sexta-feira, 31 de outubro de 2008

A septuagenária Guerra dos Mundos

Há exatos setenta anos, seis milhões de americanos ouviam o programa dominical Mercury Theatre on the Air, transmitido em rede nacional de rádio pela emissora CBS - Columbia Broadcasting System. Era a noite de 30 de outubro de 1938, quando por volta das nove horas, a execução de La Cumparsita, executada pela orquestra de Ramon Raquello, direto do Hotel Park Plaza no centro de Nova York, foi interrompida por uma notícia que mudaria os rumos da humanidade. Uma nave extraterrestre havia pousado em uma fazenda nos arredores de Grovers Mill, uma pequena cidade de Nova Jersey, a cerca de 70 quilômetros de Nova York. Por cerca de quarenta minutos, os ouvintes ouviram aterrorizados que centenas de marcianos hostis estavam provocando destruição e causando a morte de milhares de pessoas. A referida invasão, porém, aconteceu apenas na mente do então desconhecido ator e diretor de cinema Orson Welles. Naquela noite de véspera de Dia das Bruxas, o jovem diretor apresentou uma adaptação da obra de ficção científica "A Guerra dos Mundos" do inglês Herbert George Wells, publicada em 1889. A noticia da invasão provocou uma sobrecarga nas linhas telefônicas e congestionou as ruas de Nova York. Cerca de meio milhão de pessoas tiveram a certeza que o perigo era iminente e entraram realmente em pânico. A brincadeira de Halloween de Welles transformou uma obra de ficção em horas de medo e angústia para boa parte da população americana da época. Além do registro histórico do fato e da genialidade de Welles, me chamou a atenção a reação que o mesmo causou à vida das pessoas que estavam calmamente ouvindo o seu programa de rádio em casa. Hoje, nesse nosso mundo globalizado, rastreado por satélites e repleto de informação, qual seria a reação da população ao ouvir uma noticia dessas? Posso estar enganado, mas acho que um imenso número de pessoas munidas de suas câmeras digitais e aparelhos celulares, correriam ao local do pouso da nave alienígena e procurariam fotografar os marcianos do melhor ângulo possível. Em poucos minutos, a imagem dos ET’s estaria correndo o planeta através da Internet. Quem teria medo dos marcianos? Afinal, já estamos com sondas espaciais bisbilhotando o planeta deles. É o sinal dos tempos.

Fases

Quando somos jovens, queremos viver intensamente. Com os olhos aguçados, insistimos em conhecer o mundo e ver coisas que ainda não vimos. Na velhice, necessitamos de pesadas armações e grossas lentes para enxergar as coisas que já estamos, literalmente, carecas de saber.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Lua Nova em Escorpião

Hoje é dia de Lua Nova, e pelo horóscopo estamos no signo de Escorpião. A Lua Nova traz a idéia de novas experiências, energia, motivação, renascimento pessoal. Que essa motivação não seja privilégio apenas de quem faz aniversário no dia de hoje, mas que faça parte do cotidiano de todos nós. Que possamos estar sempre prontos para iniciar uma vida nova e melhor. Mas, desejo isso tudo hoje, em especial, à minha irmã Caroline, essa escorpiana corajosa, lutadora e quase incansável. Feliz aniversário! Muita saúde! Um beijo!

Barras

Ficção científica! Mas, por que não? A continuar nessa constante evolução tecnológica, todos nós em algum tempo no futuro, estaremos dotados de códigos de barras. Nas pequenas linhas verticais implantadas na pele, estarão contidas as características físicas, psicológicas e comportamentais de cada indivíduo. Poderão também ser impressas nas barras, as habilidades manuais e intelectuais natas ou programadas de cada um, seus possíveis problemas de saúde, distúrbios emocionais e o preço de sua mão de obra. Quando esse tempo chegar, os mais abonados poderão ter a sua disposição como funcionário, operário ou serviçal, um ser manufaturado, obediente e passível de devolução em caso de defeito. Quem viver, verá. Ou não.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Sonhos...

Normalmente, os meus melhores sonhos acontecem quando passo a noite acordado. É assim, na penumbra do quarto e com os olhos abertos que a mente permite ver o que realmente almejamos. O resto, não passa de realidade.

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Welcome to the machine

Hoje cedo, enquanto me deslocava para o trabalho, ouvia Pink Floyd no carro. Velhas músicas, sons hipnóticos que relembram outras épocas, outras fases da vida. A mente viaja solta, relembrando, revivendo e revendo coisas. Algumas décadas se passaram. O que aconteceu nesse lapso de tempo? O que vivi daquela época até hoje? Lutas, inúmeras. Vitórias, algumas. Derrotas, muitas. Pessoas passaram, fatos deixaram marcas, projetos quase foram realizados, sonhos quase foram vividos. É estranho olhar para trás e ver que uma das melhores coisas já sentidas seja essa música que, felizmente, ainda hoje chega aos meus ouvidos.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Controvérsia

Aconteceu ontem à noite. Aliás, era quase meia noite. Eu, com o carro parado em uma rua da cidade. Rádio ligado, música embalando os pensamentos. De vez em quando, notícias das bolsas de valores despencando ao redor do mundo, crise financeira, investidores em pânico. Capitalismo em crise. Ainda circulam carros e alguns ônibus pela rua. Fico observando as luzes dos veículos que passam, lendo os itinerários dos ônibus e pensando. Pensando no mundo em que estamos vivendo, suas crises, seus temores e seus medos. Tão moderno, evoluído e com medo! Eis que, de repente, surge um ciclista. Ele pedala pela contramão da canaleta exclusiva dos ônibus. Capacete, mochila nas costas, força nos pedais. Sozinho, enquanto pedala, sorri, ri. Estranho e enigmático sorriso. Ri de que? De quem? Para quem, se até mesmo a lua está oculta entre as nuvens? Enquanto a bicicleta passa rápida, fico intrigado. O que ele sabe que o mundo ainda não sabe?

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Seres racionais?

No dia de hoje, uma égua desmaiou em plena rua na cidade de Cachoeirinha, no Rio Grande do Sul. A égua obedeceu e carregou sua carroça, até o momento em que suas forças lhe faltaram. Sem agüentar mais, só restou ao pobre animal desabar em pleno asfalto. Esse é um assunto que venho acompanhando há tempos. Fatos como esse acontecem todos os dias, no Brasil todo. Só não são divulgados, como no caso em questão. Até quando nós, seres considerados racionais e superiores, vamos tratar os animais dessa maneira? Até quando as autoridades vão permitir que cavalos maltratados, magros e famintos trabalhem durante dez, doze horas por dia, muitas vezes sem sequer beber água? E ainda apanhando o dia todo, para andar mais rápido. Fala-se muito em direitos humanos, o que está correto, mas onde estão as leis protetoras dos direitos dos animais? Todos sabemos que os donos desses eqüinos são, na grande maioria, pessoas humildes e utilizam o veículo com tração animal para ganhar o seu sustento. Cabe então, mais ainda, aos governantes implantar uma política de apoio à estes trabalhadores, para que consigam sobreviver sem o uso indiscriminado e muitas vezes criminoso do trabalho desses seres praticamente indefesos. O uso da tração animal foi muito importante na época em que o Brasil era colônia e ainda não existiam veículos motorizados. Atualmente, em meio ao caos do trânsito urbano e aliado ao tratamento desumano imposto à esses animais, isso é o mais completo absurdo. Todos os dias, a força desses seres é utilizada à exaustão e, quando chega a noite, muitas vezes o pobre bicho recebe uma alimentação que além de insuficiente para sua recuperação, é na maioria das vezes, inadequada. Pensemos nisso e pressionemos as autoridades para que possa ser encontrada uma solução rápida para o problema. Mas já, hoje, agora!

Transparência

A transparência nem sempre é uma qualidade. As vezes, é muito chato ser transparente. Você está ao lado das pessoas, mas não é visto...

Acordes

Os primeiros acordes começam a soar. A multidão enlouquece. Lá no meio, estou eu. O som, embora quase ensurdecedor, me alivia. Pelo menos enquanto a música continuar, não posso ouvir os meus pensamentos. Onde se aumenta o volume?

domingo, 19 de outubro de 2008

Livro(e)...

Livro escrito, livro vendido, livro doado, livro enviado, livro desviado, livro não recebido, livro esquecido, livro desconhecido, livro relegado. Escritor iniciante, escritor iniciado, escritor recluso, escritor ignorado. Lidar com letras não é o mesmo que lidar com o mundo...

A chave

Atrás de qual dessas portas se esconde a felicidade? Ouço alarido e burburinho atrás de todas... Tem muita gente do lado de lá. Tento... Acho que não é falta de sorte; a minha chave é que não funciona...

Sonho

Estou em meio a vozes, letras, livros, música, conversas, ruídos, gargalhadas... Acordo... Vejo o escuro. Um estranho e constrangedor silêncio invade os meus ouvidos. Terá sido um sonho, ou estive às portas da libertação?

sábado, 18 de outubro de 2008

A música da vida

"O bom seria, compormos a música da vida sem esquecer de colocar nela, uma letra bonita o suficiente para ser vivida."

Cadê a minha hora?

O que vão fazer com a minha hora? Para onde vão levá-la durante os próximos quatro meses? O pior, é que é hoje, à meia noite. Uma hora do meu tempo vai sumir, assim, sem explicações. É o famigerado horário de verão que está chegando, de novo. Amado por uns, odiado por outros, ele está de volta. Enquanto isso, vou fazendo planos para usar bem cada um dos sessenta minutos, que só me serão devolvidos lá por fevereiro.

Como foi possível?

