fardo não seria mais leve? Muitas vezes, as crianças nos dão um belo exemplo de aceitação, alegria e confiança na vida que valeria a pena ser seguido ou, no mínimo, observado. É como diz o meu sobrinho Gustavo, de cinco anos de idade, ao se ver sentado no tapete da sala, rodeado de brinquedos:
“Ô vidão!”
E a nossa vida, na maior parte do tempo, não é um vidão?

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Quase perfeito...

Aquela era uma cidade onde tudo acontecia de maneira ordenada e irretocável. Mesmo nos dias de sol, a população levava consigo um guarda chuvas. Afinal, a qualquer instante poderia chover. E, o que aconteceria se as roupas molhassem? Quando as babás levavam as crianças para brincar no parque, carregavam sempre uma outra roupa branquinha para trocar no pimpolho, após as brincadeiras. O que as pessoas falariam ao ver uma criança com as roupas sujas? Nas empresas, os funcionários estavam sempre dispostos a mudar de atitude ou de comportamento para combinar com o humor mostrado pelo gerente, naquele dia. O que o chefe poderia pensar de cada um, se as opiniões divergissem ou se aquela risada fosse considerada inadequada? Nas ruas, as pessoas evitavam falar ou rir muito alto para não perturbar o sossego de quem mais andasse por ali. Durante o outono, mal as folhas caíam no chão e imediatamente eram recolhidas pelos garis, atentos e rápidos. Tudo era correto e funcionava de uma forma automaticamente perfeita. Mas, estranhamente, a população era triste. A falta de sorrisos nos rostos era visível. Aquela perfeição era insuportavelmente chata! Existia uma ânsia aprisionada de tomar um banho de chuva. Nos íntimos, fervilhava uma vontade de jogar bola na praça, até ficar exausto. Que vontade de jogar um papel de bala no chão...!

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Janelas

A composição é comprida, mas mesmo assim, nada! No passar das janelas da vida, tenho tentado te encontrar. Mas, ou ela passa muito rápido ou é você que anda se escondendo. Corro para mudar de janela. Algumas, encontro ainda escuras pelo amanhecer da existência. Outras, já anoitecendo, pelo tempo passado e perdido. Mesmo nas mais claras e iluminadas, como a de ontem ou a de hoje, você também não está. Ou são as minhas lentes, já fracas, que não captam a tua imagem ou já é a sombra do desespero que a tudo encobre. Continuarei tentando nas próximas janelas, a de amanhã e a de depois, encontrar algum vestígio teu. Ou, ao menos, o teu perfume ainda no ar. Não se esconda mais! O comboio da vida é longo, mas um dia as janelas acabam e nos batemos de frente com o seu final. Se tivermos sorte, estaremos em alguma estação. Caso contrário, terminaremos perdidos em algum lugar, entre os trilhos simetricamente longos e frios.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Motivos

Ficamos procurando consolo, as respostas e os motivos dos nossos atos em cada nota musical. A cada som que chega aos ouvidos, procuro um alento, uma desculpa, um perdão. Mas, ao contrário do que diz a música, as pessoas são outras, são duras, são diferentes. Nas mentes, não há lugar para preocupações, dúvidas, interrogação. A solução é fechar os olhos. A saída é tentar chamar a atenção. O consolo é ser notado. O destino já traçado, desenhado nas linhas da mão. Talvez na escuridão da falta do olhar possa estar o alento. Na imensidão da falta de amar está o castigo. No silêncio da noite se encontra o desespero. Sobre cada um o pecado, bem acima de todos, o perdão. Não deixe a música parar. Que antes pare o coração.

domingo, 1 de fevereiro de 2009

51

Cincoenta e um anos...!

Na memória...

O menino nasceu e passou a infância às margens da grande lagoa. Junto com a mãe e os irmãos passava as tardes na praia, nos quentes dias de verão. Iam municiados de um tarro de alumínio cheio de limonada gelada e guloseimas como pastéis, cucas e outros salgados e doces. Era uma festa sair da água com os dedos enrugados e encontrar o olhar carinhoso da mãe, uma toalha quente e aquele lanche delicioso. Era uma festa também para os amigos e primos que se encontrassem por perto. Após o lanche revigorante, novos mergulhos e jogos de futebol na areia. No final da tarde chegava o pai para dar umas braçadas com os filhos e voltar com todos para casa. Também passava as suas horas no meio da plantação de arroz da família. As águas, sempre elas, que banhavam o arroz irrigado durante todo o período de plantio também eram motivo de festa. Espantar os pássaros que se aproximavam dos pés de arroz verdinho e pular entre as marachas na lavoura lhe traziam alegria. Os campos de futebol cobertos de cascas de arroz construídos no quintal de casa com as traves feitas de bambu foram testemunhas de muitos “rachas” de bola. As lutas de espadas feitas com sarrafos e ripas do galpão de casa sempre acabavam em paz. Os passeios escondidos no cavalo do vizinho, dono do engenho de arroz, eram uma aventura e um segredo guardado a sete chaves. Os dias chuvosos em que saía protegido pela capa de chuva com capuz, feita de uma grossa lã azul marinho se transformavam também em uma jornada de aventura. Era como se estivesse atravessando geleiras ou andando em uma cidade fantasma sob um intenso temporal. A imaginação corria solta. Os seus vários cachorros na infância, entre eles tendo destaque o Lobo sempre foram companheiros de brincadeiras. O leite tirado direto das vacas e bebido com vontade e as uvas colhidas direto no parreiral de casa sempre foram apreciados. Os banhos de chuva nas ruas de terra e as brincadeiras de Tarzan nas árvores, eram sinônimos de tardes cheias de emoção. Eu já era feliz mas ainda não sabia.