Como pudemos viver em outros tempos? Como conceber que nesses tempos idos, não carregássemos um telefone celular no bolso e, pasmem, não tivéssemos acesso à Internet? Como, no outro bolso não levávamos um tocador de música MP-3, MP-4, ou outro ainda melhor? Por conseqüência, não tínhamos acesso a sites de relacionamento, serviços de mensagens instantâneas e correios de voz. Como nós não baixávamos músicas, antigamente? É inadmissível que não pudéssemos ler jornais e revistas em suas edições on-line! Nesse tempo, os professores não enviavam as matérias para os alunos por e-mail. Como nós, pobres crianças, pudemos estudar assim? As pesquisas tinham que ser feitas em livros, nas bibliotecas públicas ou da escola, ao invés de sites de pesquisa! Precisávamos fazer as lições de casa na mesa da cozinha, enquanto a nossa mãe preparava algum prato delicioso, que seria servido logo em seguida. De vez em quando, ganhávamos um beijo na testa ou um afago na cabeça de nossos pais atentos e presentes. Que coisa chata! Necessitávamos ir pessoalmente ao banco pagar as contas e consultar saldos, ao invés de usar o notebook, via wireless, confortavelmente sentados em qualquer lugar da cidade. Nós ainda não sofríamos, instantaneamente, nem as conseqüências das quedas das bolsas de valores do outro lado do mundo, por conta da globalização. Você acredita nisso? Eu, sinceramente, não sei como nós sobrevivemos a uma vida tão simples e feliz! Não sei!

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Arte...

As notas emitidas pelas cordas, os acordes dos teclados, os sons viajando pelo ar, as letras depositadas ordenadamente nas páginas de um livro, nosso encontro, nosso encaixe e nosso sorriso, insinuam que a vida é feita com arte a cada dia...

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Aos mestres com carinho

Desde os primórdios da história humana, sempre existiram aqueles que se dedicaram a ensinar algo aos outros. Dos mais rudimentares conhecimentos, até a informação tecnológica avançada que possuímos hoje, sempre foi necessária a presença de um mestre, de um iniciador, de um professor, para que fosse aberto um novo caminho para alguém. Hoje, comemora-se o Dia do Professor. Essa é uma pequena homenagem a esses homens e mulheres que dedicam suas vidas ao crescimento e desenvolvimento intelectual de seus semelhantes. Embora penalizados com baixos salários, desrespeito e descaso muitas vezes, hoje é o dia deles. Parabéns professora! Parabéns professor! Um dia, a justiça será feita e o seu real valor será reconhecido. Todos verão, que sem alguém que abra e ilumine o caminho, não se chega a lugar algum.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Vai encarar?

Hoje, na hora do almoço, resolvi dar uma volta pelo centro da cidade. Ao passar por uma vitrine, percebi um estranho e insistente olhar a me fitar. Me virei para o vidro e, lá de dentro, um manequim de loja me encarava. Olhar frio, semblante sério, tez plastificada. Atrás do balcão, funcionárias da loja riam, como se nada estivesse acontecendo. Parecia que estavam todos em um complô contra mim. Estariam de conchavo com aquela estranha figura da vitrine? Já meio alterado, perguntei: “vai encarar?” Como não houvesse resposta ou reação, saí a passos largos. Em uma última olhada, pude ver a roupa ridícula que aquela figura estava usando. Será que não se enxerga? Coisa de louco!

domingo, 12 de outubro de 2008

0 qu& &´I$$0?

O qu& &st@´acont&c&ndo? P0rQu& &stoU fal@nD0 a$$im? Qu& lÍngu@ &´ &ss@? $oC0RR0!!!

Notícias

Acordo cedo. O despertar me cobra notícias. O que aconteceu? Olho para fora e nada vejo, a não ser que o sol ainda não surgiu. Ver você ao meu lado, foi apenas um sonho? Por que só aos meus olhos fechados, você insiste em aparecer? Só me resta voltar a dormir. Quem sabe assim, eu possa ser novamente feliz. A realidade é dura, e esse dia promete ser longo demais para ser vivido acordado...

sábado, 11 de outubro de 2008

O que seria?

O que seria de mim, se não fosse você? O que eu esperaria da vida, se não a compartilhasse contigo? O que seria da minha alegria, se não fosse o teu sorriso? O que seria dos meus braços, se não fosse o teu abraço? O que seria do meu sono, se não fosse o teu olhar? Ora, finalmente eu seria eu mesmo e não viveria a tua vida. Será que um dia eu consigo?

Na noite...

A noite esconde encontros improváveis e amizades reprováveis. Quem você pensa ser, não o é. E, o que não aparenta, quase sempre é. Loucuras, encontros, amarguras, desconfortos, desencontros. Tudo na sombra, tudo na esquina, tudo na penumbra. Nem tudo é sério, nem tudo é o que parecia, nem tudo é inimizade, nem tudo é parceria. A noite encobre desilusões e descobre alegrias. Tão poucas e passageiras, que sempre terminam com a luz do dia. Então? A noite é amiga ou apenas o oposto do dia? O cair da noite, não sei por que, me arrepia.

Vai da valsa...

Roupa escolhida, banho tomado, perfume borrifado, adereço preferido, fantasia vestida, endereço escolhido, sorriso ensaiado. Noite de gala, coração apertado, mente vazia. Chega o momento. Movimento, luzes, burburinho, dança, bebidas, conquistas. Tudo terminado, silêncio mortal. No caminho para a porta, pensamento lento, olhar pensativo. Lá fora, a vida espera. E a música acabou...

É tudo terreno...

No velho campo, não foram feitas colheitas. Passado, antepassados, histórias, tudo a se perder na memória. Justiça e respeito derrubados, assim como as árvores. Sentimento de impunidade. Já não é possível pisar no solo em que um dia, cheguei a ser criança. Lembranças podadas, esperanças ceifadas, olhos abertos, tudo, nada! Nada é que temos. Nada é o que resta. Nada é o que seremos. Ao partir, também nada levaremos. Afinal, é tudo daqui, é tudo terreno...

Muralhas

Cada vez que vejo o castelo erguido nas ruas da pequena cidade, uma revolta me invade o coração. De suas paredes, transpiram injustiças e de suas janelas, maldades nos espreitam. Por quê? Maciças pedras, cofres cheios, fortaleza. Duras almas erguendo a muralha quase intransponível, a isolá-las do mundo exterior. Superioridade forçada, autoridade comprada, cidade usada. Até quando? Do alto da torre, olhos frios miram a sina da bela e infeliz cidade. Encontraremos esperança em algum amanhecer?

Será mesmo?

Será que, às portas da morte, imagens da vida passam pela mente? Será que as pessoas relembram as situações passadas, coisas vividas, atitudes tomadas? Ocasiões, decisões, caminhos seguidos ao longo da existência, espoucam ante os olhos fechados? Flashes de pequenas e grandes histórias iluminam a mente nesses instantes finais da vida? Amores vividos, fortes emoções, difíceis decisões ou loucuras cometidas serão rememoradas? As alegrias, novamente sentidas? Ações, traições, falsidades, maldades praticadas e mentiras ditas, serão choradas? Perguntas difíceis de responder... Talvez, o melhor seja tentar estar em paz consigo mesmo e viver cada dia como se fosso o último. Que dia estranho hoje...

As velhas músicas

Às vezes, ouço no rádio algumas músicas antigas. São músicas que eu ouvia há duas, três décadas atrás. Elas me trazem lembranças de outros tempos, outras pessoas e outras situações. Eram tempos em que a vida era leve, viva, mais alegre e festiva. Nem tantas preocupações, sentimentos bons, divertimento, juventude e alegrias davam o tom daqueles dias. Hoje, as mesmas músicas chegam aos meus ouvidos, com acordes envelhecidos. Acho que isso, não é apenas pelo tempo que passou. As melodias são as mesmas, mas o mundo, a vida e eu mudamos. As notas musicais das velhas composições ainda dão o seu tom melódico e belo, mas que quase ninguém quer mais ouvir. Para a maioria, elas já não dizem nada. E, para mim, é uma ode inspirada em um tempo que não existe mais.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

O mundo diário

A cada novo amanhecer, enfrentamos um novo desafio. Saímos de casa e encaramos ruas congestionadas como artérias, sorrisos fechados como cofres e coisas como a cordialidade e o bom humor tão em baixa como as bolsas de valores. Andando pelas ruas, vemos criaturas carregadas de sonolência e lentidão. São seres saindo pela cidade para uma nova batalha de oito, dez, doze horas pela sobrevivência. É o imenso formigueiro, libertando a cada alvorecer os seus operários, soldados e rainhas para mais uma jornada que só terminará quando a noite chegar. Enquanto alguns carregam gravetos e folhas, outros passam abarrotados de desesperanças e ilusão, esperando que o novo dia possa ser melhor.

domingo, 5 de outubro de 2008

Terceira idade?

É diária a luta para que eu me convença que os meus filhos estão ficando adultos. Como é complicado! Sem que eu perceba, eles já não estão nem dependendo de mim para ir à aula de cursinho pré-vestibular nos finais de semana. Aliás, acho que ninguém merece aulas aos sábados e domingos, ainda mais cedinho da manhã. De qualquer forma, eles já me deixam dormindo e saem por conta própria. Não era ainda ontem, que eu os levava pela mão à escola? Antes de vê-los entrar pelo portão, acompanhados pela professora, conferia se estavam com a lancheira e os lápis de cor. Onde estão as calças curtas e as saiinhas? Cadê os machucados nos joelhos? Por que não ouço mais nenhum choro, seja de manha, sono ou fome? E, pior! O que está acontecendo comigo? Por que eu nem acordo com a saída deles pela manhã? Será que é isso que todos chamam de terceira idade? Não sei, mas temo pela resposta. Pensando bem, acho que não quero ouvir. Não sei se é maior a ânsia deles em entrar na vida adulta, ou o meu medo de admitir que isto esteja acontecendo. Creio que deveria haver uma preparação para que os pais passassem por situações como essa. Em especial, para vermos que aqueles bebês que dependiam do nosso colo para dormir, estão se preparando para enfrentar o mundo em uma época que já não será a nossa.

sábado, 4 de outubro de 2008

Pelas ruas...

Te ligo, não te encontro. Andas desconectada e bela pelas ruas da cidade, onde as vitrines atraem o teu olhar. O que fazer, quando até as calçadas são mais felizes que eu por terem você? Olho pela janela e me conforto, pois ao menos a minha alma está contigo...

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Diário de um louco

Antigamente, os pensamentos e sentimentos eram alocados na cabeça uns ao lado dos outros, no espaço da lembrança, fossem eles bons ou ruins. No desenrolar da vida diária, eles surgiam e tomavam o seu lugar, cronologicamente. Os instantes de alegria ocupavam o seu espaço, ladeados pelas tristezas e decepções. Tudo era armazenado na seqüência, enfileirados, juntos. Eram diferenciados apenas, por sua intensidade e pela conseqüência provocada. Hoje, tudo mudou. Sentimentos, sensações, esperanças, decepções, certezas e desilusões estão amontoados em espaços definidos e separados da mente, agrupados pelo gênero. Dependendo da situação ou do momento, recorre-se a uma dessas pilhas e, de lá, retira-se o fragmento requerido para a ocasião. Demência? Alucinação? Delírio? Resposta oculta em um olhar perdido...

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Eu?

Por que nem sempre é ruim sentir-se um idiota? Passado o susto, percebe-se que é deles a preocupação da dissimulação. Dá menos trabalho ser inocente.

Na estrada...

É noite alta. O carro voa veloz. As luzes das cidades surgem e desaparecem rápido. Poucos metros de estrada se avistam à frente. A neblina é densa como uma mortalha. Pelas ondas do rádio, na escuridão, chega um velho rock que diz " Gimme all your lovin’ ". (*) Olhos vidrados, mãos firmes, pensamento solto, coração cortado, mente aberta. Não sei o que a música diz. Só penso. Por que você não me dá o seu amor? As lágrimas turvam o olhar e encobrem a pista. Para onde vou? Onde está você? Logo saberei...

(*) ZZ Top

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Mais um dia...

Mais um dia sombrio, frio. Por vezes, o tempo não passa. Por vezes, ganha asas. O abrir dos olhos e a percepção de que tudo é realidade, é real demais para o meu gosto. Todos têm os seus problemas e preocupações de como resolve-los. Ninguém tem tempo e vontade de olhar para o lado. Dia corrido, visita médica na noite, olhos abertos, mente congestionada. Até onde? Até quando? Ao abrir a janela, percebe-se que os sentimentos estão soltos, espalhados pelo quintal, pelas ruas, pelo caminho. Estão em todos os lugares, menos onde realmente deveriam estar, no lugar onde poderiam ser sentidos. Aliás, nada faz muito sentido. Nada, nenhum lugar e quase ninguém. Mas, se é assim, acostumemo-nos assim. Vamos apenas esperar e ver onde esse caminho vai dar. Em um ser, em um ter, um parecer ou em lugar nenhum.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Cruzada inglória

Desde cedo, nessas manhãs ainda frias de setembro, tristes criaturas se encolhem pelas esquinas das cidades agitando bandeiras e empunhando cartazes. Empunham essas bandeiras sem muita convicção, agitando-as mais para não sentir frio que propriamente pelo apego às idéias que elas passam. Sabem, que ao final do dia, receberão o seu pequeno mas necessário pagamento. Nos cartazes, sorrisos que se transformarão em gargalhadas, se a população os avalizar. É triste ver uma parcela deste povo a serviço de partidos e candidatos que os esquecerão no mesmo instante em que forem eleitos. Afinal, o seu papel já foi cumprido e existe nova data para que eles sejam lembrados, daqui a exatos quatro anos.

domingo, 21 de setembro de 2008

?

Cada um na sua

Há pouco, vi na TV uma grande exposição de barcos, lanchas e iates de luxo. Assisti também, a anúncios de apartamentos e coberturas em bairros nobres da cidade. Automóveis grandes, espaçosos e de alta performance também entram na minha retina, através do vídeo. Acabo de apagar o fogo. Alguém aí sabe o valor nutritivo do macarrão instantâneo?

sábado, 20 de setembro de 2008

Pesadelo?

Era como um imenso supermercado. As pessoas circulavam entre grandes prateleiras. O estranho é que lá se vendiam sentimentos. Ao passar pelos corredores, eu podia ver tudo de perto. Os preços eram os mais variados e havia opções para todos os gostos e bolsos. Em média, todos os produtos eram acessíveis e ao alcance de qualquer pessoa que se dispusesse a pagar por eles, com exceção de alguns itens. Pude perceber que o Amor tinha um custo elevado, o que também acontecia com a Solidariedade. No espaço da Amizade havia algum movimento de clientes, pois o preço estava bom. Na prateleira do Sucesso, com aquele preço nas alturas, quase ninguém. Mas, era na seção das ofertas que estava a multidão. Carrinhos abarrotados e cestas cheias de Desprezo, Ódio, Traição e Falsidade. Afinal, estava tudo por uma ninharia! Confesso que o preço baixo atraiu o meu olhar naquela direção. Recordo de ter colocado a mão no bolso para ver o quanto eu tinha. De repente, me vejo na cama. Acordei cansado, mas estranhamente feliz. Corri para ver a minha carteira e a encontrei ainda com dinheiro. Não gastei quase nada desde ontem. Será que aproveitei aquelas ofertas? Por que esse sorriso insistente no meu rosto?

Ao sabor do vento

Por que os finais de semana me encontram vislumbrando o desengano? Os dias se sucedem, correm, atropelam e não me dão tempo para pensar. Mas, o final de semana... Ah, o final de semana! O que fazer se é aí, exatamente nesse espaço de tempo que os pensamentos se rebelam e vêm à tona? Histórias, estórias, fatos vividos, imaginados, sonhados, tudo! Tenta-se dormir, fugir, sonhar. Mas, no mesmo instante em que as pálpebras se abrem, lá estão eles! Assombrações incansáveis! Mostram-se, exibindo suas formas perturbadoras. Pensamentos estranhos, sonhos longínquos, metas inatingidas, vida ao sabor dos ventos e das marés da inabilidade. Na mente, trilhas sonoras que não motivaram e imagens que desiludiram. Vou dormir agora e ver para onde o vento de amanhã me empurrará. É estranha essa amizade com o vento, amigo sempre presente e poderoso, mas terrivelmente inconstante e sem direção definida. Vou junto.
* Qualquer semelhança com a vida real, terá sido mera coincidência. Ou não...!

terça-feira, 16 de setembro de 2008

O leão de hoje

O de hoje, foi difícil. Lutou, relutou, resistiu, endureceu. Mostrou suas garras afiadas, mas por fim desistiu, capitulou, morreu. Dia pesado, combustível escasso, moedas juntadas. Esperança, dúvidas e dívidas juntas. A submissão ante o senhor dos dinheiros, o olhar de baixo para cima, a vista turva e a cabeça pesada. O céu escuro encobriu os músculos já cansados, noite adentro. A lua me acha arranhado, cansado, mas bem. Está tudo certo! Afinal, não temos mesmo que matar um leão por dia?

Um tijolo a menos no muro...

A viagem psicodélica perdeu boa parte do brilho. O som progressivo, claro, finamente elaborado e hipnótico do Pink Floyd, silenciou de vez no dia de hoje. Sem qualquer aviso, calaram-se os teclados de Richard Wright. No meio do susto, percebemos que os ídolos não são imortais. O rock progressivo, clássico e harmônico, recheado de viagens alucinantes, porcos infláveis e muros, refugiou-se em definitivo no lado escuro da lua.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Sob o olhar da lua

Varrer as folhas da calçada no meio da noite, tocando a vassoura como uma guitarra para um público imaginário oculto entre as folhagens do jardim. Você não vê, mas eles estão lá! Códigos fechados sobre a cama, talvez na ânsia de não se impor mais limites, leis ou normas. Talvez um sonho de, até que seja possível, legislar sentimentos entre os muros da casa. Até quando? Quem não lida bem com decepções não vê graça no que vem depois. Mais uma folha arrancada do calendário, varrida junto entre as bromélias. Logo amanhece e novas folhas cairão do calendário e das árvores, impreterivelmente no chão.

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

O dia em que não encontrei Klaus Meine

12 de setembro de 2008! A 110 quilômetros de distância, na cidade de Ponta Grossa (por que lá?) está se apresentando a banda alemã Scorpions, em seu único show no Sul do Brasil desta feita. Pois bem: noite chuvosa, sem ingresso na mão e com compromissos de Direito Administrativo e Direito Comercial para comparecer. Por que o drama? Afinal, era só dirigir até lá em pista dupla, pagar dois pedágios de ida, dois de volta, curtir o show “Humanity World Tour” na versão eletroacústica e voltar. Mas, ao invés de Always Somewhere, tenho as licitações. No lugar de Wind of Change, as tomadas de preço. Substituindo Send Me An Angel, tenho a letra de câmbio e suprimindo The Zoo, entra em campo a nota promissória. Perfeito para uma noite chuvosa de uma sexta-feira longe do palco do Centro de Eventos de Ponta Grossa. O local é onde se realiza a já tradicional Festa Nacional do Chopp Escuro, a Münchenfest. Então, um brinde à Klaus Meine, Rudolf Schenker, Matthias Jabs, James Kottak e Pawel Maciwoda. Prost!!!

Liberte um livro!

Acontece em várias partes do mundo uma campanha, que tem um sugestivo título: "Liberte um livro!". Trata-se de uma iniciativa de incentivo a leitura, já que um livro é bem mais útil para a sociedade ao estar circulando e sendo lido. A proposta é que cada pessoa que possua um livro já lido, o disponibilize para que outros cidadãos possam usufruir do conteúdo de suas páginas. O livro pode ser entregue para alguém, ou deixado em locais públicos como um banco de praça, um ponto de ônibus ou em algum estabelecimento comercial como uma loja, uma farmácia ou um açougue. O importante, é que ao deixar o livro, o seu doador escreva no mesmo, a seguinte frase: "Esse livro é livre! Leia e liberte-o novamente...!" Trata-se sem dúvidas, de uma idéia fantástica, pois ao dar asas ao livro, estamos permitindo que as boas histórias, a cultura e o conhecimento atinjam a todos, indistintamente. Essa é a missão do livro, entreter e ensinar a todos, independentemente de seu grau de instrução ou poder aquisitivo.

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Diário do reverso

E a história está sendo escrita. A cada novo dia, nova página se desenha. Os personagens são os mesmos. Pessoas e egos balofos se espremem para aparecer mais, enquanto que sentimentos são suprimidos e jogados fora. O novo atropela o passado, dando a ele uma condição descartável. Os valores mudam a cada vinte e quatro horas, ao sabor das teorias e novas metas. As risadas falsas invadem o ambiente, onde quem cala só sente, consente, ouve, desacredita, mente, resente. Mentes e olhos vidrados na tela, na janela tecnológica da modernidade, da antropofagia da história e da memória. Palavras são lançadas ao mundo na tentativa de serem lidas, ouvidas, percebidas. Em troca, silêncio. Livros não lidos alçam vôo da Europa. Livros viajados, vivos, sabidos. Olhos abertos, sentidos despertos, destino desenhado, rumo incerto. O vento soprou, a vista abriu, a ficha quase caiu. O ar condicionado refresca o espírito domado, o olhar desviado, o rumo perdido, o orgulho ferido. Não está entendendo nada? Nem eu... Não se preocupe, afinal, o mundo já não é o mesmo. Pensando bem, nem nós...

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Reminiscências...

O tempo passa impiedoso. E, com ele, leva a todos nós. Trata, retrata, destrata, maltrata e conduz... Para onde? Não sei! Conduz! Seduz, reluz, reduz...a tudo, a nada, a pó. Impiedoso tempo, doces lembranças, duras vivências, amarga demência. O relógio não para, o peito dispara, a vida desmascara. Quanto tempo ainda temos?

domingo, 24 de agosto de 2008

E a chama se apagou...

Dezesseis dias depois, muito suor e um número maior de lágrimas derramadas, terminaram hoje as Olimpíadas de Pequim. Recordes olímpicos e mundiais foram pulverizados, alguns atletas foram transformados em super heróis à custa de músculos, braçadas, saltos e golpes. Os chineses não deixaram nada a desejar nas cerimônias de abertura e encerramento, iluminando os céus de Pequim com toneladas de fogos de artifício e apresentações artísticas de deixar o mundo de boca aberta pela beleza e precisão. Assim, inicia-se nova contagem regressiva para os Jogos Olímpicos de Londres, onde mais uma vez, poderemos ver os atletas expoentes da raça humana duelarem em busca dos novos limites do homem para que assim, se escreva mais uma página na história.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

A chuva

Desde pequeno, eu me admiro com a chuva. Lembro que eu ficava vendo pelos vidros da janela, cada pingo que caía. Na minha mente infantil, eu sempre imaginava personagens e heróis durante um dia de chuva. Na minha fantasia, eu vislumbrava cavaleiros heróicos atravessando planícies debaixo da chuva com seus escudos e espadas reluzentes. Via caravanas de mercadores, abarrotadas de mercadorias, em viagem no meio da tormenta. Me colocava em aventuras na selva, enfrentando perigos, durante uma tempestade tropical. Ao ir para a escola, munido de uma capa de chuva e botas de borracha, eu ia feliz. Nos dias quentes de verão, o banho de chuva era inevitável. Passar correndo nas poças d’água era uma festa! As “peladas” de futebol nas ruas de terra enlameadas da cidade do interior também me marcaram positivamente a infância e a vida. Hoje, nos preocupamos com o aquecimento global, o derretimento das geleiras, a seca, a umidade relativa do ar muito baixa, etc. Vemos também a chuva derrubar encostas, soterrando casas e vidas, devido a ocupações muitas vezes irregulares dos terrenos. Temos notícias de poluição, fumaça, gases na atmosfera e chuvas ácidas. O mundo mudou! Mas, apesar de tudo isso, quando percebo que o céu está escurecendo, ouço os primeiros trovões ao longe e vejo os primeiros pingos de chuva caindo, uma alegria ainda me invade. O cheiro da terra molhada me remete instantaneamente ao passado, tempo em que a felicidade se resumia a ser criança e amigo da chuva.

domingo, 10 de agosto de 2008

Os Jogos Olímpicos

Um segundo, um centímetro, um ponto, uma braçada, uma passada a mais, um golpe, um salto, uma queda, gotas de suor, um sorriso, lágrimas, são fatores significativos para a conquista de um recorde mundial ou para um frustrante fracasso. É com variáveis como essas, que centenas dos melhores atletas do mundo estarão lidando nos próximos dias na terra dos simpáticos pandas gigantes, a China. São os maiores Jogos Olímpicos da história moderna. Representantes de super potências, de nações pobres, de países tropicais, das terras do frio leste europeu, do mundo inteiro, estão correndo, saltando, lutando, jogando, nadando, competindo pela glória de ostentar no peito uma medalha olímpica. Lutam para serem os melhores do planeta em suas modalidades, insuperáveis em suas especialidades. A vontade de vencer, a garra, o esforço, as glórias e até as decepções desses atletas são acompanhados de perto e abençoados pelo espírito olímpico, nesse congraçamento dos povos através do esporte. Um mundo, um sonho!

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

08/08/08

Dia oito de agosto de 2008! A data de hoje foi escolhida pelos chineses para a abertura da 26a edição dos Jogos Olímpicos da era moderna, em Pequim. Para o povo chinês, o número 8 significa prosperidade. Entre muitos significados também atribuídos ao número 8, está o número de direções no espaço (Norte, Sul, Leste, Oeste, Nordeste, Noroeste, Sudeste e Sudoeste). É também o símbolo do infinito. Para os chineses, inventores da bússola, do papel e da pólvora, a data de hoje significa, então, sorte e prosperidade infinitas. Tomemos hoje, uma destas direções em nossas vidas e esperemos que também sejamos brindados com um pouco dessa sorte.

domingo, 3 de agosto de 2008

Silicone ou um clone de si?

O que somos hoje? No que estamos nos transformando? Apenas em corpos “sarados”? Arremedos de seres realmente humanos? Hoje, somos criaturas de cabelos implantados, de pálpebras levantadas, de seios siliconados, de rugas esticadas. Mas, e o interno? Como estamos por dentro? Como anda o íntimo? Quais os valores realmente importantes da vida ainda estamos cultivando? Amizade, solidariedade, honestidade, senso de justiça? Ou somos apenas os brincos, as tatuagens e os piercings? Não deveríamos estar preocupados um pouco mais em ser e não em parecer? Nada contra a beleza física, a plástica e o belo, mas passar por esta vida sem deixar um eco para ser ouvido por quem vem depois, é muito triste.

sábado, 26 de julho de 2008

Ofertas ou ofensas?

Apartamento ensolarado, com suítes, garagens, área verde, bem localizado! Carro com direção hidráulica, air bags, estofamento em couro, ar condicionado, rodas de liga leve! Notebook extrafino, com acesso sem fio à Internet, tela extragrande, etc, etc, etc...
Em um país onde a grande maioria da população ainda trabalha durante o dia para comer à noite, anúncios como estes não soam até como zombaria? Zombaria de uma classe minoritária, porém poderosa economicamente, expandindo os seus investimentos e projetos ao mesmo tempo em que a imensa maioria luta por algo básico, a sobrevivência. Em um país, onde quem utiliza as vagas oferecidas nas universidades públicas são os filhos dos ricos, que a população morre sem atendimento médico nas filas dos hospitais públicos e onde crianças são abandonadas nas ruas todos os dias por falta de condições dos pais para criá-las, anúncios como estes, são coerentes? Não tenho nada contra os construtores, os comerciantes e nem contra as grandes redes de lojas, mas estes e outros tantos anúncios veiculados na mídia, são as ofertas ou as ofensas do dia, para uma população que ainda passa fome?

quarta-feira, 23 de julho de 2008

Dia do pai?

Amigo, bravo, cuidadoso, nervoso, carinhoso, esperto, despreparado, cúmplice. Todas essas e muitas outras palavras são qualidades ou defeitos de um pai. Assim era o meu pai. Assim são os nossos pais! Assim sou eu, afinal eu também sou pai! Há muitos dias, já ouço na mídia os comerciais para que os filhos comprem os presentes para os seus pais, afinal vem aí o “dia dos pais”! Temos presentes para todos os gostos e bolsos. Mas, todo o santo dia não deveria ser o “dia do pai”? Assim como toda data no calendário não deveria ser um dia das mães, das crianças, do professor, da avó, do funcionário público e de quem mais merecesse respeito, consideração e amizade? Me entristece supor que em troca de um presente adquirido muitas vezes com o dinheiro do próprio pai, muitas pessoas achem que podem comprar e salvar o segundo domingo do mês de agosto.

domingo, 13 de julho de 2008

Dia Internacional do Rock

Ele é mais do que música, é um sentimento de liberdade, é uma maneira de viver.
É só rock’n roll, mas eu gosto.

sexta-feira, 11 de julho de 2008

A pantomima

Alegrai-vos! Eis que é tempo de pantomima! A partir dos próximos dias, saem da escuridão os salvadores da pátria de plantão. Surgem como por encanto, tentando fazer com que acreditemos nas histórias que serão contadas e encenadas a seguir. Como em um passe de mágica, oferecem as melhorias, a salvação e os milagres. Eles possuem as soluções para tudo. Apresentam propostas salvadoras para a saúde pública, para o ensino, para a segurança, para a pobreza, para uma cidade e um mundo melhores. Qual é realmente o nosso papel nesse processo? Ouvir, acreditar, ter esperanças, legitimar o teatro, ser decepcionado? Novamente? Outra vez? Até quando? Quantos deles realmente estão imbuídos de boas intenções? Um, dois, mais? Eles existem? Pensemos nisso. É isso que nós merecemos?

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Será?

Será que na época em que, além dos pássaros, cruzavam os céus apenas os aviões monomotores e bimotores turboélice, o ser humano era melhor? Será que quando as nossas mensagens mais urgentes eram enviadas pelo telégrafo, havia mais compreensão e honestidade entre as pessoas? Será que quando os nossos automóveis atingiam a incrível velocidade máxima de 100 Km/h, os pais amavam mais aos seus filhos? Será que quando o nosso entretenimento diário vinha através das ondas captadas pelo rádio valvulado, os filhos respeitavam a seus pais? Será que quando a nossa moeda era medida em "réis", um trabalhador ganhava o suficiente para sustentar e dar vida digna a sua família? Será que quando as cartas eram escritas com pena e tinta, as escolas e os hospitais públicos atendiam de maneira decente a quem precisava de seus serviços? Será que quando as pessoas plantavam e colhiam os seus próprios alimentos livres de agrotóxicos, as mesas eram fartas e não haviam pessoas vivendo pelas ruas? Será que um dia nós já vivemos em um mundo mais justo e mais feliz? Se as respostas para todas essas perguntas forem "sim", em que ponto da história nós pusemos tudo isso a perder? Alguém sabe responder?

sábado, 5 de julho de 2008

As mercearias

Eu sei que o mundo evolui e que essa evolução nos traz muitos benefícios e comodidades. Mas, independente disso, eu sinto saudades de algumas coisas que pertenciam a outras épocas e que povoavam a minha infância. É o caso das antigas mercearias, onde se comprava de tudo. Encontrava-se ali, desde o arroz e o feijão, até agulhas, linhas e coisas sofisticadas para a época como os rádios de pilha. Há poucos dias, tive a alegria de encontrar na região de Curitiba, duas dessas mercearias que insistem em resistir ao tempo e ao poderio dos grandes supermercados.
Uma delas continua instalada em uma antiga casa de madeira que é a sua sede, desde sempre. Nas antigas prateleiras, misturam-se garrafas de refrigerante, cerveja, cachaça e de xarope de groselha. Penduradas no teto, várias pipas feitas com papéis coloridos para fazer brilhar os olhos dos meninos que ainda conhecem esse brinquedo e se permitem deixar levar por algo tão simples e mágico. É uma pena que a imensa maioria das crianças de hoje não conhece e nem conhecerá a sensação de liberdade de ver a sua pipa voando a muitos metros de altura, sob o seu comando. Sobre o balcão, o tradicional vidro giratório repleto de balas chama a atenção e atiça as lembranças. Nas prateleiras do fundo, produtos de limpeza, de higiene, como talcos, perfumes e o que se imaginar. Sei que isso não interessa muito às atuais gerações, pois o mundo que elas conhecem hoje é imensamente mais sofisticado e tecnológico, mas para mim foi uma volta ao passado. Foi um retorno a minha infância. Fiquei tão admirado que fotografei cada detalhe da antiga construção e de suas mercadorias. A outra casa de comércio desse tipo que vi, traz o nome de “Mercearia Vencedora”. E, pensando bem, talvez seja mesmo. Digo isso, pois nesse mundo em que as mudanças alteram as nossas vidas em segundos, lá está ela ainda, com suas portas abertas e suas prateleiras abarrotadas de comida, bebida e de uma ingênua volta ao passado.

segunda-feira, 23 de junho de 2008

O frio

Nos últimos dias, já temos experimentado as sensações de frio trazidas antes mesmo do início oficial do inverno. Baixas temperaturas, que embelezam a paisagem com as roupas coloridas dos turistas que procuram pela neve e, ao mesmo tempo, enchem de preocupação os nossos irmãos mais carentes de abrigo e de roupas quentes. O frio traz, sem dúvidas, belas imagens e boas sensações com a lareira acesa e uma boa sopa quente acompanhada de uma taça de vinho. Mas, o frio que preocupa e que está cada vez mais presente, é o frio nos corações das pessoas. Temos assistido brigas de gangues de jovens que se matam sem cerimônia e sem motivos. Discussões no trânsito transformam pacatos cidadãos em criaturas bárbaras, capazes das maiores demonstrações de violência, instantaneamente. O frio do inverno é suportado com agasalhos, banhos quentes e calor humano. Mas, e o frio cada vez mais presente nos sentimentos, reações e atitudes das pessoas? O que fazer para, ao menos amenizar, as demonstrações do intenso e permanente frio glacial dos corações humanos?

sábado, 14 de junho de 2008

Sexta-feira 13!

Ontem, foi sexta-feira 13! Há quem se apavore com essa data e logo pense no azar que ela pode trazer. Ora, quem já tem trânsito caótico todos os dias, políticos corruptos nos governando, falta de dinheiro, de oportunidades, de saúde pública, de transporte coletivo decente, perturbações do chefe, casamentos falidos e coisas assim, por que esperar mais azar nesse dia? Boa sorte para nós! Estamos precisando...

terça-feira, 3 de junho de 2008

Tempestade

A chuva molha o meu rosto e escorre junto com as lágrimas que insistem também em cair. Terra e alma encharcadas. O aguaceiro só não é maior que a tempestade que trago dentro de mim. Por que ainda sobrevivo a você? Por que a água não lava lembranças e não carrega desespero também? Ela só me molha...

sexta-feira, 30 de maio de 2008

Nazareth

A noite não era muito propícia, pois era quinta-feira e na manhã seguinte tinha trabalho. Mesmo assim, a Hellooch estava lotada para receber os escoceses do Nazareth. O público era o mais diverso, com metaleiros, Harleyros, casais quarentões e simpáticos senhores, livres dos ternos usados durante o expediente do dia. A animação era grande. Antes do início do show, passava nos telões sons e imagens dos mais variados, como Status Quo, AC/DC, Kiss, Deep Purple, Led Zeppelin e outros tantos. A cada música, o povo cantava junto, mostrando que sabia todas as letras. Me posicionei no meu lugar oficial, junto à mesa de som. Quando o técnico da banda chegou e se preparava para o show, pedi que ao término ele me fornecesse a folha de papel com o "set list". Pedido atendido, roteiro do espetáculo assegurado, voltei os olhos para o palco. Passava um pouco das 23 horas, quando soou Beggars Day, anunciando o que viria a seguir. Os veteranos Dan McCafferty nos vocais e Pete Agnew no baixo davam o tom, acompanhados pelo filho de Pete, Lee Agnew na bateria e por Jimmy Murrison na guitarra. O som, pesado e eficiente, ecoou por duas horas, agradando a todos.
Ouviu-se, na ordem, as seguintes músicas:
Beggars day
Keep on travellin
Razamanaz
This flight
Day at the beach
My white bicycle
Enough love
Holiday
Whiskey drinkin woman
The gathering
Expect no mercy
H.O.D
Love hurts
Dream on
Morning dew
Love leads to madness
Cento e vinte minutos depois, cheguei a duas conclusões. A primeira é que Curitiba definitivamente está na rota das grandes bandas do rock mundial. A segunda, é que assim como o uísque de seu país, os escoceses do Nazareth são cada vez mais apreciados com o passar dos anos.

sábado, 17 de maio de 2008

Seqüência (a vida é bela)

A vida é assim, o roto fala do esfarrapado e comenta sobre a bala de hortelã, o farol aceso do carro, o sofá rasgado, o quadro novo na parede, as mágoas, as mangas, os mangás, as sensações, o suco azedo de limão, as dores ardidas no coração, o som alto do show de rock, a tentativa de ver, de ser visto, de ser ouvido, de ser esquecido, de nunca ter feito, de nunca ter sido, de nunca ter existido, do professor que tenta, do mestre que fala, dos alunos que não ouvem, dos pupilos que não querem, dos sorrisos metálicos, dos sorrisos forçados, dos risos amarelos, dos sentimentos amarelados, dos pobres, dos coitados, coitos corridos, coitos cortados, coitos varridos, doidos sentidos, sentimentos esquecidos, relacionamentos desfeitos, relações perdidas, elos vividos, elos odiados, elos esquecidos, do texto não escrito, da frase só pensada, do livro não recebido, do livro não lido, do livro relegado, do livro esquecido, da revista, da sacanagem, da engrenagem, da nudez, da rudez, da robustez, da mentira, do engano, do engodo, do entorno, do estorno, do nojo, do respeito, da verdade, da quase mentira, do torpe, do incansável, do asqueroso, do negociante, do trapaceiro, do nojento, do ladrão de sono, do ladrão de chances, do ladrão de alegrias, do ladrão de oportunidades, do ladrão de sonhos, da infância perdida, da juventude esquecida, do choro incontido, do tapa sentido, do rosto molhado, de chuva, de lágrimas, de mágoas, do rosto endurecido, do riso reprimido a tapas, a socos, a pontapés, no porão, no mastro, no convés, não convém, não importa, não interessa, a quem, por que, o que, que coisas, tudo passa, é passageiro, é cobrador, a vida cobra, mostra, bate, impõe, respira, humilha, aborrece, entristece, afugenta, esquece, engasga, embasbaca, entristece, não esquece, a distância, a demência, a ânsia, de vida, de vômito, de rota, de corrida, de fuga, de gente, de multidões, de trânsito, de tráfego, de tráfico, de influências, de incoerências, de gente, de drogas, de amarguras, de securas, de frescuras, de almas, conselhos, novas visões, velhas feições, novas ilusões, papo furado, discurso insano, texto insosso, metas sonhadas, metas traçadas, saídas bloqueadas, esperanças perdidas, sem mais sonhos, sem mais ilusões, sem mais nada, só com lembranças, só com cobranças, só com desesperanças, só com a vida.

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Ópera

Estranha é a melodia desta ópera da vida. Meus ouvidos tentam, mas não ouvem mais nada. Ritmos, timbres e notas soam fracas, pálidas, despercebidas. Coração guardado, mãos ligeiras, pensamento lento, sorriso enferrujado. A vontade de voar rompeu as amarras que me prendiam à você. O rumo é o do horizonte, onde dormem os astros, os anjos e as criaturas recém libertas.

domingo, 11 de maio de 2008

Whitesnake

Eram 23 horas, quando as cortinas se abriram e David Coverdale perguntou: ”Are you ready?” A partir daí, o que se viu e ouviu foi pauleira pura, misturada com três baladas. Durante duas horas, Coverdale e sua banda contagiaram a todos com seu som pesado e eficiente. A banda, composta por músicos de qualidade, foi um espetáculo à parte. É preciso saber de onde o velho Coverdale tira tanta energia, vitalidade e voz nesses 120 minutos de espetáculo. E, que espetáculo! Como é de praxe, ocupei a minha posição junto à mesa de som, onde um técnico inglês da banda e um brasileiro controlavam tudo. O que vimos a seguir foi de tirar o fôlego e deixar os olhos vidrados no palco. Após o show, o técnico de som me deu a folha com a relação das músicas, que servira no palco de guia para a banda. A relação é a seguinte:
- Intro
- Best Years
- Fool for your lovin’
- Bad boys
- Can you hear the wind
- Love ain’t no stranger
- Lay down your love
- Is this love (Snake dance)
- Crying in the rain
- Deeper the love
- Ain’t no love
- Give me all your love
- Here i go again
E o “bis” com:
- Still of the night
- Burn

Sim, o final do show foi com a antológica “Burn” do Deep Purple, entremeada por “Soldier of Fortune” e “Stormbringer”, para que Coverdale relembre os seus velhos tempos no Purple. Foi isso! Já fazia um bom tempo que eu não assistia a um show desse nível. Que o grande Coverdale tenha forças para continuar trilhando esse caminho, o caminho do velho e bom Rock’n Roll.

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Fase

Existe uma época na vida de um homem, em que algumas coisas passam a ter sentido e outras, definitivamente, passam a não ter explicação. A forma de como se chegou até aqui, hoje, agora. A união, a desunião, a alegria da fuga, a paz do vôo alçado, a dor do vôo interrompido e o pânico de estar encarcerado. A maneira de como o tempo passou, de como se criou os filhos e a idéia de como eles serão daqui para a frente. Passam pela mente os amores, as alegrias, as dores, os remorsos e os rancores. Gostos, sabores, aromas, perfumes e dissabores são expostos em telas insistentemente penduradas o mais visível possível na vitrine da mente. Mente? Mentiras, afirmações, dúvidas, incertezas, verdades e acusações. Eis que a hora do balanço chegou. Saldos, salmos, retornos, estornos, saídas e chegadas. Eis que é a vez da partida. O tempo é agora. Eis que a hora é chegada.

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Cartões de visita

Achei muito interessante saber que os funcionários de uma grande empresa mundial de brinquedos, ao invés de se utilizarem de um cartão de visitas tradicional, entregam às pessoas uns bonequinhos com as suas características físicas, trazendo seu nome, telefones e e-mail. Comecei a imaginar se todos se utilizassem de procedimentos semelhantes. Não seria interessante? Os médicos ao se apresentarem, forneceriam uma dica de saúde ou um diagnóstico. Os religiosos ofereceriam além de seu nome, um conforto espiritual. Os professores, ao darem a mão, passariam algum conhecimento. Os psicólogos, assistentes sociais e terapeutas junto com a apresentação, ofereceriam uma boa conversa e compreensão. Cada um ofereceria aquilo que possui de melhor. E nós, pessoas comuns, poderíamos oferecer um olhar sincero, um forte aperto de mãos e, por que não, um abraço?

quinta-feira, 1 de maio de 2008

1º de Maio

Hoje, durante uma viagem de trabalho, observei o que acontecia ao longo da estrada. Vi caminhoneiros viajando com suas cargas. Observei tratores arando a terra para semear uma nova lavoura. Percebi frentistas de postos de gasolina e garçons de churrascaria assumindo os seus postos, a fim de atender aos clientes viajantes. Motoristas de ônibus trazendo e levando centenas de pessoas aos seus destinos. Logo adiante, uma fina chuva começou a cair, molhando a terra, o asfalto e refrescando ainda mais o quase frio entardecer. Sim, hoje foi um dia de trabalho! Hoje é o dia do trabalho! Mas, não é feriado? É, mas como em todos os outros dias, é um dia de trabalhar. A Terra não para de girar, a natureza não deixa de derramar as suas chuvas e nós também não paramos. Felizes de nós por termos um trabalho! Parabéns a todos nós, trabalhadores! Nós ajudamos a mover as engrenagens desse mundo!

quarta-feira, 30 de abril de 2008

Apoio

Quantas vezes na vida, somos pressionados por ações, situações, acontecimentos ou pessoas? Quantas vezes nos sentimos encurralados em nós mesmos e temos a necessidade urgente de sermos ouvidos? Nessas horas, necessitamos de um amparo, seja para encontrar uma direção, uma solução, ou simplesmente um ombro para chorar. As situações adversas geralmente nos pegam de surpresa, não nos dando tempo para pensar em uma saída. Nessas horas, como é bom ouvir uma simples palavra, uma palavra amiga! Basta uma expressão, um gesto de apoio, de amizade, de compreensão. Muitas vezes, até um olhar é suficiente para que ergamos a cabeça e sigamos em frente. Que sempre possamos, também nós, oferecer uma palavra de apoio, uma mão amiga ou um olhar sincero a quem necessitar. Assim, certamente os nossos fardos se tornarão mais leves e esse nosso mundo, um lugar melhor para se viver.

terça-feira, 29 de abril de 2008

O espelho

Quem é o velho que insiste em me encarar no espelho? Feições cansadas, olhar sério e quase sem brilho. Mente perturbada pelos pensamentos, dúvidas e lembranças... Mente para si mesmo. Mas, como eu sei disso? E, por que ele insiste em me imitar?

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Cuidados?

A música invade os ouvidos viajando pelo ar, quase sem pedir licença. As notas são tiradas dos instrumentos com zelo e delicadeza. As cordas são dedilhadas com precisão. O ar vindo dos pulmões impele o sopro musical para o mundo. A batuta do maestro conduz todos os tons e acordes. Os passos andam e dançam animadamente pelo palco. Os pincéis e as tintas percorrem as telas, deslizando suavemente. As aquarelas são penduradas e retiradas da parede com luvas, para permanecerem quase intocadas. Os cristais são utilizados com extremo cuidado. A luz reflete toda a sua pureza através deles, onde o rubro vinho é degustado até a última gota. As páginas do antigo livro são manuseadas com extrema leveza, quase sem serem tocadas. Por que, então, ainda marcamos a pele, a mente e a vida das pessoas com brutalidades, mentiras, arrogância e desprezo? Tudo no mundo não poderia soar como uma imensa e afinada sinfonia? E se o numeroso coral entoasse uma só voz? Desconversas, desculpas, nossas culpas... Idéias confinadas no limbo do esquecimento...

domingo, 27 de abril de 2008

O saldo

Gostei muito da aparência de um envelope que encontrei na caixa de correio. Era o extrato bancário de minha conta corrente. Dentro do vistoso envelope, estavam as informações que eu já imaginava. Envelope bonito, saldo mais do que zerado, sorriso amarelo. Em um canto do extrato, um número de telefone que dizia ser um “apoio a clientes”. Encurralado, peguei o telefone e liguei. Do outro lado da linha, uma solícita voz metálica. Educada, me pergunta o que desejo. Pergunto como seria possível quitar o meu saldo devedor, mas confesso que é complicado. Para minha surpresa, a voz recuperou um tom humano, e disse: “É, amigo, a vida te cobra pelos investimentos errados...!” Agradeci e desliguei. Ao deitar no tapete da sala, contabilizei o imenso rombo aberto nas finanças e nas relações com as pessoas e com a vida...! Incompetência, demência, falta de rumo ou orientação? Acho que estou perdido... Como eu saio daqui? Como pagar por tudo isso?

sábado, 26 de abril de 2008

Não era para sempre?

Antigamente, eu pensava que tudo era interminável, era para sempre. A casa, as relações, os móveis, as amizades, a antiga televisão valvulada, a lealdade e tudo o mais. Com o tempo, o sofá rasgou, a satisfação acabou e a louça se quebrou. A roupa desbotou e a velha televisão queimou. Com a vida, eu também aprendi que, coisas que deveriam ser inteiras, não o são. Convivemos com um meio casamento, meia relação, meia amizade, meio salário e meia alegria de viver. Acabamos acostumando com meio tanque de gasolina no carro, meio pão francês no café e uma meia taça de vinho no jantar. Isso é uma vida pela metade ou é apenas meia felicidade? Que saudades da antiga televisão valvulada que, em suas imagens em preto e branco, me permitia imaginar a vida colorida!

sexta-feira, 25 de abril de 2008

O mundo virtual de cada um

Ouvi isso de um amigo e concordei com ele. Essa é uma verdade inquestionável. Atualmente, com a moderna tecnologia, temos e fazemos coisas fantásticas na Internet. Temos informação, conhecimento, diversão, novos relacionamentos e muito mais. Tudo isso, mostrado na tela do nosso computador. Assim, conhecemos pessoas, iniciamos relacionamentos e percorremos o mundo, apenas com alguns toques no teclado. Desse modo, entramos no chamado mundo virtual. Temos até a possibilidade de criar um personagem e viver uma segunda vida nesse inovador e fantástico mundo virtual. Mas, o que é afinal, esse mundo virtual? Ora, não é um mundo no qual criamos e mantemos coisas que, embora estejam lá, não podemos tocar? Não é um local onde criamos as nossas fantasias, coisas impossíveis na vida real, e as realizamos? Lá, nós somos, fazemos e temos o que quisermos. É uma maravilha, embora não seja real. Trazendo isso para a realidade palpável, não podemos dizer que uma boa porção da raça humana vive em um mundo virtual, mesmo sem nunca ter visto um computador? Quantos sonham com um prato de comida e não tem? Quantos se imaginam morando em uma casa e, quando abrem os olhos vêem apenas um viaduto ou uma caixa de papelão no chão? Quantos necessitam de um atendimento médico e morrem nas portas de um hospital público superlotado? Quantas crianças imaginam ter o amor de um pai e uma mãe, ganhar brinquedos no Natal e possuem apenas a dura realidade do abandono e da vida nas ruas? Todas essas coisas estão lá, a um toque da mão, mas eles não as possuem. Então, todos esses sonhos e anseios destes nossos irmãos, não fazem parte de um mundo virtual? Por que o virtual deles é mais duro que o nosso? Então, realmente, o que é virtual? Enquanto não encontrarmos essa resposta, teremos dois mundos distintos compartilhando o mesmo espaço. Só que, as mensagens eletrônicas são verdadeiramente virtuais, enquanto que a fome, a miséria e o abandono são cruelmente reais.

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Esquinar

Nestas ruas, vielas e becos da existência, saio, tomo chuva, corro muito e chego seco. A cada caso, a cada choro, a cada escárnio, a cada sentimento, a cada acaso, a cada trauma, a cada alento, paro e penso. Nesse esquinar da vida, tomo fôlego, olho em frente, decido o rumo, sigo o vento...

quarta-feira, 23 de abril de 2008

O livro

Contos, crônicas, romances, poesias, biografias e muito, muito mais. Isso é o que os livros nos mostram, nos trazem, nos oferecem. São as páginas dos livros que nos dão asas para voar por espaços imaginários, ir até o horizonte e além. Dentro dos livros, vestimos a capa do herói, empunhamos a espada do cavaleiro ou voamos através do espaço como um cosmonauta. Tudo isso, sem sairmos do chão, ou sequer da poltrona. Que poder e que fascinação tem o livro sobre nós? É algo mágico, misterioso e muito bom! Para cada autor, os seus livros são como filhos que são enviados ao mundo para serem arautos das idéias e pensamentos do pai. Para cada leitor, o livro é uma passagem comprada rumo ao infinito, aos confins da imaginação. Que fascínio ímpar possuem essas folhas de papel unidas e ordenadas, a conduzir os seus escritos! Hoje, dia 23 de abril, comemoramos o Dia Mundial do Livro. Parabéns! Parabéns à todos, condutores e passageiros, que se deixam levar em viagens fantásticas, através das páginas de um livro!
Quem tem nas mãos um livro, mesmo encarcerado, é livre. Então, vamos ler mais?

terça-feira, 22 de abril de 2008

Regras, que regras?

Acho que não é mania de perfeição. Penso que seria o mínimo a ser feito. Por que, um grande número de pessoas insiste em não cumprir as normas, as regras de convivência, por mais simples que elas sejam? Tenho observado quase que diariamente, que as coisas mais banais não são observadas e cumpridas. Exemplos? Nas empresas, onde existem mesas com café e leite coletivos, após se servirem, as pessoas não fecham as garrafas térmicas. Isso faz com que os próximos colegas a se servirem, encontrem as bebidas já frias. Nos banheiros de uso coletivo, constantemente as pessoas ditas civilizadas, não se preocupam em deixar o ambiente limpo para o próximo usuário, que pode ser ele próprio. Quantos vizinhos nós conhecemos, que colocam na rua o seu lixo, mesmo sabendo que aquele não é um dia de coleta? O resultado, na maioria das vezes, é vermos esses dejetos espalhados pelo chão por cães e gatos. Fatos mais graves são também causados pelo descaso dos cidadãos. O que dizer das inúmeras mortes e lesões permanentes em pessoas inocentes, provocadas por acidentes de trânsito? Muitos desses casos são conseqüência das atitudes de alguns indivíduos. São péssimos motoristas que, simplesmente se recusam a obedecer às mais básicas regras de trânsito. Excesso de velocidade, avanço em sinal fechado e invasão de vias preferenciais são alguns exemplos dessa conduta insana. O que está acontecendo com o ser humano? A medida que o mundo evolui, os seus habitantes estão regredindo? As pessoas se acham muito "espertas", a ponto de se sentirem superiores às leis e normas de conduta? Esse é um questionamento que eu faço todos os dias. A nossa vida em sociedade não seria muito melhor se essas noções básicas fossem respeitadas e cumpridas? Com a palavra, a consciência. De quem tem, é claro...!

segunda-feira, 21 de abril de 2008

domingo, 20 de abril de 2008

Letras esfarrapadas

Sinal vermelho. Carro parado. No tempo de parar na esquina, vi uma cena interessante. Na calçada, sentado no chão, um mendigo. Roupas esfarrapadas, pés descalços. Uma sacola plástica ao seu lado, provavelmente com todos os seus pertences. Barba e cabelos por cortar a meses. Em suas mãos, um caderno e um lápis. Ele escreve freneticamente. Olhos vidrados nas folhas de papel. Por vezes, esboça um sorriso, logo substituído por um ar de seriedade. Mas, o que ele escreve? Serão as lembranças de outra época da vida? De quando ele tinha casa, família? De filhos deixados para trás? São as descrições de seus sonhos? Uma carta de protesto contra o mundo? Infelizmente, o sinal abriu e tive que arrancar. E ele? Ficaria ali por quanto tempo? Quantas linhas ainda seriam escritas? Quantas páginas preenchidas de lembranças, ilusões e decepções? É pena, mas eu não saberei. Espero que as linhas escritas por ele possam de alguma forma, ser um lenitivo para a sua dura vida nas ruas. Que ricas memórias podem estar escritas ali, naquelas páginas? Ou serão loucuras? Só aquele caderno e aquele lápis, seus parceiros e cúmplices, sabem. Estranha e rica parceria. Ricas e tão sofridas letras...

sexta-feira, 18 de abril de 2008

Lentes

Hoje eu percebi. Já não limpo as lentes dos óculos há tempos. Deve ser na tentativa de ver alguma coisa. Tentativa involuntária de ver algo ao meu redor. Diariamente, acostumamos os olhos a compartilhar as mesmas imagens frias, maquiadas, caricatas, ridículas. Todos vivem personagens que, diariamente se vestem de adultos, responsáveis, que ocupam cargos e posições que nem de longe mostram o que eles realmente são e pensam. Pobres importantes figuras! Será que ao fechar os olhos para dormir, eles consideram o seu papel realmente cumprido? Só as suas mentes e consciências podem responder. Enquanto isso, eu prefiro ver a poeira aumentada pelas lentes dos meus óculos.

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Guinness

Blog menos comentado... É meu!

Bastidores

Quanto tempo de coxia! Quanta vida de bastidores! Enquanto isso, o palco sendo ocupado por atores medíocres, sorridentes, embalados pela imbecilidade. Como eu não pude perceber isso? O tempo passou e a mediocridade está em evidência. Uma evidência sofrível, mas ainda assim, uma evidência! Viva os idiotas de plantão! Me resta o silêncio. Afinal, quem se cala, deve mesmo ficar fechando as cortinas e ouvindo os aplausos que vem do público em direção ao palco. E assim, segue a vida...

quarta-feira, 16 de abril de 2008

Recicláveis

Recicla-se quase tudo hoje em dia. Recicla-se o vidro. Recicla-se o plástico. Recicla-se o metal. Recicla-se o papel. Podemos reciclar o nosso papel no mundo? Reaproveitar a nossa essência? Descartar a nossa demência? Sim? Não! Talvez... É melhor ser pedra que vidraça nas ásperas e longas ruas dessa existência...

terça-feira, 15 de abril de 2008

O protótipo do personagem

O esboço do livro está pronto. Já pensei nos detalhes. Tenho tudo decidido, herói, locais, personagens e argumento. Para o personagem principal, pensei em um tipo quase comum, para não despertar suspeitas. Pensei em alguém que, ao ser visto nas ruas, não pudesse ser identificado como a figura central da trama. Ele poderia ser, por exemplo, filho de um antigo e sábio professor de matemática. Foi com seu pai que ele teria aprendido a calcular tudo, desde estratégias até riscos. Como identidade secreta, poderíamos colocá-lo como o proprietário de uma videolocadora. Desse local, que serve como esconderijo e laboratório, ele sairia para travar as suas lutas. E, da infinidade de filmes que ali existiam, eram tiradas táticas, técnicas, estratégias e planos dos mais ardilosos para o combate ao mal. Até os uniformes usados pelo nosso personagem em suas rondas noturnas, eram tirados dos filmes que o rodeavam todos os dias. Para não levantar suspeitas, o nosso personagem poderia viver em uma pequena e paradisíaca cidade, cercada de águas, tranqüilidade e belas paisagens, de onde ele só sai para o combate aos inimigos do bem. Para fazer companhia a esse paladino, teríamos que colocar alguém jovem e bonita. Pensei em uma jovem loira, com olhos verdes, descendente de alemães, sua parceira nas lutas e companheira de todas as horas. Para a nossa história ter uma trilha musical vibrante, escolhi o som pesado do rock. O nosso herói poderia ser um fã de bandas de heavy metal, indo a shows constantemente e se inspirando nas letras das bandas preferidas. Seria delas que era tirada a energia para o combate ao crime. Aliás, ele poderia também já ter tido a sua própria banda na juventude. Outro ingrediente para tornar a trama interessante e popular, seria colocarmos algumas pitadas de futebol. O personagem poderia ser um torcedor quase fanático do melhor time de futebol do país. Os campos de futebol também serviam para exercitar os sentidos, a garra e também para observar os adversários. Pronto! Personagens, cenários e trilha sonora. Que venham os inimigos do bem e da ordem! O nosso herói está pronto para agir em defesa dos fracos, indefesos e oprimidos. Qualquer semelhança com a vida real, terá sido mera coincidência... Ou não?

Ao amigo Márcio "BOBAS" Brum

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Conclusão

Os trevos são só de três folhas. O telhado tem goteiras, o carro é velho e a sala é tão vazia como a alma. A vida passou e a alegria não compareceu. Culpas, desculpas, dez culpas, retratações, tratos, destratos, recepções, decepções, ocupações, preocupações, trabalho, retrabalho, obediência cega, surda e absurda. Tentar, mas não ser. Ser sem tentar. Forçar e se esforçar para não ter, para não ser. Existir, coexistir, viver, penar, sobreviver, condenar, absolver. Culpa, ter, desculpa, não saber. Pensar, repensar, dispensar, compensar. Compensa? Compensou? Não sei, só sei. Não! Realmente, não sei! Fardo, pesado, calado, pardo. Dor, ardor, temor, rancor, mágoa, ódio, dissabor. Luta, derrota, revanche, outra chance, para que? O chão... Nunca havia notado. Brotam coisas do chão. Deveriam brotar do coração. Sim, talvez, não! Desculpem! Só sei que de nada eu sei. O espetáculo tem que continuar... Até quando? Alguém pode me dizer?

domingo, 13 de abril de 2008

Dia de beijar

Hoje, 13 de abril, é o dia do beijo. A palavra beijo vem do latim, basium. Ao longo da história, o beijo tem sido usado para demonstrar amizade, carinho, amor, paixão e até traição. Novas relações, sensações e sentimentos nascem a partir de um beijo. Temos beijos carinhosos, comportados, atrevidos, íntimos, molhados e até beijos roubados. O beijo aproxima, une, estabelece relações, combinações e pactos. Então...um beijo!

Dá trabalho ser feliz

Temos que ter várias facetas. Ser politicamente corretos, emocionalmente éticos, moralmente retos, gentilmente carinhosos, espontaneamente estéticos, economicamente estáveis e afetuosamente amorosos. Isso dá trabalho! Posso deixar para amanhã? Hoje quero dormir!

sábado, 12 de abril de 2008

Constatações

Coisa de velho. Com a idade, vamos percebendo que as coisas não são, na sua maioria, como havíamos sonhado. A vida, o trabalho, as pessoas que nos cercam. Até os filhos, por vezes não agem como se esperava. Verdade? Pessimismo? Ou é o que mostra a nossa imagem no espelho? Tempo ido. Reflexo sem brilho.

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Especialização x Educação

Não é teoria. É uma constatação diária. Vivemos em um tempo em que a competição no mercado de trabalho exige cada vez mais especialização por parte dos trabalhadores. O problema, é que enquanto as pessoas estão ficando cada vez mais graduadas, na contramão, ficam cada vez menos educadas. São cada vez mais graduações, pós graduações, mestrados e doutorados fortalecendo o conhecimento e enfraquecendo as normas básicas de educação e boas maneiras. Enquanto se ocupam de termos como "bits", "bytes" e "algoritmos", esquecem-se de termos como "bom dia", "por favor", "com licença" e outros tantos que os nossos antepassados, muitos deles analfabetos, utilizavam com sabedoria. É uma constatação triste. Estamos criando uma geração altamente especializada profissionalmente e, ao mesmo tempo, ignorante em civilidade, moral e bons costumes. É mais um sinal dos tempos. Tristes tempos.

Livros

Por onde ele andava, sempre estava com aqueles livros embaixo do braço. Era o símbolo do bom aluno. Acadêmico perfeito. Os professores o admiravam e as garotas queriam sair com ele. Além de não ser feio, passava a imagem de intelectual. Saía com quase todas elas e se mostrava senhor da situação. Estranhamente, ninguém o havia visto com os livros abertos, nunca. Também, quem precisa ler? É só saber o que falar e fazer. Páginas em branco...!

quarta-feira, 9 de abril de 2008

A pizza

Reunião de amigos à noite. Conversa animada, cerveja à vontade. De repente, bate a fome. Uma pizza em casa é uma grande idéia! Lista telefônica aberta, dezenas de anúncios de pizzarias. “Que droga! Só encontro essas tais Pizzas Delivery... nenhuma entrega em domicílio! Sacanagem!”

terça-feira, 8 de abril de 2008

Porre

Noite chuvosa. Água caindo a cântaros. Na delegacia, o plantonista da carceragem com as celas e o saco cheios. Mais uma ocorrência. Um bêbado, preso por arruaça na via pública. Ao ouvir a queixa, sem erguer os olhos, diz: “deixa ele na chuva, até passar o porre”. E, assim foi feito. Pronto! Um bêbado e um B.O. a menos... Noite interminável...!

sábado, 5 de abril de 2008

O final

A vida passou e não percebemos? As pessoas, amigos e amores sumiram? O que se dava importância não valia nada? O que fazer agora? Para onde ir? Assim que as lágrimas pararem, talvez eu possa ver...

quinta-feira, 3 de abril de 2008

As letras d'água

Achei muito interessantes as imagens que vi hoje, na Internet. Nesses tempos de pré Olimpíadas, todos os olhos do mundo se voltam para a China. Reportagens mostram as peculiaridades e os costumes de seu povo. O que me chamou a atenção, foi um senhor, já de idade avançada, escrevendo poemas no chão de cimento de Pequim, com um pincel de água. Provavelmente deve ser uma forma de ganhar algum dinheiro com os habitantes da cidade e com os turistas. Com arte, o velho escritor escreve a sua poesia no chão. Mas, o seu texto não dura mais que alguns minutos. Quando ele está terminando os últimos versos, os primeiros já estão desaparecendo com o sol que, aos poucos, vai evaporando as letras d’água. Isso se parece com as frases escritas na areia da beira do mar. Logo que vem a primeira onda, leva as palavras embora. O que significa essa atividade para aquele velho homem chinês? Passatempo? Forma de ganhar a vida? Prazer? Provavelmente, eu nunca saberei. Só sei que, assim como as suas letras escritas com água, ele desaparece todas as noites nas ruas de Pequim. Mas, a cada manhã, lá está ele novamente. Afinal, a vida segue e a sua arte, mesmo que passageira, não pode morrer.

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Fora de moda

Vivemos hoje em um mundo moderno e evoluído. Cada vez o tempo passa mais rápido e a cada dia os nossos conhecimentos são maiores. Muito se investe em informação e tecnologia. Existem porém, algumas profissões que estão, aos poucos, desaparecendo. Podemos citar os alfaiates e os sapateiros. Lá se vai ao longe, a época em que nossos pais, avôs e bisavôs mandavam fazer os seus ternos sob medida naquele alfaiate conhecido de longa data. As medidas do cliente eram tomadas com a fita métrica e o tecido era riscado e cortado cuidadosamente, em um trabalho artesanal. Alguns dias e poucos ajustes depois, estava pronto o terno do casamento, da formatura ou de qualquer outra ocasião especial. Para acompanhar a roupa nova, calçava-se aquele sapato feito do mais puro couro, cortado e costurado a mão. Muitos desses profissionais passavam à seus filhos essas técnicas, perpetuando a arte por sucessivas gerações. Hoje, com as modernas indústrias, esses profissionais que eram verdadeiros artistas, estão aos poucos, sumindo das nossas vistas. Sei que as grandes indústrias de calçados e confecções, principalmente do oriente, baratearam em muito os preços de seus produtos, tornando-os assim, populares. Mas, não existe nada como vestir algo exclusivo, uma peça única, feita sob medida para nós. Algo que era cortado e costurado de acordo com as medidas exatas de cada cliente. Essas são mais algumas perdas desse nosso mundo tão moderno, evoluído e globalizado. Bons tempos aqueles! É uma pena, mas estes, não voltam mais.

A ficha

“Finalmente me caiu a ficha! O problema, é que eu não encontro mais a desgraçada...!”

terça-feira, 1 de abril de 2008

1° de Abril...!

Na minha época de infância e adolescência, o dia 1° de abril, dia da mentira, era um terror. Nós tínhamos que ficar atentos para não cairmos em nenhuma “pegadinha”, durante o dia inteiro. Era assim no colégio, na casa dos parentes e na rua. Sempre havia um gaiato para passar um trote ou te expor ao ridículo nesse dia. Hoje cedo, ao sair de casa com meus filhos, pensei em avisá-los para ficarem atentos para qualquer história mirabolante que pudesse ser contada durante o dia, pois certamente seria um trote de 1° de abril. Na correria da manhã, esqueci de lhes dar esse conselho. Lá pelas nove horas, lembrei disso e enviei uma mensagem de texto a cada um, pelo celular. No começo da tarde, liguei para a minha filha e perguntei se ela ainda não havia sido vítima de nenhuma brincadeira na faculdade. A sua resposta foi: “Não aconteceu nada, pai. Acho que isso é coisa da tua época!” Desliguei o telefone e me pus a pensar. Ou eu realmente estou vivendo em uma época muito diferente da minha, ou não se faz nem 1° de abril como antigamente. E, o pior, isso não é mentira!

Abordagem

"Nunca aborde o seu chefe no banheiro. Ele pode gostar de puxa-saco..."

O sistema

Acabo de chegar do supermercado, onde fui comprar uma pizza destas prontas para ir ao forno. Passei tanto tempo na fila do caixa, que nesse período poderia ter montado, colocado para assar e quase ter comido a tal pizza. Eu e um bom número de pessoas recebemos a informação que tudo estava parado, pois o “sistema” havia caído. Afinal, quem ou o que é este personagem que constantemente controla nossas vidas? Não é sempre, mas o tal “sistema” tem o poder de nos impedir de retirar o nosso dinheiro dos bancos, de pagar as compras feitas, quitar prestações, reservar passagens aéreas ou terrestres, etc. É inegável que o moderno mundo da informatização de quase todas as atividades humanas nos trouxe incontáveis benefícios e facilidades. Hoje, paga-se quase tudo com cartões, não existindo a necessidade de carregar dinheiro no bolso. Os estoques de mercadorias são controlados automaticamente nas empresas no mesmo instante em que o consumidor faz a sua compra, facilitando assim a reposição dos itens faltantes. Pela Internet, se compra de tudo; desde alfinetes até aviões com o simples envio do número de nosso cartão de crédito. Mas, todas estas e outras atividades necessariamente dependem dele: o famigerado “sistema”! É lógico que cada empresa, estabelecimento ou banco utiliza os seus equipamentos e softwares específicos, mas como a resposta dada invariavelmente pelos atendentes é sempre a mesma, culpando o nosso vilão “sistema” pelos desconfortos, atrasos e aborrecimentos, esta palavra está cada vez mais martelando a cabeça de todos nós, consumidores modernos. Confesso que sou um admirador e usuário de tecnologia, e que nossa vida é extremamente facilitada por ela. Mas hoje, na fila do caixa e com a pizza na mão, senti saudades do armazém da esquina dos meus tempos de infância. Sempre pronto para entrar em ação, o lápis trazido atrás da orelha pelo dono da bodega nunca nos deixou na mão. A conta era fechada e paga ali, na hora, em cima do balcão. Às vezes o sistema dele caía, mas era só fazer uma nova ponta no grafite e já estava apto novamente. E, além disso, ainda se levava uma bala de hortelã de brinde...!